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Fragmentados, América Latina e Caribe precisam de agenda técnica para seguirem juntos, dizem analistas
Fragmentados, América Latina e Caribe precisam de agenda técnica para seguirem juntos, dizem analistas
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Durante Fórum Econômico no Panamá, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, convidou países da região a buscar autonomia de projetos, enquanto... 28.01.2026, Sputnik Brasil
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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participou nesta quarta-feira (28) da abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, realizado no Panamá. Em discurso, o petista destacou a necessidade de união dos países da região.Durante fala, Lula criticou a fragilidade de fóruns multilaterais, como a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que segundo o presidente "sucumbiu ao peso da intolerância que impediu a convivência de visões diferentes".Sem citar os Estados Unidos, Lula também criticou as "investidas neocoloniais por recursos estratégicos", o que classificou como um retrocesso histórico. Outro ponto alvo do líder brasileiro foram as "intervenções militares ilegais" na região, que não tiveram resposta adequada, na visão dele, pelo esvaziamento de organizações como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas afirmam que apenas uma agenda técnica pode driblar as individualidades que distanciam os governos latino-americanos e caribenhos e, consequentemente, fragmentam uma eventual unidade.Emmanuel Nunes, professor de relações internacionais e ciências políticas do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-SP), explica que a questão da integração da América Latina perpassa toda a história do continente. No entanto, a atual conjuntura de radicalização dos países da região dificulta ainda mais esse processo.Roberto Goutlart Menezes, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (Irel/UnB) e coordenador do núcleo de estudos latino-americanos da instituição, reforçou a ideia de que a América Latina e o Caribe estão fragmentados, em especial a América do Sul, onde os governos da Argentina e do Paraguai apoiam abertamente a política externa norte-americana.Como se posicionar diante dos Estados Unidos?Ainda durante o discurso de abertura no Panamá, Lula citou o poderio militar dos Estados Unidos como uma "referência inescapável" para as nações latino-americanas e caribenhas.Nunes acredita que a posição de Lula diante de Washington é "bastante razoável" e afirma que o pragmatismo, nesse sentido, é a saída mais adequada para lidar com a Casa Branca. Todavia, o especialista aponta que isso não implica em uma subserviência aos EUA.O cientista político explica que essa corda bamba em que Argentina, Brasil, México e tantos outros países das Américas passam diante dos EUA é uma questão normal ao estar geograficamente perto de uma superpotência. No entanto, Nunes destaca que essa "não é uma questão trivial".Goulart Menezes reforça a dificuldade de fazer frente a uma nova Doutrina Monroe com uma região rachada, algo que pode ser aproveitado pelos EUA para infringir a soberania local, como no sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.Para o professor da UnB, muitos países da América Latina e do Caribe não têm capacidade de enfrentar politicamente os Estados Unidos, restando a alguns um "movimento pendular" para extrair vantagens da relação com Washington, mas também com Pequim.Ainda assim, Nunes vê com bons olhos as investidas do Itamaraty de dar importância a fóruns multilaterais e ao multipolarismo, como um todo.Goulart Menezes enfatiza que o discurso de Lula é um convite e um pedido aos líderes de toda região para encontrarem uma agenda em comum que não seja alvo de interferências.
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Fragmentados, América Latina e Caribe precisam de agenda técnica para seguirem juntos, dizem analistas
17:24 28.01.2026 (atualizado: 17:55 28.01.2026) Especiais
Durante Fórum Econômico no Panamá, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, convidou países da região a buscar autonomia de projetos, enquanto criticou "investidas neocoloniais" e "intervenções militares ilegais".
O presidente do Brasil,
Luiz Inácio Lula da Silva, participou nesta quarta-feira (28) da abertura do
Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, realizado no Panamá. Em discurso, o petista destacou a
necessidade de união dos países da região.
Durante fala, Lula criticou a fragilidade de fóruns multilaterais, como a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que segundo o presidente "sucumbiu ao peso da intolerância que impediu a convivência de visões diferentes".
"Voltamos a ser uma região dividida, mais voltada para fora do que para si própria. Permitimos que conflitos e disputas ideológicas alheios se imponham. As ameaças do extremismo político e da manipulação da informação se incorporam ao nosso cotidiano."
Sem citar os Estados Unidos, Lula também criticou as "investidas neocoloniais por recursos estratégicos", o que classificou como um retrocesso histórico. Outro ponto alvo do líder brasileiro foram as "intervenções militares ilegais" na região, que não tiveram resposta adequada, na visão dele, pelo esvaziamento de organizações como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).
"Nossas cúpulas se tornaram rituais vazios, dos quais se ausentam os principais líderes regionais. Como resultado, a única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e Caribe, a CELAC, está paralisada, apesar dos esforços do nosso querido presidente [da Colômbia, Gustavo] Petro. A CELAC não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região."
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas afirmam que apenas uma agenda técnica pode driblar as individualidades que distanciam os governos latino-americanos e caribenhos e, consequentemente, fragmentam uma eventual unidade.
Emmanuel Nunes, professor de relações internacionais e ciências políticas do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-SP), explica que a questão da integração da
América Latina perpassa toda a história do continente. No entanto, a atual conjuntura de radicalização dos países da região dificulta ainda mais esse processo.
"A gente tem um discurso que está tomando os presidentes, tomando as sociedades latino-americanas e está impactando diretamente nas decisões em política externa. Então, acho que uma tentativa de deixar o discurso um pouco mais técnico, principalmente no setor internacional, menos ideologizado, é o primeiro passo nesse sentido [de integração]."
Roberto Goutlart Menezes, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (Irel/UnB) e coordenador do núcleo de estudos latino-americanos da instituição, reforçou a ideia de que a América Latina e o Caribe estão fragmentados, em especial a América do Sul, onde os governos da Argentina e do Paraguai apoiam abertamente a política externa norte-americana.
"O presidente Lula não encontra eco na busca de alavancar o projeto de integração regional. [...] Nós vimos agora mais recentemente a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos e com governos na região apoiando integralmente a violação da soberania de outro país da região."
Como se posicionar diante dos Estados Unidos?
Ainda durante o discurso de abertura no Panamá, Lula citou o poderio militar dos
Estados Unidos como uma
"referência inescapável" para as nações latino-americanas e caribenhas.
"A proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é outra referência inescapável, seja pela sua presença ou pelo seu distanciamento, sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas."
Nunes acredita que a posição de Lula diante de Washington é "bastante razoável" e afirma que o pragmatismo, nesse sentido, é a saída mais adequada para lidar com a Casa Branca. Todavia, o especialista aponta que isso não implica em uma subserviência aos EUA.
"Essa postura pragmática não pode significar subserviência, não defender os interesses da região e dos países de maneira isolada. Mas a gente precisa lidar com essa situação e com essas mudanças de governo nos EUA. Então, os países da América Latina ficam muito sujeitos, em algum momento, ao tipo de governo ou ao tipo de decisões de política externa americana."
O cientista político explica que essa corda bamba em que Argentina, Brasil, México e tantos outros países das Américas passam diante dos EUA é uma questão normal ao estar geograficamente perto de uma superpotência. No entanto, Nunes destaca que essa "não é uma questão trivial".
"Acho que a gente precisa de estratégias mais eficientes para lidar com isso. Uma das estratégias é continuar o diálogo com os EUA, independente do governo, dentro dos critérios de boa diplomacia, de razoabilidade, mas buscar fóruns multilaterais e fortalecer esses fóruns multilaterais em novos mercados, tanto internamente para os países como para a região como um todo."
Goulart Menezes reforça a dificuldade de fazer frente a uma nova
Doutrina Monroe com
uma região rachada, algo que pode ser aproveitado pelos EUA para infringir a soberania local, como no sequestro do presidente da Venezuela,
Nicolás Maduro.
"A busca dos Estados Unidos pelo domínio completo da América Latina e do Caribe chama muito a atenção, mas mais do que isso, deveria provocar uma reação coletiva. Mas o que a gente viu é que essa divisão [...] mostra quão longe nós estamos de minimamente ter um consenso de que os Estados Unidos devem tratar com respeito a soberania de cada um dos países."
Para o professor da UnB, muitos países da América Latina e do Caribe não têm capacidade de enfrentar politicamente os Estados Unidos, restando a alguns um "movimento pendular" para extrair vantagens da relação com Washington, mas também com Pequim.
"Nem todos os países da América Latina, nós temos que reconhecer, têm uma capacidade de exercerem políticas internacionais, externas, com autonomia. Nós vemos países na nossa região que são fortemente dependentes dos Estados Unidos."
Ainda assim, Nunes vê com bons olhos as investidas do Itamaraty de dar importância a fóruns multilaterais e ao multipolarismo, como um todo.
"A tentativa de você consolidar um fórum ou consolidar uma instituição multilateral requer esforço institucional, de discurso, financeiro. Tem um processo grande nessa direção."
Goulart Menezes enfatiza que o discurso de Lula é um convite e um pedido aos líderes de toda região para encontrarem uma agenda em comum que não seja alvo de interferências.
"Quando o presidente Lula clama por uma inserção internacional, ele está chamando para uma governança regional e definir, primeiro, uma autonomia das diferentes políticas externas frente aos Estados Unidos, ter uma agenda comum que interesse a região, sem a intervenção de potências estrangeiras."
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