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América Latina no comando da ONU: o que pode realmente mudar?
América Latina no comando da ONU: o que pode realmente mudar?
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Cotados para assumir o cargo, líderes da América Latina podem dar destaque questões caras para a região. 13.01.2026, Sputnik Brasil
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As mais importantes crises da década de 2020 mostraram a fragilidade das Nações Unidas em impedir e intervir conflitos no mundo, como o conflito na Faixa de Gaza, no Congo, Sudão, o bombardeio no Irã e mais recentemente, a intervenção norte-americana na Venezuela e o subsequente sequestro do presidente Nicolás Maduro.Apesar de se opor firmemente a guerras e promover paz e diálogo, a instituição não conseguiu trazer resultados concretos ou qualquer resolução. Devido a isso, a ONU passa por uma crise de legitimidade, sendo criticada como ineficiente por líderes como o presidente norte-americano, Donald Trump.Com a saída do português António Guterres, atual secretário-geral das Nações Unidas, seu sucessor deve vir da América Latina, segundo a tradição de alternância regional da organização. Dentre os nomes mais cotados para ocupar o cargo estão:Além deles, Amina J.Mohammed e Kristalina Georgieva, da Nigéria e Bulgária, respectivamente, correm por fora, mas a tradição de rotação regional favorece nomes da América Latina. Desta forma, a chegada de um secretário-geral latino-amerinco, a ONU seria mais ativa em questões sobre a região?O processo começa no Conselho de Segurança que recomenda um único nome à Assembleia Geral. Dos 15 membros, o nome indicado precisa de pelo menos 9 votos favoráveis, sendo que nenhum dos 5 membros permanentes (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) pode usar o veto, tem que ser unânime.Nesse sentido, o nome precisa ser o "menos inaceitável" para as grandes potências, diz Kimberly Digolin, pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (UNESP) e do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Nacional (GEDES), à Sputnik Brasil. Ela lembra que a figura do secretário-geral não tem poder para encerrar guerras, nem mesmo reformular o Conselho de Segurança. Mas pode priorizar temas para que se mantenham na atenção global."Assim como Guterres foi fundamental para fomentar os debates internacionais sobre mudanças climáticas e participação da sociedade civil, o próximo nome pode fazer o mesmo com governança digital, crises migratórias, desigualdade financeira, questões de gênero, combate à xenofobia, entre outros."Para a pesquisadora, ter um um latino-americano no cargo pode trazer questões da América Latina, e até do Sul Global, para o centro da tomada de decisões em Nova York. A mudança de foco não se caracterizaria como um favorecimento direto, explica, mas sim uma mudança de perspectiva dentro dos membros da organização.Nesse ponto, o desafio do próximo secretário-geral será promover o multilateralismo sem que as grandes potências interpretem isso como um confronto, e que torne a organização um mediador para os interesses do Sul Global."Se o novo ocupante do cargo conseguir focar em reformas da arquitetura financeira e em soluções para o desenvolvimento sustentável — pautas centrais para o Sul — estará atualizando a ONU sem necessariamente comprar uma briga direta com Washington."Para Robson Cardoch Valdez, doutor em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professor de Relações Internacionais do IDP-Brasília, a eventual renovação no comando das Nações Unidas seria uma oportunidade de "novos ares" para a instituição, especialmente após críticas de falta de relevância na ordem internacional."O problema central da ONU, contudo, não está apenas na figura do secretário-geral, mas também nas limitações estruturais impostas pelo Conselho de Segurança e pelos demais Estados-membros", explica.Ainda assim, diz, um liderança com maior capacidade política legitimidade internacional e habilidade de articulação pode reposicionar a ONU como espaço central de coordenação, mediação e produção de consensos mínimos.Para Valdez, a escolha para o cargo ganhou um peso estratégico no cenário geopolítico, em meio a disputas entre Estados Unidos e China e nova abordagem diplomática da Casa Branca com outros países. "Um perfil comprometido com o multilateralismo, especialmente sob a perspectiva do Sul Global, poderia atuar como contrapeso institucional à fragmentação da ordem internacional."
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américas, rússia, michelle bachelet, josé antonio kast, antónio guterres, sul global, américa latina, chile, onu, casa branca, exclusiva, nações unidas, rafael grossi
América Latina no comando da ONU: o que pode realmente mudar?
17:50 13.01.2026 (atualizado: 19:47 13.01.2026) Especiais
Cotados para assumir o cargo, líderes da América Latina podem dar destaque questões caras para a região.
As mais importantes crises da década de 2020 mostraram a fragilidade das Nações Unidas em impedir e intervir conflitos no mundo, como o conflito na Faixa de Gaza, no Congo, Sudão, o bombardeio no Irã e mais recentemente, a intervenção norte-americana na Venezuela e o subsequente sequestro do presidente Nicolás Maduro.
Apesar de se opor firmemente a guerras e promover paz e diálogo, a instituição não conseguiu trazer resultados concretos ou qualquer resolução. Devido a isso, a ONU passa por uma crise de legitimidade, sendo criticada como ineficiente por líderes como o presidente norte-americano, Donald Trump.
Com a saída do português António Guterres, atual secretário-geral das Nações Unidas, seu sucessor deve vir da América Latina, segundo a tradição de alternância regional da organização. Dentre os nomes mais cotados para ocupar o cargo estão:
Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile por duas vezes e ex-alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos;
Rafael Grossi, diplomata argentino e atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA);
Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e ex-secretária-geral da da Secretaria-Geral Ibero-Americana;
Mia Mottley, atual primeira-ministra de Barbados;
Alicia Bárcena, ex-secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, da ONU, e atual Secretária do Meio Ambiente do México;
Além deles, Amina J.Mohammed e Kristalina Georgieva, da Nigéria e Bulgária, respectivamente, correm por fora, mas a tradição de rotação regional favorece nomes da América Latina. Desta forma, a chegada de um secretário-geral latino-amerinco, a ONU seria mais ativa em questões sobre a região?
O processo começa no Conselho de Segurança que recomenda um único nome à Assembleia Geral. Dos 15 membros, o nome indicado precisa de pelo menos 9 votos favoráveis, sendo que nenhum dos 5 membros permanentes (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) pode usar o veto, tem que ser unânime.
Nesse sentido, o nome precisa ser o "menos inaceitável" para as grandes potências, diz Kimberly Digolin, pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (UNESP) e do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Nacional (GEDES), à Sputnik Brasil.
Ela lembra que a figura do secretário-geral não tem poder para encerrar guerras, nem mesmo reformular o Conselho de Segurança. Mas pode priorizar temas para que se mantenham na atenção global.
"Assim como Guterres foi fundamental para fomentar os debates internacionais sobre mudanças climáticas e participação da sociedade civil, o próximo nome pode fazer o mesmo com governança digital, crises migratórias, desigualdade financeira, questões de gênero, combate à xenofobia, entre outros."
Para a pesquisadora, ter um
um latino-americano no cargo pode
trazer questões da América Latina, e até do Sul Global, para o centro da tomada de decisões em Nova York. A mudança de foco não se caracterizaria como um favorecimento direto, explica, mas sim uma mudança de perspectiva dentro dos membros da organização.
Nesse ponto, o desafio do próximo secretário-geral será promover o multilateralismo sem que as grandes potências interpretem isso como um confronto, e que torne a organização um mediador para os interesses do Sul Global.
"Se o novo ocupante do cargo conseguir focar em reformas da arquitetura financeira e em soluções para o desenvolvimento sustentável — pautas centrais para o Sul — estará atualizando a ONU sem necessariamente comprar uma briga direta com Washington."
"O segredo será transformar a pauta do Sul Global em uma agenda de estabilidade para o sistema mundial."

23 de setembro 2025, 14:45
Para Robson Cardoch Valdez, doutor em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professor de Relações Internacionais do IDP-Brasília, a eventual renovação no comando das Nações Unidas seria uma oportunidade de "novos ares" para a instituição, especialmente após críticas de falta de relevância na ordem internacional.
"O problema central da ONU, contudo, não está apenas na figura do secretário-geral, mas também nas
limitações estruturais impostas pelo Conselho de Segurança e pelos demais Estados-membros", explica.
Ainda assim, diz, um liderança com maior capacidade política legitimidade internacional e habilidade de articulação pode reposicionar a ONU como espaço central de coordenação, mediação e produção de consensos mínimos.
Para Valdez, a escolha para o cargo ganhou um peso estratégico no cenário geopolítico, em meio a disputas entre Estados Unidos e China e
nova abordagem diplomática da Casa Branca com outros países. "Um perfil comprometido com o multilateralismo, especialmente sob a perspectiva do Sul Global, poderia atuar como contrapeso institucional à fragmentação da ordem internacional."
"Embora não tenha poder coercitivo, o secretário-geral ainda exerce influência normativa, promove debates e constrói pontes, ou seja, algo cada vez mais necessário em um mundo pressionado por rivalidades geopolíticas e pela erosão do direito."
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