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'Estamos tirando do papel', diz ministra sobre projetos aprovados por Putin e Lula no âmbito tecnológico

© Sputnik / Guilherme CorreiaA ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, em entrevista à Sputnik Brasil.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, em entrevista à Sputnik Brasil. - Sputnik Brasil, 1920, 05.02.2026
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A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou à Sputnik Brasil que Brasil e Rússia avançam para tirar do papel "os memorandos de entendimento que fizemos entre [o presidente russo, Vladimir] Putin e o presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva]" nos últimos anos.
Segundo ela, os entendimentos entre os dois países já resultam em projetos em execução e novas iniciativas em preparação, especialmente no âmbito do Sul Global.
A ministra mencionou o encontro no Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) entre o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin (PSB), e o premiê russo, Mikhail Mishustin, e disse que a relação dos brasileiros com os russos é "longeva".

"Na semana passada teve uma equipe de especialistas russos visitando o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Uma troca de experiências, de pesquisa e desenvolvimento com especialistas russos e brasileiros, na área de tecnologias quânticas, de astrofísica, astropartículas. E com isso a gente garante uma cooperação de alto nível em pesquisa de ponta para que a gente inclusive possa diminuir nossa curva de aprendizagem."

Santos detalhou que a cooperação científica inclui chamadas públicas conjuntas, redes de pesquisa e projetos universitários envolvendo instituições brasileiras e russas, além de parcerias nas áreas espacial e nuclear.
Segundo ela, o Brasil busca reduzir dependências externas e ampliar sua autonomia tecnológica, inclusive com o apoio de outras nações do BRICS. Ela mencionou a parceria de universidades russas com a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para pesquisas na Amazônia.
Outra parceria destacada é na área espacial, com a agência Roscosmos, e nuclear, com a Rosatom.
"Nós estamos construindo o nosso RMB, o nosso reator multipropósito para nos tornar autônomos na área de radioisótopos e até sermos exportadores de radioisótopos. Mas essa cooperação é muito importante para que também a gente aprenda mais, a ter autonomia e soberania na produção desses radioisótopos."
A ministra ressaltou que a articulação do Brasil no Sul Global inclui Rússia, China e Índia, com projetos em cabos submarinos que vão passar por países do Sul Global, além de satélites, inteligência artificial, segurança cibernética, semicondutores e plataformas digitais próprias.
Segundo ela, a estratégia visa soberania, redução de vulnerabilidades externas e democratização da comunicação.

"Eu estive no ano passado na 80º Dia da Vitória contra os nazistas na Segunda Guerra Mundial com o presidente Lula e na ocasião eu participei da bilateral com o presidente Putin, em que a gente pode tratar dessas cooperações também. [...] É uma diversidade enorme de coisas que já estão acontecendo. Não é só memorando de entendimento, estamos tirando do papel os memorandos de entendimento que fizemos entre Putin e o presidente Lula."

O primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin (à esq.), cumprimenta o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin (à dir.), durante evento em Brasília, em fevereiro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 05.02.2026
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Ela mencionou também uma dependência de big techs e da tecnologia Starlink, que o Brasil tem arquitetado como produzir suas próprias tecnologias, mas que é preciso investir em infraestrutura, "seja de satélite de comunicação, seja de Internet de uma maneira geral, mas também de plataformas que deem mais segurança".
"Nossa articulação no Sul Global é algo que nós perseguimos com muita determinação, claro, sem deixar de fazer as relações internacionais de cooperação com todos os países do mundo. O Brasil é um país aberto, da paz."
Outro ponto abordado na entrevista, de acordo com a ministra, é que a empresa gaúcha Ceitec "está mudando sua rota tecnológica, com foco no uso de carbeto de silício", para produzir semicondutores para veículos.
Ela informou que já foram destinados R$ 220 milhões para a aquisição de uma nova planta industrial e que o governo trabalha para resolver gargalos orçamentários decorrentes do fato de a estatal ser dependente do Tesouro.
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