Anteriormente, o chefe do Pentágono, James Mattis, pediu aos congressistas que abandonassem a ideia de proibir o fornecimento dos F-35.
O especialista militar Alexei Leonkov falou durante a entrevista sobre a decisão do Congresso americano de congelamento das entregas à Turquia.
"Essa história — 'compre os nossos F-35 em lugar dos S-400russos' — já é velha. Os EUA tentaram por todos os meios exercer pressão sobre a Turquia em relação à compra dos sistemas de defesa aérea russos, mas a resposta definitiva foi dada pela Turquia […] Então os Estados Unidos começaram uma espécie de jogo — fornecer à Turquia um ou dois aviões e ver como eles mudam de ideia. Eles [americanos] intrigaram, blefaram e chantagearam a Turquia. Mas como podemos ver, nada aconteceu e o Congresso dos EUA tomou esta decisão [de congelar a entrega dos F-35], que neste caso não é um ultimato categórico, que a Turquia nunca iria receber essas aeronaves", disse Leonkov.
Quanto à situação em geral, a escolha da Turquia a favor dos sistemas russos é lógica, observou o especialista.
"Se considerarmos a questão de um ponto de vista técnico, a compra do S-400 é melhor do que a dos F-35 em muitos aspectos. Este sistema de defesa pode detectar e abater alvos a várias centenas de quilômetros […] Se falarmos sobre o F-35, é um avião com um percurso difícil e bastante controverso, o que foi comentado no exterior e pela nossa imprensa", ressalta.
"Portanto, colocando na balança, verifica-se que é melhor comprar o S-400 e organizar um espaço aéreo seguro em torno de seu território do que um F-35 de confiabilidade técnica e prontidão de combate duvidosas. Além disso, a Turquia se beneficia da cooperação com a Rússia em outras áreas. Ou seja, o S-400 não é a última coisa que eles planejam comprar-nos. Eles têm, em particular, planos para estabelecer uma cooperação técnico-militar com nossos consórcios da indústria de defesa", concluiu o analista.
Os Estados Unidos e outros representantes da OTAN, da qual a Turquia faz parte, expressaram preocupações quanto à compatibilidade das armas de produção russa com seus sistemas de defesa, afirmando ainda que isso poderia dar à Rússia acesso às tecnologias do F-35, caso o avião seja sincronizado com os S-400.