OTAN reforça papel estratégico da Groenlândia e reage à retórica de anexação de Trump, diz mídia
05:14 06.01.2026 (atualizado: 11:35 06.01.2026)

© AP Photo / Alex Brandon
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A OTAN reforça o papel estratégico da Groenlândia no Ártico enquanto tenta conter a retórica de Trump sobre anexação, em meio a investimentos militares dinamarqueses e à rejeição europeia a comparações feitas pelo entre a ilha e a crise na Venezuela.
De acordo com o Financial Times (FT), autoridades da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) têm reforçado a ideia, frequentemente defendida por Donald Trump, de que a Groenlândia ocupa um papel central na segurança do Ártico.
Segundo representantes da aliança, há espaço para ampliar o foco coletivo na região, em uma tentativa de esvaziar os argumentos do presidente norte‑americano em favor de uma eventual anexação da ilha.
Essas autoridades destacam ainda uma mudança de postura entre membros regionais da OTAN, que passaram a apoiar uma presença mais robusta da aliança no Ártico. O Canadá é citado como exemplo de como o aumento dos gastos militares ajudou a conter, no passado, a retórica de Trump sobre transformar o país em território norte‑americano.
A tensão aumentou após Trump ironizar a estratégia de defesa da Dinamarca, afirmando que o país teria acrescentado "um trenó puxado por cães" à proteção da Groenlândia. A declaração contrastou com o anúncio feito por Copenhague em outubro, quando o governo dinamarquês revelou um pacote de US$ 4,2 bilhões (mais de R$ 23,73 bilhões) para reforçar sua presença militar na ilha.
Segundo o FT, esse investimento inclui duas novas unidades militares, a criação de um quartel‑general do Comando Ártico, além de navios, aeronaves de patrulha marítima, drones e sistemas de radar voltados à vigilância aérea. Todos esses recursos seriam instalados diretamente na Groenlândia, reforçando a capacidade defensiva da região.
Nos últimos dias, Trump voltou a enfatizar a importância estratégica da Groenlândia para a "segurança" dos Estados Unidos. Assessores próximos afirmam que, assim como a Venezuela, a ilha se enquadraria no conceito de "defesa hemisférica", por estar geograficamente situada na América do Norte.
A comparação, no entanto, foi prontamente rejeitada pela Comissão Europeia, que classificou como inadequado equiparar a situação da Groenlândia à crise venezuelana. Para Bruxelas, as duas realidades não guardam qualquer paralelo político ou institucional.
"A Groenlândia é aliada dos EUA e também faz parte da aliança da OTAN, e essa é uma diferença enorme", afirmou a Comissão, reforçando que a ilha integra estruturas multilaterais consolidadas. A entidade acrescentou ainda: "Portanto, apoiamos totalmente a Groenlândia e não vemos de forma alguma uma possível comparação com o que aconteceu [na Venezuela]."
Com o Ártico ganhando relevância estratégica e militar, a disputa narrativa em torno da Groenlândia tende a se intensificar. Enquanto a OTAN tenta reafirmar sua presença e neutralizar pressões políticas, a região permanece no centro de um debate geopolítico que combina segurança, influência e ambições territoriais.


