Mídia: Conselho da Paz de Trump exige aporte bilionário e amplia temor de órgão paralelo à ONU

© AP Photo / Jacquelyn Martin
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Trump propôs criar um novo Conselho da Paz, exigindo aportes bilionários e reservando para si o poder de escolher membros e vetar decisões, movimento que acende alertas internacionais sobre a criação de uma estrutura paralela à ONU e sobre seu plano de administrar a Faixa de Gaza.
O governo dos Estados Unidos está propondo a criação de um novo Conselho da Paz, idealizado pelo presidente Donald Trump, que convidou líderes internacionais para integrar o órgão — incluindo um braço específico para administrar a Faixa de Gaza. Segundo um esboço do estatuto obtido pela Bloomberg, países que desejarem um assento permanente deverão contribuir com pelo menos US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,3 bilhões), e Trump seria o presidente inaugural, com poder para decidir quem entra e para aprovar todas as decisões tomadas por maioria simples.
O documento estabelece que cada Estado-membro teria mandato de até três anos, renovável a critério do presidente. A regra, porém, não se aplicaria aos países que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão no primeiro ano, o que, na prática, lhes garantiria permanência prolongada. Críticos veem na iniciativa uma tentativa de criar uma organização paralela ou rival à ONU, alvo frequente de críticas de Trump.
O estatuto descreve o conselho como uma organização internacional voltada a promover estabilidade, restaurar governança legal e assegurar paz duradoura em regiões afetadas por conflitos. A estrutura entraria em vigor assim que três países aceitassem o estatuto. O presidente norte-americano também teria autoridade para aprovar o selo oficial do grupo, enquanto a Casa Branca, procurada, não comentou o plano.
Trump já convidou líderes como o presidente Lula, Javier Milei, da Argentina e Mark Carney, do Canadá, para integrar um Conselho da Paz dedicado a Gaza, subordinado ao órgão maior. A proposta provocou reação imediata do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que afirmou que seu governo não foi consultado sobre os detalhes.
Fontes diplomáticas afirmam que várias nações europeias foram convidadas, mas demonstram resistência, sobretudo porque o esboço sugere que Trump teria controle direto sobre os recursos financeiros — algo considerado inaceitável por muitos potenciais membros. Segundo essas fontes, diversos países já articulam uma resposta conjunta para barrar ou modificar o estatuto.
O texto prevê que o Conselho da Paz se reúna ao menos uma vez por ano para votações, em datas e locais definidos pelo presidente, e que encontros trimestrais do conselho executivo ocorram sem necessidade de votação. Trump também teria poder para remover membros, salvo veto de dois terços dos Estados-membros, e deveria sempre indicar um sucessor para a presidência. A Casa Branca anunciou ainda um painel executivo inicial, com nomes como Marco Rubio, Steve Witkoff, Jared Kushner e Tony Blair, antes mesmo da formação do conselho geral.


