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Análise: expansão do portfólio da Embraer depende de o Brasil suportar disputa com potências
Análise: expansão do portfólio da Embraer depende de o Brasil suportar disputa com potências
Sputnik Brasil
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas no setor aéreo afirmam que empresa pode ser um abre-alas para a diplomacia brasileira, enquanto governo federal... 04.02.2026, Sputnik Brasil
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A Embraer assinou na última semana um acordo com o grupo indiano Adani para a fabricação de aeronaves, treinamento de pilotos e atuação na cadeia de suprimentos aeronáuticos. A parceria deve resultar, entre outros frutos, na instalação de uma unidade de produção de aeronaves na Índia. A grande questão para a empresa brasileira é que semana passada já é um tempo distante. Nesta terça-feira (3), a Embraer anunciou a venda da aeronave multimissão KC-390 Millennium para o governo do Uzbequistão, enquanto no mesmo dia as Filipinas divulgaram a compra de mais seis aviões de ataque A-29 Super Tucano, dobrando a frota do modelo pertencente à força aérea local.No entanto, o crescimento da Embraer não está só no seguimento militar com o KC-390 e o Super Tucano, mas também na aviação comercial e executiva. Segundo dados da empresa, o faturamento anual, que em 2021 era de cerca de US$ 4,5 bilhões (aproximadamente R$ 23,6 bilhões na cotação atual), saltou para US$ 7,5 bilhões (mais de R$ 39,3 bilhões) em 2025, impulsionado pelo aumento contínuo de vendas de aeronaves ano após ano.Se no ramo da aviação o céu, de fato, é o limite, o governo brasileiro pode dar uma força para que a Embraer voe ainda mais alto. Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas declararam que o Planalto pode se beneficiar da expansão da companhia brasileira, assim como a empresa ganharia com a proximidade com Brasília.Marcos José Barbieri Ferreira, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e especialista em indústria aeroespacial e defesa, explica que a venda de aeronaves sofisticadas leva ao "estreitamento de relação entre o país produtor e o país adquiridor".Para o professor da Unicamp, é importante destacar que não apenas a qualidade das aeronaves é importante no momento da aquisição, mas também o histórico das relações diplomáticas daquele país, fazendo com que Embraer e governo precisem atuar em diferentes esferas para a conclusão de um negócio.Barbieri conta que os produtos e as credenciais da Embraer mostram ao mundo a capacidade da indústria de tecnologia brasileira em desenvolver soluções de primeira qualidade e não mais ser um mero exportador de matéria-prima.Enio Beal Junior, piloto e CEO da Jinkout Business Aviation, destaca que a Embraer ocupa um lugar único no portfólio de empresas brasileiras, o que também justifica a aproximação da companhia de países como Emirados Árabes Unidos e Índia, que fazem parte do BRICS.Beal Junior vai além do aspecto comercial e destaca também a capacidade de soft power que uma empresa como a Embraer traz para o país de origem.Ousar ou consolidar?Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) mostram que Airbus e Boeing detêm 79% das aeronaves que atendem voos comerciais, enquanto a Embraer aparece em terceiro lugar com uma fatia de 7% do mercado. A empresa brasileira se destaca mundialmente no seguimento de aviões de até 120 assentos e atualmente busca aumentar sua representatividade nos céus com os jatos da família E2, que já somam 397 pedidos de companhias aéreas dos cinco principais continentes.Em outubro de 2025, o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou ao Financial Times que acredita que há um espaço de mercado para mais construtoras de aeronaves no segmento de widebodies, liderado pelos 777 da Boeing e A330 da Airbus.Barbieri explica que a Embraer tem "competência técnica e administrativa" em todas as áreas que atua, mas que uma tentativa de expandir o portfólio em direção ao desenvolvimento de aviões widebody depende de uma expansão financeira da empresa e de uma capacidade do governo brasileiro de "suportar uma disputa internacional".Para dar um passo nessa direção e alçar voos mais altos, o professor da Unicamp acredita que a Embraer deva continuar fazendo justamente o que tem feito nos últimos anos: estreitando laços e aumentando o seu número de parceiros.Beal Junior explica que a aviação é um setor com "elevado risco financeiro e industrial" e que a Embraer, por sua vez, já conseguiu construir uma boa reputação acerca das suas aeronaves comerciais de até 150 lugares.O piloto entende que para a empresa brasileira é mais válido ditar o ritmo de um novo mercado, como a mobilidade aérea avançada, no qual a Embraer possui a subsidiária Eve Air Mobility.
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Venda do KC-390 estreita laços internacionais e reforça papel da Embraer no soft power brasileiro
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'Embraer tem toda a competência técnica' para concorrer no mercado global, avalia especialista
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Análise: expansão do portfólio da Embraer depende de o Brasil suportar disputa com potências
16:58 04.02.2026 (atualizado: 17:50 04.02.2026) Especiais
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas no setor aéreo afirmam que empresa pode ser um abre-alas para a diplomacia brasileira, enquanto governo federal também tem papel determinante para a expansão de mercado da companhia.
A Embraer assinou na última semana um
acordo com o grupo indiano Adani para a fabricação de aeronaves, treinamento de pilotos e atuação na cadeia de suprimentos aeronáuticos. A parceria deve resultar, entre outros frutos, na
instalação de uma unidade de produção de aeronaves na Índia.
A grande questão para a empresa brasileira é que
semana passada já é um tempo distante. Nesta terça-feira (3), a Embraer anunciou a
venda da aeronave multimissão KC-390 Millennium para o
governo do Uzbequistão, enquanto no mesmo dia as Filipinas divulgaram a
compra de mais seis aviões de ataque A-29 Super Tucano,
dobrando a frota do modelo pertencente à força aérea local.
No entanto, o crescimento da Embraer não está só no seguimento militar com o KC-390 e o Super Tucano, mas também na
aviação comercial e executiva. Segundo dados da empresa, o faturamento anual, que em 2021 era de cerca de
US$ 4,5 bilhões (aproximadamente R$ 23,6 bilhões na cotação atual), saltou para
US$ 7,5 bilhões (mais de R$ 39,3 bilhões) em 2025, impulsionado pelo
aumento contínuo de vendas de aeronaves ano após ano.
Se no ramo da aviação o céu, de fato, é o limite, o governo brasileiro pode dar uma força para que a Embraer voe ainda mais alto. Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas declararam que o Planalto pode se beneficiar da expansão da companhia brasileira, assim como a empresa ganharia com a proximidade com Brasília.
Marcos José Barbieri Ferreira, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e especialista em indústria aeroespacial e defesa, explica que a venda de aeronaves sofisticadas leva ao "estreitamento de relação entre o país produtor e o país adquiridor".
Para o professor da Unicamp, é importante destacar que não apenas a qualidade das aeronaves é importante no momento da aquisição, mas também o histórico das relações diplomáticas daquele país, fazendo com que Embraer e governo precisem atuar em diferentes esferas para a conclusão de um negócio.
"Estou comprando um produto que vai ser utilizado na defesa do país, na garantia de soberania. Então, eu tenho que ter uma confiança não só no produto, mas no país onde está sediada a empresa, onde esse produto é elaborado, onde ele foi desenvolvido."
Barbieri conta que os produtos e as credenciais da Embraer mostram ao mundo a capacidade da indústria de tecnologia brasileira em desenvolver soluções de primeira qualidade e não mais ser um mero exportador de matéria-prima.
"A indústria aeronáutica brasileira é o nosso cartão de visita. A Embraer é a grande referência industrial e tecnológica do Brasil. O Brasil é um grande exportador, mas um grande exportador, em geral, de commodities. E, no caso da aeronáutica, é o produto de alta tecnologia que o Brasil tem uma inserção mais ativa no mercado internacional."
Enio Beal Junior, piloto e CEO da Jinkout Business Aviation, destaca que a
Embraer ocupa um lugar único no portfólio de empresas brasileiras, o que também justifica a aproximação da companhia de países como Emirados Árabes Unidos e Índia,
que fazem parte do BRICS.
"A Embraer ocupa uma posição singular na economia brasileira, o que explica sua presença recorrente em acordos do governo com países do BRICS. Trata-se de uma das poucas indústrias brasileiras de alta tecnologia com inserção global. [...] Nesse sentido, a Embraer pode ser considerada um bastião tecnológico nacional."
Beal Junior vai além do aspecto comercial e destaca também a capacidade de soft power que uma empresa como a Embraer traz para o país de origem.
"Suas aeronaves operam em dezenas de países e estão normalmente associadas a acordos de cooperação industrial, treinamento e transferência de tecnologia, criando vínculos duradouros entre o Brasil e seus parceiros. Em um mundo cada vez mais fragmentado, a Embraer se consolida como um dos poucos ativos brasileiros capazes de projetar influência tecnológica, industrial e diplomática de forma consistente no exterior."

27 de novembro 2025, 18:30
Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) mostram que Airbus e Boeing detêm 79% das aeronaves que atendem voos comerciais, enquanto a Embraer aparece em terceiro lugar com uma fatia de 7% do mercado. A empresa brasileira se destaca mundialmente no seguimento de aviões de até 120 assentos e atualmente busca aumentar sua representatividade nos céus com os jatos da família E2, que já somam 397 pedidos de companhias aéreas dos cinco principais continentes.
Em outubro de 2025, o CEO da Embraer,
Francisco Gomes Neto,
afirmou ao Financial Times que acredita que há um espaço de mercado para mais construtoras de aeronaves no segmento de
widebodies, liderado pelos 777 da Boeing e A330 da Airbus.
"Quando olho para as projeções para os próximos 20 anos, vemos uma oportunidade para 40 mil aeronaves nesse segmento. É muita coisa. Acho que há espaço para mais de duas fabricantes, certo? Talvez três ou quatro."
Barbieri explica que a Embraer tem "competência técnica e administrativa" em todas as áreas que atua, mas que uma tentativa de expandir o portfólio em direção ao desenvolvimento de aviões widebody depende de uma expansão financeira da empresa e de uma capacidade do governo brasileiro de "suportar uma disputa internacional".
"Do ponto de vista estratégico, seria interessante [desenvolver widebodies]. A questão é: tenho condições de fazer isso, não apenas do ponto de vista técnico, mas do ponto de vista financeiro e geopolítico? Vou estar enfrentando Estados Unidos (Boeing), União Europeia (Airbus) e China (Comac) nesse mercado. Não é apenas uma disputa comercial, é uma disputa econômica entre os países, entre as nações, o que envolve geopolítica."
Para dar um passo nessa direção e alçar voos mais altos, o professor da Unicamp acredita que a Embraer deva continuar fazendo justamente o que tem feito nos últimos anos: estreitando laços e aumentando o seu número de parceiros.
"Caso o Brasil for entrar nesse segmento, a única hipótese que vejo, vislumbro, é a hipótese da Embraer entrar em parcerias com países que não produzem essa aeronave e que tem uma competência técnica, uma importância geopolítica, para poder estar com a Embraer nessa disputa. No momento, é uma articulação possível, mas difícil de ser executada."
Beal Junior explica que a aviação é um setor com "elevado risco financeiro e industrial" e que a Embraer, por sua vez, já conseguiu construir uma boa reputação acerca das suas aeronaves comerciais de até 150 lugares.
"Em minha análise, a ampliação do portfólio da Embraer não tem como objetivo competir diretamente com Boeing e Airbus no segmento central de aeronaves de grande porte, mas, sim, consolidar sua posição em um nicho específico, onde já atua há décadas."
O piloto entende que para a empresa brasileira é mais válido ditar o ritmo de um novo mercado, como a
mobilidade aérea avançada, no qual a Embraer possui a subsidiária
Eve Air Mobility.
"Nos parece mais plausível que a Embraer concentre seus esforços em setores onde pode moldar o mercado, e não apenas reagir a ele. Áreas como mobilidade aérea avançada, especialmente os eVOLTS, oferecem uma combinação mais alinhada ao perfil da empresa: menor barreira de entrada relativa, maior espaço para inovação, possibilidade de estabelecer padrões tecnológicos e um ambiente competitivo ainda em formação."
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