As declarações do secretário-geral, segundo alguns especialistas, parecem revelar uma divisão interna na própria OPEP, após as pressões exercidas por vários países, entre eles Rússia e Venezuela, para que a oferta voltasse aos patamares de janeiro deste ano. Irã, Iraque, Catar, Nigéria e outros produtores já tinham aprovado a redução na semana passada.
O assunto é de interesse de praticamente todos os países, exportadores ou importadores de petróleo. Procurado por Sputnik, o Ministério das Minas e Energia do Brasil informou, porém, que o país não está participando dessas negociações.
Conforme adiantou o secretário-geral da OPEP, a acomodação da oferta deveria durar até quatro meses, período após o qual os países-membros voltariam a se reunir para avaliar o comportamento de preços da commodity.
Em conferência esta semana nos Estados Unidos, Badri se mostrou esperançoso de que as cotações voltem a aumentar no ano que vem, embora tenha classificado o panorama como preocupante. Para isso, voltou a enfatizar a importância da colaboração de grandes países produtores de fora da OPEP, citando especificamente a Rússia e os EUA.
Nos bastidores, porém, o cenário parece ser outro. Reportagem publicada pelo jornal “Financial Times” levanta a hipótese de que uma eventual redução na oferta da OPEP possa ser preenchida por aumento de produção de óleo de xisto americano.
Especialistas estimam que, nessa guerra de produção com os EUA para não perder mercado, a Arábia Saudita já tenha desembolsado cerca de U$ 100 bilhões de suas reservas internacionais. Segundo essEs analistas, o país estaria disposto a dobrar esses esforços por meio de emissão de títulos no mercado internacional. Ainda conforme o jornal, a estratégia da Arábia, pelo menos por enquanto, tem conseguido colher alguns frutos.
Com o custo de produção do óleo de xisto girando em torno dos US$ 45 a US$ 50, a cotação média atual na casa dos US$ 30 tem tirado muitas empresas produtoras do mercado americano. Já foram registrados cerca de 20 pedidos de falências, embora de empresas de pequeno porte. A produção americana de petróleo recuou em quase 500 mil barris diários, mas ainda assim é expressiva, atingindo 9,1 milhões de barris/dia, quando há apenas três anos era de 6,8 milhões de barris.