Segundo afirmou Jalali, "Israel e outro país na região têm equipes conjuntas cujo trabalho é garantir que as nuvens que entram no céu do Irã sejam incapazes de produzir chuva".
O chefe do Laboratório de Climatologia do Instituto de Ciências da Rússia, Vladimir Semenov, acredita que, em teoria, as declarações de Jalali fazem sentido, mas apenas se tomarmos em consideração o seguinte fato: Israel não pode influenciar as nuvens a partir do seu território, já que se encontra a mais de mil quilômetros do Irã, pois tais operações só se realizam a nível local.
"De fato, podem ser usados aviões com canhões cheios de substâncias especiais para afastar as nuvens carregadas de chuva. […] São utilizadas substâncias orgânicas, que não representam ameaça para o ambiente que fazem com que a chuva ou neve caiam na terra antes que as nuvens cheguem a determinada zona […] Assim, o processo de dissuasão de nuvens se realiza a cerca de 50-100 km do lugar onde é necessário criar bom tempo", explicou o cientista russo, detalhando que, entre as substâncias aplicadas nas nuvens, estão partículas de gelo seco, cristais de nitrogênio líquido, iodeto de prata.
Porém, o cientista político israelense Simon Tsipis, do Instituto de Estudos para Segurança Nacional (Institute for National Security Studies, INSS), admitiu o fato de, em condições de uma guerra híbrida, Israel poderia ter recorrido a tal método para influenciar a situação política no Irã.
"Hoje em dia estamos testemunhando uma guerra híbrida que vai além dos limites de uma guerra comum: são utilizados todos os meios, incluindo os capazes de influenciar o clima e o tempo", opinou o analista em entrevista à Sputnik Persa.
Tsipsis lembrou que ainda na época da Guerra Fria estavam sendo desenvolvidas armas que pudessem mudar o clima e as condições climáticas, por isso não exclui que este tipo de armamentos esteja agora sendo usado contra o Irã.
Que objetivo poderia perseguir Israel ao influenciar o clima do Irã? Uma das razões indicadas pelo analista israelense é que o Irã atualmente é a principal ameaça estratégica para Israel, pois "está acumulando suas forças armadas na Síria, perto das fronteiras israelenses".
"Há uma opção militar — lançar ataques aéreos contra instalações nucleares iranianas. A segunda opção é mudar o regime", disse o interlocutor da Sputnik.
Se a mudança de condições climáticas puder contribuir para a mudança de regime no Irã, Israel, junto com outro país, poderá mesmo recorrer a tal possibilidade, acredita Tsipsis, mas duvida que seja um país regional, mas sim os Estados Unidos.
"Os EUA têm a sua própria infraestrutura militar no Oriente Médio: bases militares, localizadas perto do Irã em países como os Emirados Árabes Unidos, Qatar, Arábia Saudita e Kuwait. É muito provável que façam isso a partir do território da Arábia Saudita. Os EUA podem estar ajudando Israel, pois possuem o equipamento necessário capaz de manipular as nuvens a nível local, ou seja, influenciar condições climáticas no Irã.
Como tal influência a partir de um território próximo ao Irã é possível teórica e tecnicamente, o analista conclui que Israel pode mesmo estar manipulando as condições climáticas no Irã para alcançar o seu objetivo: mudar o regime iraniano. "Eu não excluo isso", disse.
Em 30 de junho, no sul do Irã a população protestou contra a grande falta de água potável causada por uma seca que atingiu a região. Os manifestantes acreditam que os problemas com a água estão ligados à má política econômica do governo iraniano. As autoridades, por sua parte, apontaram para uma interferência exterior e uma guerra climática iniciada contra o Irã.