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Fórum CAF: integração econômica latinoamericana pode frear chantagens econômicas?

© Foto / Reprodução / Redes sociaisSergio Díaz-Granados, presidente-executivo do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF)
Sergio Díaz-Granados, presidente-executivo do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) - Sputnik Brasil, 1920, 27.01.2026
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Lula embarca nesta terça-feira para o Panamá para participar de evento do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) em meio à pressão dos EUA por alinhamento da região com Washington.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou nesta terça-feira (27) para a Cidade do Panamá, onde ocorrerá o Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe.
Desde antes da aplicação de tarifas pela Casa Branca, o governo brasileiro vem procurando ampliar a abertura de novos mercados e fortalecer a integração regional. Com os avanços norte-americanos sob a América Latina, em uma nova Doutrina Monroe, a busca se tornou ainda mais urgente.
Neste ponto, aparece o Panamá, que oficializou em 2024 sua entrada como Estado associado do Mercosul, bloco comercial composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A iniciativa não só fez crescer o comércio entre Brasil e Panamá em 78% no ano passado, alcançando US$ 1,6 bilhão, como também consolidou a expansão do grupo para a América Central.
Em entrevista à Sputnik Brasil, Rodrigo Lyra, professor adjunto de relações internacionais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), avalia que a integração entre as Américas do Sul e Central é complexa pois as regiões "vivem inserções internacionais bastante distintas".
A América Central sofre influência, econômica e política, direta e constante dos Estados Unidos, explica Lyra, o que limita o espaço de manobra dos países da região para aderirem a projetos que tenham qualquer grau de autonomia estratégica.

"Esse fator estrutural aparece de forma indireta, mas constante, nas dificuldades da CELAC [Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos] em avançar além de declarações genéricas."

A última declaração foi adotada por "consenso suficiente", e não por unanimidade, lembrou ele. "Argentina, Paraguai e Nicarágua se recusaram a assinar o texto final, o que, na prática, fragilizou politicamente toda a declaração".
Ele destaca que a declaração final criticava sanções econômicas unilaterais e a guerra comercial, em uma referência às políticas de Washington, e para os países mais alinhados, esse tipo de posicionamento extrapola os limites que estariam dispostos a endossar no plano regional.

"Além disso, há entraves econômicos muito claros. A América Latina continua sendo uma região pouco integrada comercialmente. As economias competem mais do que se complementam, as cadeias produtivas regionais são frágeis e há baixa integração em infraestrutura, logística e energia".

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Em análise semelhante a de Lyra, o professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) Félix Pablo Friggeri aponta que a dificuldade de integração da região passa por três grandes obstáculos.
O primeiro é a falta de infraestrutura. Tradicionalmente a a região latino-americana e caribenha, foi pensada, desenhada, construída e orientada para a exportação primária, visando os países hegemônicos, primeiro Inglaterra e Europa, depois os Estados Unidos.
O segundo é a falta de interesse político, motivação chave para que a orientação do comércio exterior dos países dê importância ao comércio intrarregional.

"O comércio regional cresceu na medida que cresceram os processos de integração. Quando isso foi secundarizado, sobretudo pelos que poderíamos chamar de governos de direita, o comércio regional foi ralentando".

O terceiro é a carência de uma estrutura institucional que sustente todo esse processo. Segundo o especialista, exemplos como a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba), a CELAC e o próprio Mercosul passaram por tentativas de diminuição, mas sobreviveram. Já a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), foi "destruída".
Entretanto, os entrevistados salientam que as ações protecionistas e ameaçadoras do governo estadunidense na região, como a invasão à Venezuela, o sequestro de Nicolás Maduro, presidente e sua esposa Cília Flores, e a tomada do setor de petróleo venezuelano pode impulsionar alternativas de intercâmbio comercial regional.
O pragmatismo pode, em certos momentos, superar a ideologia, dizem ambos os especialistas, especialmente se a conjuntura favorecer um alinhamento regional.

"Neste momento, alinhar-se com os EUA de forma mecânica traz muitas dificuldades, porque os EUA produzem medidas contraditórias para os mesmos países que estão alinhados subservientemente", diz Friggeri.

Um exemplo é o acordo Mercosul-UE, que uniu governos de espectros diferentes em torno do objetivo comum de ampliar mercados, atrair investimentos e criar incentivos à modernização produtiva. Segundo Lyra, o acordo cria mecanismos formais de defesa comercial, salvaguardas e reequilíbrio de concessões.
"Ele oferece instrumentos concretos para reagir a medidas unilaterais que prejudiquem os ganhos negociados. Quanto maior o grau de institucionalização do bloco, maior a sua capacidade de reduzir vulnerabilidades externas", explica Lyra.
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