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Entre tecnologia e governança na defesa: o desafio brasileiro na corrida global por drones militares
Entre tecnologia e governança na defesa: o desafio brasileiro na corrida global por drones militares
Sputnik Brasil
Em um mercado dominado por países como China, Irã e Turquia, a indústria de defesa do Brasil tem investido cada vez mais na produção de drones, que têm as mais... 10.02.2026, Sputnik Brasil
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Da Alemanha à Bulgária, de Portugal aos Emirados Árabes Unidos, a indústria de defesa do Brasil enviou, apenas no ano passado, produtos para quase 140 países, segundo dados do governo. Em 2025, o setor somou US$ 3,1 bilhões (R$ 16,1 bilhões) em autorizações para a exportação de produtos e serviços de quase 80 empresas, alta de quase 74% em relação a 2024. Entre os produtos militares nacionais, um começa a ganhar espaço nesse cenário de reconfiguração dos conflitos internacionais: os drones, ou veículos aéreos não tripulados (VANTs).Aliado a isso, o setor de defesa, que representa quase 3,5% do produto interno bruto (PIB), também busca contribuir para a modernização das Forças Armadas do Brasil, que ainda não contam com drones de combate, mas estão em processo de desenvolvimento do equipamento, com conclusão prevista até 2027.Dos galpões para a área de testes localizada em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, a Stella Tecnologia tem em seu portfólio a produção de equipamentos militares, incluindo o drone Albatroz, montado para atender a Marinha do Brasil, com turbinas compostas por tecnologia 100% brasileira; e o Atobá XR, 40% maior que o israelense Hermes 900, utilizado atualmente para monitoramento do território. O CEO da companhia, Gilberto Buffara, defende à Sputnik Brasil que o país tem potencial para se tornar um player global na produção de drones.Em um país que conta com mais de 16 mil quilômetros de fronteiras terrestres e uma faixa litorânea que ultrapassa 7 mil quilômetros, o empresário vê como crucial ampliar o uso de tecnologia nacional em drones militares de monitoramento e, em um futuro próximo, também de combate."Se me fizesse essa pergunta no ano passado, eu diria que é importante produzir em território nacional, mas não uma prioridade. Hoje a resposta é diferente. O mundo que a gente vive é muito diferente, marcado por imprevisibilidade. Você não sabe se o país que te fornece vai continuar fornecendo. Os movimentos da geopolítica apontam para um mundo mais instável, mais descentralizado e mais desglobalizado. Ter independência tecnológica hoje não é só bom para empregar jovens, gerar empregos, empregar engenheiros e prover casos para universidades brasileiras, mas é fundamental para ter autonomia tecnológica e poder seguir o caminho que você quiser", diz.O Brasil fabrica drones?Na empresa carioca, os principais investimentos são aqueles voltados para a produção de drones de grande porte capazes de permanecer em missões por mais de 24 horas. Segundo Buffara, esses equipamentos têm maior capacidade de carga, podendo levar radares, câmeras e até armamentos.Para o CEO da Stella Tecnologia, o Brasil tem a seu favor a tradição aeronáutica, impulsionada pela Embraer, terceira maior fabricante de aviões do mundo, que ajudou a formar um ecossistema industrial capaz de sustentar o surgimento de empresas voltadas à produção de drones. "Aqui, no Brasil, nós temos uma indústria de defesa razoavelmente bem-estruturada. Eu acredito no crescimento das empresas, especialmente do nosso setor."Indústria de defesa: ausência de coordenação nacionalJá o professor aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e integrante do Núcleo de Estudos de Defesa, Inovação, Capacitação e Competitividade Industrial (UFFDefesa) Eduardo Brick critica, à Sputnik Brasil, a ausência de um órgão central capaz de coordenar logística, indústria e defesa como um todo no país."Isso está disperso dentro das Forças Armadas, no Ministério da Defesa… até a Finep [Financiadora de Estudos e Projetos] financia produtos de defesa. Não existe um órgão que coordene tudo isso."Segundo o especialista, o setor não deve ser analisado sob a lógica do lucro, mas da soberania nacional. Enquanto o governo gasta bilhões na compra de carros de combate, navios e mísseis de outros países, o Brasil deixa de financiar sua própria capacidade militar, avalia Brick. "Quem não tem uma capacidade industrial própria para conceber, projetar, desenvolver, construir e fabricar os seus próprios meios de combate não tem capacidade militar", acrescenta. Ele lembra que a indústria brasileira já respondeu por cerca de 27% do PIB e hoje representa cerca de 10%, após um processo de desindustrialização que também afetou o setor de defesa.Meta de dominar até 75% das tecnologias críticas de defesaEntre os objetivos estratégicos do Brasil está dominar até 75% das tecnologias críticas da indústria de defesa até 2033. Para Brick, a proposta repete diretrizes já presentes na Estratégia Nacional de Defesa de 2008, sem que avanços significativos tenham sido alcançados ao longo de quase duas décadas.Segundo o professor, reverter esse cenário exigiria um esforço concentrado, coordenado por um órgão específico, com engenheiros, cientistas, administradores e gestores dedicados exclusivamente a esse objetivo. "Mesmo colocando muito dinheiro hoje, levaríamos duas ou três décadas para chegar a um nível satisfatório. Mas não há recursos suficientes nem organização. Há muita propaganda e pouca ação", conclui.
https://noticiabrasil.net.br/20251127/brasil-precisa-investir-em-defesa-para-garantir-soberania-economica-e-politica-avalia-especialista-45576995.html
https://noticiabrasil.net.br/20241212/com-turbina-100-nacional-drone-albatroz-e-um-marco-para-a-industria-de-defesa-nota-analista-37696752.html
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Especialista alerta que defesa militar exige tempo e indústria
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Empresário cita Turquia como exemplo na indústria de drones e explica papel do Brasil na corrida global do setor
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Entre tecnologia e governança na defesa: o desafio brasileiro na corrida global por drones militares
15:52 10.02.2026 (atualizado: 19:35 10.02.2026) Especiais
Em um mercado dominado por países como China, Irã e Turquia, a indústria de defesa do Brasil tem investido cada vez mais na produção de drones, que têm as mais variadas aplicações no meio militar. Especialistas alertam à Sputnik Brasil que o principal gargalo do país não está apenas na tecnologia, mas na governança do setor.
Da Alemanha à Bulgária, de Portugal aos Emirados Árabes Unidos, a indústria de defesa do Brasil enviou, apenas no ano passado, produtos para quase 140 países, segundo dados do governo.
Em 2025, o setor somou US$ 3,1 bilhões (R$ 16,1 bilhões) em autorizações para a exportação de produtos e serviços de quase 80 empresas, alta de quase 74% em relação a 2024. Entre os produtos militares nacionais, um começa a ganhar espaço nesse cenário de reconfiguração dos conflitos internacionais: os drones, ou
veículos aéreos não tripulados (VANTs).Aliado a isso, o setor de defesa, que representa quase 3,5% do produto interno bruto (PIB), também busca contribuir para a modernização das Forças Armadas do Brasil, que ainda não contam com drones de combate, mas estão em processo de desenvolvimento do equipamento, com conclusão prevista até 2027.
Dos galpões para a área de testes localizada em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, a Stella Tecnologia tem em seu portfólio a produção de equipamentos militares, incluindo o drone Albatroz, montado para atender a Marinha do Brasil, com turbinas compostas por tecnologia 100% brasileira; e o Atobá XR, 40% maior que o israelense Hermes 900, utilizado atualmente para monitoramento do território. O CEO da companhia, Gilberto Buffara, defende à Sputnik Brasil que o país tem potencial para se tornar um player global na produção de drones.
"Eu estou vendo um movimento, por exemplo, da Força Aérea Brasileira, que assinou um memorando de entendimento com a gente recentemente. Existe um movimento do poder público no sentido de caminhar junto com a indústria para viabilizar a indústria nacional. Mas, se demorarmos muito, podemos perder o bonde. Olha o exemplo da Turquia: não tinha nada parecido com a tradição aeronáutica que nós temos e, em cerca de dez anos, se tornou um ator importante na fabricação de drones no mundo. O Brasil tem tecnologia embarcada, tem engenheiros, tem talento, mas historicamente faltou iniciativa", afirma, embora acredite que os ventos começam a mudar para o setor.
Em um país que conta com mais de 16 mil quilômetros de fronteiras terrestres e uma faixa litorânea que ultrapassa 7 mil quilômetros, o empresário vê como crucial ampliar o uso de tecnologia nacional em drones militares de monitoramento e, em um futuro próximo, também de combate.
"Se me fizesse essa pergunta no ano passado, eu diria que é importante produzir em território nacional,
mas não uma prioridade. Hoje a resposta é diferente. O mundo que a gente vive é muito diferente, marcado por imprevisibilidade. Você não sabe se o país que te fornece vai continuar fornecendo. Os movimentos da geopolítica apontam para um mundo mais instável,
mais descentralizado e mais desglobalizado. Ter independência tecnológica hoje não é só bom para empregar jovens, gerar empregos, empregar engenheiros e prover casos para universidades brasileiras, mas é fundamental para ter autonomia tecnológica e poder seguir o caminho que você quiser", diz.
Na empresa carioca, os principais investimentos são aqueles voltados para a produção de drones de grande porte capazes de permanecer em missões por mais de 24 horas. Segundo Buffara, esses equipamentos têm maior capacidade de carga, podendo levar radares, câmeras e até armamentos.
"Estamos investindo ainda em uma plataforma menor, o Albatroz Vortex, que é o nosso modelo propulsionado a turbina, desenvolvido para testar a turbina da nossa parceira Aeroconcepts, a primeira turbina aeronáutica brasileira funcional. Além disso, temos o Albatroz original, movido a hélice, com autonomia de 24 horas e peso máximo de decolagem de 150 quilos. Hoje, nós temos uma gama de produtos que vai desde pequenas munições vagantes, passando por médias munições vagantes na faixa de 100 quilos, drones de 150 quilos, e chega até drones de 700 quilos de peso máximo de decolagem", explica.
Para o CEO da Stella Tecnologia, o
Brasil tem a seu favor a tradição aeronáutica, impulsionada pela Embraer, terceira maior fabricante de aviões do mundo, que ajudou a formar um ecossistema industrial capaz de sustentar o surgimento de empresas voltadas à produção de drones. "Aqui, no Brasil, nós temos uma indústria de defesa razoavelmente bem-estruturada. Eu acredito no crescimento das empresas, especialmente do nosso setor."

27 de novembro 2025, 18:45
Indústria de defesa: ausência de coordenação nacional
Já o professor aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e integrante do Núcleo de Estudos de Defesa, Inovação, Capacitação e Competitividade Industrial (UFFDefesa) Eduardo Brick critica, à Sputnik Brasil, a ausência de um órgão central capaz de coordenar logística, indústria e defesa como um todo no país.
"Isso está disperso dentro das Forças Armadas, no Ministério da Defesa… até a Finep [Financiadora de Estudos e Projetos] financia produtos de defesa. Não existe um órgão que coordene tudo isso."
Segundo o especialista, o setor não deve ser analisado sob a lógica do lucro, mas da soberania nacional.
"Uma indústria que fabrica aeronaves de combate, mísseis, canhões, entre outros, não tem que dar lucro. Ela existe porque é necessária para a defesa do país, assim como as Forças Armadas. Se for usar esse argumento de que essas indústrias não têm volume ou lucro, você deveria dizer a mesma coisa das Forças Armadas", pontua.
Enquanto o governo gasta bilhões na compra de
carros de combate, navios e mísseis de outros países, o Brasil deixa de financiar sua própria capacidade militar, avalia Brick. "Quem não tem uma capacidade industrial própria para conceber, projetar, desenvolver, construir e fabricar os seus próprios meios de combate não tem capacidade militar", acrescenta. Ele lembra que
a indústria brasileira já respondeu por cerca de 27% do PIB e hoje representa cerca de 10%, após um processo de desindustrialização que também afetou o setor de defesa.

12 de dezembro 2024, 16:47
Meta de dominar até 75% das tecnologias críticas de defesa
Entre os objetivos estratégicos do Brasil está dominar até 75% das tecnologias críticas da indústria de defesa até 2033. Para Brick, a proposta repete diretrizes já presentes na Estratégia Nacional de Defesa de 2008, sem que avanços significativos tenham sido alcançados ao longo de quase duas décadas.
"O Brasil é quase 100% dependente de tecnologias de defesa de países da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] e de Israel. Tem alguma coisa brasileira, mas somos dependentes desses países para quase todos os produtos e tecnologias necessárias."
Segundo o professor, reverter esse cenário exigiria um esforço concentrado, coordenado por um órgão específico, com engenheiros, cientistas, administradores e gestores dedicados exclusivamente a esse objetivo. "Mesmo colocando muito dinheiro hoje, levaríamos duas ou três décadas para chegar a um nível satisfatório. Mas não há recursos suficientes nem organização. Há muita propaganda e pouca ação", conclui.
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