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Sem tempo para cultura: como brasileiros podem usufruir de sua riqueza cultural?
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Em entrevista ao podcast Jabuticaba sem Caroço, da Sputnik Brasil, especialistas comentam os desafios estruturais para o consumo cultural do país e quais... 14.01.2026, Sputnik Brasil
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A cultura brasileira é imensa, trazendo influências africanas, europeias, indígenas e de outros povos que vieram e construíram suas vidas no Brasil. O Carnaval, maior expressão cultural do país, traz referências do cristianismo católico, com variações dependendo de que região ocorre. O cinema brasileiro, hoje prestigiado internacionalmente, conta histórias reais do nosso país, e também do nosso folclore.Mesmo com essa riqueza cultural, o acesso continua enfrentando barreiras estruturais. Segundo dados da Pesquisa Nacional sobre Cultura no Brasil, a falta de tempo é o principal motivo para os brasileiros, citada por 33% dos entrevistados. Em seguida, estão o desinteresse (29%) e a falta de dinheiro para o consumo (24%).O estudo, encomendado pelo Ministério da Cultura e feito pelo Instituto Nexus, ouviu 2.016 pessoas e utilizou o mesmo método das pesquisas eleitorais, para que a amostra represente toda a população brasileira. Em um momento que a cultura brasileira está em destaque, com ênfase nesta Era de Ouro do cinema brasileiro, como os brasileiros podem usufruir de sua própria cultura?Segundo Márcio Tavares, secretário-executivo do Ministério da Cultura, o ministério tem trabalhado em conjunto com outras pastas para incluir programas culturais a fim de cultivar hábitos de consumo cultural no país, citando a cooperação técnica com o Ministério da Educação na inclusão de artes e literatura e a presença de artistas nas escolas públicas.Tavares cita o programa Territórios da Cultura, que visa o investimento e construção de centros educacionais unificados (CEUs) da Cultura em regiões de alta vulnerabilidade social e sem equipamentos culturais. "Um outro elemento e um outro investimento importante que nós estamos fazendo tem a ver com a Política Nacional de Cultura Viva", explica Tavares ao Jabuticaba Sem Caroço, podcast da Sputnik Brasil."Nós passamos de 4 mil pontos de cultura para mais de 10 mil pontos de cultura e esses pontos de cultura estão espalhados em todas as regiões brasileiras, em todas as cidades, oferecendo também iniciativas culturais próximo das casas das pessoas, garantindo também a melhoria da oferta cultural." O secretário-executivo também cita a aplicação da Política Nacional Aldir Blanc, que tem garantido investimento cultural desde a época da pandemia da COVID-19 – seja na produção de festivais, iniciativas de museus ou produções literárias – e a reformulação de estrutura de financiamento da Lei Rouanet para projetos especiais como outros esforços para incentivo ao consumo cultural.Voltando aos dados do estudo, o uso do celular para o consumo cultural — com destaque para o streaming — lidera com ampla vantagem, sendo acessado por 62% da população. A pesquisa também aponta que 24% dos entrevistados foram a shows ou festivais, enquanto 23% frequentaram cinemas e apenas 7% teatros. Para Tavares, esse cenário se explica pela extensa jornada de trabalho dos brasileiros, pelos altos custos de acesso a equipamentos culturais e pela conveniência tecnológica de consumir conteúdos diretamente pelo celular.O secretário-geral diz que ambientes como salas de cinema e teatro são importantes para momentos de confraternização, ajudando no bem-estar mental e físico. Ele também vê que, além da implementação de políticas públicas para a criação desses espaços, é necessário tratar de desafios regulatórios quanto ao streaming, ao uso de inteligências artificiais generativas e nas plataformas digitais, argumentando que é preciso para preservar a produção nacional e diversidade de histórias brasileiras sem prejudicar o ecossistema digital.Além dele, Victor Maia, ator, cantor, coreógrafo e diretor teatral, também participa da discussão do programa. Maia também vê a segurança do streaming em acessar em casa como um dos fatores que dificulta a ida para o cinema ou teatro. "A gente tem que falar sobre segurança também. Está tudo muito perigoso e as pessoas têm medo de sair na rua", diz Maia. "Então, essa acomodação de dentro da sua própria casa faz com que as pessoas não queiram sair, o que torna muito difícil para a gente prender atenção do público."O diretor teatral ressalta como tem sido um desafio manter a atenção das pessoas durante suas produções em meio à era digital, falando que espetáculos estão cada vez menores do que antigamente para acomodar a ansiedade e falta de paciência do público. Para contornar isso, Maia explica que novas produções têm misturado linguagens de cinema e teatro a fim de dialogar com diferentes meios que o público consome.Fora dos palcos, produções de espetáculos têm focado no uso de mídias sociais, postagens de bastidores, avisos e vídeos com o elenco. Segundo Maia, essas iniciativas ajudam o teatro a interagir com o público dentro e fora das salas, promovendo um diálogo mais coletivo e dando um feedback sobre o que o público se interessa. "Eu acho que, de certa forma, estamos todos muito atentos para isso, para o comportamento, para a transformação social, para todas as questões atuais que levantam sobre diversidade, enfim, sexualidade, etc. Isso é uma maneira também de você se conectar um pouco."
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Sem tempo para cultura: como brasileiros podem usufruir de sua riqueza cultural?
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Em entrevista ao podcast Jabuticaba sem Caroço, da Sputnik Brasil, especialistas comentam os desafios estruturais para o consumo cultural do país e quais soluções estão sendo desenvolvidas para disponibilizar o acesso a cultura brasileira.
A cultura brasileira é imensa, trazendo influências africanas, europeias, indígenas e de outros povos que vieram e construíram suas vidas no Brasil. O Carnaval, maior expressão cultural do país, traz referências do cristianismo católico, com variações dependendo de que região ocorre.
O cinema brasileiro, hoje prestigiado internacionalmente, conta histórias reais do nosso país, e também do nosso folclore.
Mesmo com essa riqueza cultural, o acesso continua enfrentando barreiras estruturais. Segundo dados da Pesquisa Nacional sobre Cultura no Brasil, a falta de tempo é o principal motivo para os brasileiros, citada por 33% dos entrevistados. Em seguida, estão o desinteresse (29%) e a falta de dinheiro para o consumo (24%).
O estudo, encomendado pelo Ministério da Cultura e feito pelo Instituto Nexus, ouviu 2.016 pessoas e utilizou o mesmo método das pesquisas eleitorais, para que a amostra represente toda a população brasileira. Em um momento que a cultura brasileira está em destaque, com ênfase nesta Era de Ouro do cinema brasileiro, como os brasileiros podem usufruir de sua própria cultura?
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Márcio Tavares, secretário-executivo do Ministério da Cultura, o ministério tem trabalhado em conjunto com outras pastas para incluir programas culturais a fim de cultivar hábitos de consumo cultural no país, citando a cooperação técnica com o
Ministério da Educação na inclusão de artes e literatura e a presença de artistas nas escolas públicas.
Tavares cita o programa Territórios da Cultura, que visa o investimento e construção de centros educacionais unificados (CEUs) da Cultura em regiões de alta vulnerabilidade social e sem equipamentos culturais. "Um outro elemento e um outro investimento importante que nós estamos fazendo tem a ver com a Política Nacional de Cultura Viva", explica Tavares ao Jabuticaba Sem Caroço, podcast da Sputnik Brasil.
"Nós passamos de 4 mil pontos de cultura para mais de 10 mil pontos de cultura e esses pontos de cultura estão espalhados em todas as regiões brasileiras, em todas as cidades, oferecendo também iniciativas culturais próximo das casas das pessoas, garantindo também a melhoria da oferta cultural."
O secretário-executivo também cita a aplicação da Política Nacional Aldir Blanc, que tem garantido investimento cultural desde a época da pandemia da COVID-19 – seja na produção de festivais, iniciativas de museus ou produções literárias – e a reformulação de estrutura de financiamento da Lei Rouanet para projetos especiais como outros esforços para incentivo ao consumo cultural.
Voltando aos dados do estudo,
o uso do celular para o consumo cultural — com destaque para o streaming — lidera com ampla vantagem, sendo acessado por 62% da população. A pesquisa também aponta que 24% dos entrevistados foram a shows ou festivais, enquanto 23% frequentaram cinemas e apenas 7% teatros. Para Tavares, esse cenário se explica pela extensa jornada de trabalho dos brasileiros, pelos altos custos de acesso a equipamentos culturais e pela conveniência tecnológica de consumir conteúdos diretamente pelo celular.
O secretário-geral diz que ambientes como salas de cinema e teatro são importantes para momentos de confraternização, ajudando no bem-estar mental e físico. Ele também vê que, além da implementação de políticas públicas para a criação desses espaços, é necessário tratar de desafios regulatórios quanto ao streaming, ao uso de inteligências artificiais generativas e nas plataformas digitais, argumentando que é preciso para preservar a produção nacional e diversidade de histórias brasileiras sem prejudicar o ecossistema digital.
"Nós só queremos garantir uma janela, por exemplo, antes dos filmes entrarem no streaming, que passem pelo cinema, por essa experiência que é tão importante, porque além de organizar a indústria do setor audiovisual, é um equipamento cultural muito importante, agregador da comunidade, que tem valor em ser protegido, estimulado pelas políticas públicas."
Além dele, Victor Maia, ator, cantor, coreógrafo e diretor teatral, também participa da discussão do programa. Maia também vê a segurança do streaming em acessar em casa como um dos fatores que dificulta a ida para o cinema ou teatro.
"A gente tem que falar sobre segurança também. Está tudo muito perigoso e as pessoas têm medo de sair na rua", diz Maia. "Então, essa acomodação de dentro da sua própria casa faz com que as pessoas não queiram sair, o que torna muito difícil para a gente prender atenção do público."
O diretor teatral ressalta como tem sido um desafio manter a atenção das pessoas durante suas produções em meio à era digital, falando que espetáculos estão cada vez menores do que antigamente para acomodar a ansiedade e falta de paciência do público. Para contornar isso, Maia explica que novas produções têm misturado linguagens de cinema e teatro a fim de dialogar com diferentes meios que o público consome.
"Acho que isso é muito rico também, a gente ir criando novas maneiras de, enfim, dialogar com todos os setores, a música, a orquestra, o cinema, tudo junto, isso é muito interessante."
Fora dos palcos, produções de espetáculos têm focado no uso de mídias sociais, postagens de bastidores, avisos e vídeos com o elenco. Segundo Maia, essas iniciativas ajudam o teatro a interagir com o público dentro e fora das salas, promovendo um diálogo mais coletivo e dando um feedback sobre o que o público se interessa.
"Eu acho que, de certa forma, estamos todos muito atentos para isso, para o comportamento, para a transformação social, para todas as questões atuais que levantam sobre diversidade, enfim, sexualidade, etc. Isso é uma maneira também de você se conectar um pouco."
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