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Tomar posição é inevitável: Brasil vê na Rússia um eixo contra a pressão dos EUA na região?
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Em uma longa ligação telefônica na última quarta-feira (15), os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Rússia, Vladimir Putin, discutiram a... 15.01.2026, Sputnik Brasil
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A conversa ocorreu por iniciativa da chancelaria brasileira e, conforme comunicado divulgado por ambos os governos, teve como foco a atual situação na Venezuela. Na ocasião, Lula e Putin destacaram "as abordagens fundamentais compartilhadas pela Rússia e pelo Brasil para garantir a soberania estatal e os interesses nacionais da República Bolivariana", segundo o Kremlin.Nesse contexto, os dois líderes também concordaram em coordenar esforços internacionais para reduzir as tensões no país sul-americano por meio da Organização das Nações Unidas (ONU) e do BRICS, fóruns que Moscou e Brasília veem como centrais para a defesa do multilateralismo. Já nesta quinta-feira (15), durante discurso, Putin voltou a mencionar a aproximação com o Brasil, que classificou como parceiro estratégico na construção de um sistema internacional cada vez mais multipolar e "verdadeiramente equitativo".Membro da diretoria do Fórum para Tecnologia Estratégica do BRICS e doutoranda em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB), Isabela Rocha afirma à Sputnik Brasil que o diálogo direto entre Brasília e Moscou ocorre em um momento em que o Brasil é pressionado a rever sua postura na política externa.Segundo a especialista, a leitura de que o país poderia se manter distante das disputas geopolíticas globais perdeu sustentação diante da escalada de tensões na América do Sul. "Se a gente ficar toda hora hesitando porque está com medo da forma como os Estados Unidos vão reagir, eles vão continuar fazendo o que bem quiserem", destaca.Na avaliação da pesquisadora, a crise na Venezuela escancarou os limites dessa estratégia de neutralidade, uma vez que a atuação dos Estados Unidos no país vizinho extrapola a retórica diplomática e assume contornos mais amplos. Para Rocha, trata-se de uma estratégia de Washington que pode ser classificada como "guerra híbrida", que envolve não apenas ações militares, mas também ataques comerciais coordenados, como sanções e tarifas.A pesquisadora ressalta ainda que esse tipo de ação produz impactos que vão além das fronteiras venezuelanas. Nesse sentido, aponta que "quando se olha para a forma como as instituições internacionais, como a própria ONU, estão sendo descredibilizadas e deixaram de ser um mecanismo de mediação há anos", percebe-se que esse movimento é instrumentalizado por Washington a seu favor. Aliado a isso, a especialista avalia que o presidente Nicolás Maduro, que segue preso em Nova York e será julgado nos EUA, ocupa uma posição central na crise e cumpre também uma função estratégica. "O Maduro vivo é uma ferramenta dos Estados Unidos para dar continuidade à operação que se iniciou de maneira cinética, no caso, com a invasão, o bombardeio e o sequestro", afirma.Rússia como contrapeso na América do SulDiante desse cenário, a aproximação com a Rússia surge, segundo Rocha, como um movimento de cálculo estratégico por parte do Brasil, já que Moscou compartilha de uma mesma visão sobre os desafios globais. "A crise na Ucrânia não está para se resolver tão cedo, muito menos a da Venezuela", opina, ao avaliar que esse quadro tende a fortalecer articulações fora do eixo tradicional liderado pelos Estados Unidos.Rocha acrescenta que o fortalecimento de instituições regionais e multilaterais aparece como alternativa para ampliar a margem de manobra do Brasil. Segundo ela, o que se pode esperar é que "Lula consiga fortalecer as instituições brasileiras, também as instituições do Mercosul, com o apoio da Rússia e da China".A pesquisadora também critica o que classifica como excesso de cautela da diplomacia brasileira nos últimos anos. Para ela, "grande parte disso foi por estarem com medo da retaliação norte-americana", o que acabou limitando ações mais assertivas por parte do Brasil e do próprio Mercosul.Na avaliação final, Rocha alerta que a pressão externa tende a se intensificar, independentemente da postura adotada por Brasília. "Os Estados Unidos vão retaliar e vão agir de maneira agressiva", diz. Por isso, conclui que "talvez já tenha passado da hora" de o Brasil assumir de forma mais clara seu papel como potência regional e atuar para se resguardar diante da ofensiva de Washington.
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Tomar posição é inevitável: Brasil vê na Rússia um eixo contra a pressão dos EUA na região?
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Em uma longa ligação telefônica na última quarta-feira (15), os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Rússia, Vladimir Putin, discutiram a importância de reforçar a coordenação entre os dois países como resposta às tensões provocadas pelos Estados Unidos na América do Sul.
A conversa ocorreu por
iniciativa da chancelaria brasileira e, conforme comunicado divulgado por ambos os governos, teve como
foco a atual situação na Venezuela. Na ocasião, Lula e Putin destacaram "as abordagens fundamentais compartilhadas pela Rússia e pelo Brasil para garantir a soberania estatal e os interesses nacionais da República Bolivariana", segundo o Kremlin.
Nesse contexto, os dois líderes também concordaram em coordenar esforços internacionais para reduzir as tensões no país sul-americano por meio da
Organização das Nações Unidas (ONU) e do BRICS, fóruns que Moscou e Brasília veem como centrais
para a defesa do multilateralismo. Já nesta quinta-feira (15), durante discurso, Putin voltou a mencionar a aproximação com o Brasil, que classificou como parceiro estratégico na construção de um sistema internacional cada vez mais multipolar e "verdadeiramente equitativo".
Membro da diretoria do Fórum para Tecnologia Estratégica do BRICS e doutoranda em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB), Isabela Rocha afirma à Sputnik Brasil que o diálogo direto entre Brasília e Moscou ocorre em um momento em que o Brasil é pressionado a rever sua postura na política externa.
Segundo a especialista, a leitura de que o país poderia se manter distante das disputas geopolíticas globais perdeu sustentação diante da
escalada de tensões na América do Sul. "Se a gente ficar toda hora hesitando porque está com
medo da forma como os Estados Unidos vão reagir, eles vão continuar fazendo o que bem quiserem", destaca.
Na avaliação da pesquisadora, a crise na Venezuela escancarou os limites dessa estratégia de neutralidade, uma vez que a atuação dos Estados Unidos no país vizinho extrapola a retórica diplomática e assume contornos mais amplos. Para Rocha, trata-se de uma estratégia de Washington que pode ser classificada como "guerra híbrida", que envolve não apenas ações militares, mas também ataques comerciais coordenados, como sanções e tarifas.
A pesquisadora ressalta ainda que esse tipo de ação produz impactos que vão além das fronteiras venezuelanas. Nesse sentido, aponta que "quando se olha para a forma como as instituições internacionais, como a própria ONU, estão sendo descredibilizadas e deixaram de ser um mecanismo de mediação há anos", percebe-se que esse movimento é instrumentalizado por Washington a seu favor.
Aliado a isso, a especialista avalia que o
presidente Nicolás Maduro, que segue preso em Nova York e será julgado nos EUA, ocupa uma posição central na crise e cumpre também uma função estratégica. "O Maduro vivo é uma ferramenta dos Estados Unidos para dar continuidade à operação que se iniciou de maneira cinética, no caso, com a
invasão, o bombardeio e o sequestro", afirma.

19 de novembro 2025, 12:15
Rússia como contrapeso na América do Sul
Diante desse cenário, a aproximação com a Rússia surge, segundo Rocha, como um movimento de cálculo estratégico por parte do Brasil, já que Moscou compartilha de uma mesma visão sobre os desafios globais. "A crise na Ucrânia não está para se resolver tão cedo, muito menos a da Venezuela", opina, ao avaliar que esse quadro tende a fortalecer articulações fora do eixo tradicional liderado pelos Estados Unidos.
Rocha acrescenta que o fortalecimento de instituições regionais e multilaterais aparece como alternativa para ampliar a margem de manobra do Brasil. Segundo ela, o que se pode esperar é que "Lula consiga fortalecer as instituições brasileiras, também as instituições do Mercosul, com o apoio da Rússia e da China".
A pesquisadora também critica o que classifica como
excesso de cautela da diplomacia brasileira nos últimos anos. Para ela, "grande parte disso foi por estarem com medo da retaliação norte-americana", o que acabou limitando ações mais assertivas por parte do Brasil e do próprio Mercosul.
Na avaliação final, Rocha alerta que a pressão externa tende a se intensificar, independentemente da postura adotada por Brasília. "Os Estados Unidos vão retaliar e vão agir de maneira agressiva", diz. Por isso, conclui que "talvez já tenha passado da hora" de o Brasil assumir de forma mais clara seu papel como potência regional e atuar para se resguardar diante da ofensiva de Washington.
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