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Especialistas alertam: dívida dos EUA segue rumo 'cada vez mais insustentável'

© Sputnik / Aleksei SuhorukovNotas de 1 dólar americano
Notas de 1 dólar americano - Sputnik Brasil, 1920, 22.01.2026
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A dívida dos EUA avança em ritmo considerado insustentável por economistas chineses e norte-americanos, que alertam para a falta de disciplina fiscal em Washington e para o risco de impactos globais, enquanto o mercado e o sistema político seguem pouco preocupados com o crescente desequilíbrio.
A crescente preocupação com o aumento acelerado da dívida dos Estados Unidos levou um conselheiro econômico de Pequim a alertar que a disciplina fiscal norte‑americana pode não estar nos planos de Washington, de acordo com o South China Morning Post. O alerta reflete temores de que a trajetória atual possa gerar impactos globais.
Huang Yiping, conselheiro do Banco Popular da China, afirmou à mídia asiática que a dívida dos EUA como proporção do produto interno bruto (PIB) tem crescido continuamente e tende a seguir nesse ritmo, algo que considera insustentável. Ele destacou que o ambiente institucional norte-americano e o estilo de formulação de políticas do governo indicam pouca probabilidade de ajustes fiscais no curto prazo.
As declarações foram feitas em um fórum acadêmico ao lado do economista de Harvard Jason Furman, que concordou com a avaliação pessimista. Furman classificou o déficit dos EUA como "muito grande" e disse que a trajetória da dívida está cada vez mais insustentável, exigindo correções significativas.
A imagem de George Washington é vista em uma nota de um dólar americano, em Marple Township, Pensilvânia, 13 de março de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 20.11.2025
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Segundo Furman, caso os EUA reduzam o déficit, parte do ajuste aparecerá na balança de pagamentos; caso contrário, será necessário aumentar a poupança interna ou reduzir o consumo de importações, o que implicaria desaceleração econômica. A dívida federal norte-americana já alcançou US$ 38,4 trilhões (cerca de R$ 208 trilhões) no fim de 2025, um salto de mais de US$ 2 trilhões (mais de R$ 10,6 trilhões) em um ano.
Apesar da gravidade dos números, Furman observou que eleitores, legisladores e até o mercado financeiro demonstram pouca preocupação com o déficit, o que, para ele, reforça a urgência do problema. A instabilidade recente foi agravada por tensões políticas, incluindo ataques do governo Trump à Reserva Federal (Fed) e ameaças tarifárias contra aliados europeus.
Essas tensões contribuíram para movimentos de venda de ativos norte-americanos por investidores europeus, pressionando títulos do Tesouro, ações e o dólar. Paralelamente, a China — um dos maiores detentores de dívida dos EUA — reduziu suas participações ao menor nível desde 2008, mantendo uma tendência de queda iniciada no primeiro mandato de Trump.
Furman lembrou que os EUA são hoje um grande país devedor, enquanto a China se consolida como um credor cada vez mais relevante.
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