Sputnik Brasil consultou o empresário José Augusto de Castro, presidente da AEB – Associação de Comércio Exterior do Brasil, para explicar o que ocorre, e por que os portugueses se queixam. O líder empresarial diz que o Brasil é superavitário em relação a Portugal porque vende, basicamente, commodities para lá (soja, milho, algodão) e importa manufaturados.
José Augusto de Castro também declarou que preferiria uma relação inversa, pois, “ao importar produtos manufaturados, o Brasil está gerando empregos em Portugal, já que a indústria de transformação necessita de boa quantidade de mão de obra”.
Castro analisa o fato de Portugal lamentar o pequeno volume de comércio com o Brasil:
"Essa é a realidade dos últimos anos, exceto apenas em 2013 e 2014, em que o Brasil teve um déficit comercial com Portugal. Tradicionalmente o Brasil tem superávit com aquele país, porque exporta muitas commodities, exatamente commodities que nos últimos anos tiveram uma forte elevação de preço. E, como nós estamos falando em valor, ao elevar os preços das commodities, aumentam as exportações do Brasil. E a contrapartida de importação pelo Brasil de Portugal não ocorre porque as únicas commodities que podemos dizer que os portugueses exportam para cá são o tradicional bacalhau, o vinho e o azeite de oliva. Normalmente no comércio do Brasil sempre vão ser maiores as exportações do que as importações de Portugal. É uma coisa natural."
José Augusto de Castro acrescenta que não se pode esquecer que "tradicionalmente 70% de tudo o que nós exportamos para Portugal são commodities e 70% de tudo o que importamos de Portugal são produtos manufaturados. Na verdade, é uma coisa que o Brasil gostaria que fosse o inverso: de exportar mais produtos com maior valor agregado, ou seja, que geram mais emprego internamente, ao contrário do que acontece atualmente. Hoje nós exportamos mais commodities que geram pouquísimos empregos e importamos manufaturados que geram muitos empregos na origem. É uma realidade do mercado. O Brasil, pela extensão territorial, vai ser sempre um tradicional exportador de commodities".
Sobre os números deste ano da relação comercial entre Brasil e Portugal, o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil informa que "até o mês de setembro o Brasil exportou, de soja, US$ 85 milhões; de petróleo bruto, US$ 43 milhões; de café não torrado, US$ 18 milhões; de milho, US$ 14 milhões; de madeiras, US$ 13 milhões; de frutas, US$ 10 milhões".