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Stalingrado: 'O que restava na cidade era transformado em resistência', diz analista (VÍDEOS)
Stalingrado: 'O que restava na cidade era transformado em resistência', diz analista (VÍDEOS)
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A data de 2 de fevereiro de 1943 é lembrada e celebrada anualmente por marcar a libertação da cidade de Stalingrado (atual Volgogrado) do cerco imposto pela... 13.02.2026, Sputnik Brasil
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Há mais de 80 anos, terminava a Batalha de Stalingrado, um conflito que redefiniu a guerra dentro de uma cidade altamente edificada e povoada. Entre os escombros, surgiu uma forma brutal e eficaz de combate: a guerra urbana, que se diferencia do modelo de guerra convencional a partir da infantaria. Nesse cenário, pequenos grupos movem-se por ruínas e túneis de forma irregular a fim de confundir e anular a superioridade convencional do inimigo por meio de ações táticas que aproveitam o conhecimento do território.Essa estratégia foi determinante para a vitória soviética sobre os nazistas. No entanto, o que ocorreu há décadas pôde ser visto em outros conflitos dentro de perímetros urbanos. Para contextualizar o passado com os dias atuais, a Sputnik Brasil entrevistou João Cláudio Pitillo, mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenador do projeto Geoestratégia Estudos e membro do Grupo de Estudos 9 de Maio, que explicou como o confronto histórico mudou alguns paradigmas da arte da guerra.O especialista afirmou que costumava-se dizer que os únicos que acreditavam na vitória em Stalingrado eram os próprios defensores da cidade, pois observadores distantes já a consideravam perdida. Após a vitória soviética, a batalha passou a ser estudada em todo o mundo.Ao fazer um elo entre o passado e a contemporaneidade, o analista destaca que a invasão do Iraque pelos Estados Unidos (2003-2011) teve contornos semelhantes aos de Stalingrado em alguns momentos. Embora Washington tenha destruído o país e conseguido derrubar o governo da época, para Pitillo, os iraquianos não permitiram uma vitória de fato aos norte-americanos, que após um longo período tiveram de recuar sem ganhos efetivos.Além de Bagdá, o especialista também apontou que, na primeira fase da guerra civil na Síria (iniciada em 2011), a resistência obteve êxito em razão do ambiente urbano com destroços e combatentes sírios que conseguiram impedir o avanço das tropas estadunidenses em seu território.Diferença entre guerra e guerrilha urbanaO especialista ponderou ser necessário diferenciar guerra de guerrilha em área urbana. Guerrilha diz respeito a um grupo que não tem a necessidade de tomar o poder de determinada cidade e não faz parte de forças regulares, enquanto o oposto se trata de confronto entre tropas militares com o objetivo comum de tomada de território.O especialista também apontou que, quando a guerra envolve forças regulares, elas precisam se desenvolver levando em consideração as características de uma grande cidade para adaptar seus equipamentos, além de utilizar blindados, canhões pesados e outros recursos da infantaria.Novas tecnologias militares não impedem uma guerra urbanaCom o tempo, os armamentos militares se aperfeiçoaram. Mas, apesar de toda a evolução do poderio bélico moderno, o historiador aponta que a modernidade dos aparatos militares, como os veículos não tripulados e os drones, não é capaz de evitar uma guerra urbana em grande escala.Embora esses dispositivos sejam usados para desgastar ao máximo o adversário e ofereçam visões estratégicas do inimigo, eles não são imunes a contraofensivas em um campo hostil.Nessa circunstância, o pesquisador também relembrou o atual conflito na Ucrânia, que segue em curso, e exemplifica que as tropas russas não cometem o erro de lutar dentro de cidades extremamente urbanizadas, embora haja alguns confrontos em regiões metropolitanas com essa característica.Nesse ponto, Pitillo destaca que a maior lição que Stalingrado deixou para os estrategistas militares, após muitas análises e estudos de caso do confronto que perdurou entre 1942 e 1943, é que o espaço urbano ainda precisa ser evitado, apesar de todos os avanços tecnológicos no âmbito militar.A guerra urbana ainda é sinônimo de emboscada até mesmo para as forças militares mais bem equipadas, uma vez que as edificações são complexas para serem destruídas com facilidade e a alta densidade populacional é um fator perigoso que pode tornar o teatro de guerra em cidades com esse perfil uma "areia movediça" até para as tropas regulares mais equipadas no campo de batalha.
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🪖 Como a batalha de Stalingrado ajuda explicar a guerra urbana? Responde analista
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🪖Stalingrado: onde a guerra urbana foi reinventada, conforme historiador
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🪖 Lição mais dura de Stalingrado: por que a guerra urbana deve ser evitada? Responde historiador
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rússia, stalingrado, estratégia, militarismo, guerra urbana, confronto, tática de guerra, grande guerra pela pátria, segunda guerra mundial, síria, iraque, conflito armado, drones
rússia, stalingrado, estratégia, militarismo, guerra urbana, confronto, tática de guerra, grande guerra pela pátria, segunda guerra mundial, síria, iraque, conflito armado, drones
Stalingrado: 'O que restava na cidade era transformado em resistência', diz analista (VÍDEOS)
A data de 2 de fevereiro de 1943 é lembrada e celebrada anualmente por marcar a libertação da cidade de Stalingrado (atual Volgogrado) do cerco imposto pela Alemanha nazista durante a Grande Guerra pela Pátria. A efeméride também traz reflexões sobre como um dos maiores conflitos urbanos da história influenciou o pensamento militar.
Há mais de 80 anos, terminava a
Batalha de Stalingrado, um conflito
que redefiniu a guerra dentro de uma cidade altamente edificada e povoada. Entre os escombros, surgiu uma forma brutal e eficaz de combate: a guerra urbana,
que se diferencia do modelo de guerra convencional a partir da infantaria. Nesse cenário, pequenos grupos movem-se por ruínas e túneis de forma irregular a fim de confundir e anular a superioridade convencional do inimigo por meio de ações táticas que aproveitam o conhecimento do território.
Essa estratégia foi determinante para a vitória soviética sobre os nazistas. No entanto, o que ocorreu há décadas pôde ser visto em outros conflitos dentro de perímetros urbanos.
Para contextualizar o passado com os dias atuais, a
Sputnik Brasil entrevistou
João Cláudio Pitillo, mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenador do projeto Geoestratégia Estudos e membro do Grupo de Estudos 9 de Maio, que
explicou como o confronto histórico mudou alguns paradigmas da arte da guerra.
O especialista afirmou que costumava-se dizer que os únicos que acreditavam na vitória em Stalingrado eram os próprios defensores da cidade, pois observadores distantes já a consideravam perdida. Após a vitória soviética, a batalha passou a ser estudada em todo o mundo.
"Os soviéticos transformaram a parte defensiva numa grande escola defensiva de guerra urbana, onde a força do inimigo tinha que ser neutralizada e os elementos que restavam em uma cidade completamente destruída tinham que, de alguma maneira, ser transformados em resistência", disse.
Ao fazer um elo entre o passado e a contemporaneidade, o analista destaca que
a invasão do Iraque pelos Estados Unidos (2003-2011)
teve contornos semelhantes aos de Stalingrado em alguns momentos. Embora Washington tenha destruído o país e conseguido derrubar o governo da época, para Pitillo, os iraquianos não permitiram uma vitória de fato aos norte-americanos, que após um longo período tiveram de recuar sem ganhos efetivos.
Além de Bagdá, o especialista também apontou que, na primeira fase da guerra civil na Síria (iniciada em 2011), a resistência obteve êxito em razão do ambiente urbano com destroços e combatentes sírios que conseguiram impedir o avanço das tropas estadunidenses em seu território.
"Por exemplo, no contexto da guerra no Iraque, a cidade de Faluja foi um campo determinante de guerra, uma batalha demorada, que estressou bastante as forças estadunidenses. A resistência iraquiana aproveitou o conflito dentro da urbes até o último dia da ocupação dos EUA. A Síria também tem exemplos de combates urbanos [...] em cidades como Deir Zor, Palmira e até mesmo na capital Damasco", analisou.
Diferença entre guerra e guerrilha urbana
O especialista ponderou ser necessário diferenciar guerra de guerrilha em área urbana. Guerrilha diz respeito a um grupo que não tem a necessidade de tomar o poder de determinada cidade e não faz parte de forças regulares, enquanto o oposto se trata de confronto entre tropas militares com o objetivo comum de tomada de território.
"O termo 'guerrilha' vem do espanhol, significa guerra pequena, e ficou muito conhecido aqui na América Latina, na África, na Ásia e em alguns lugares da Oceania, por movimentos insurgentes de enfrentamento ao Estado que usavam as características da geografia do qual estavam inseridos a seu favor", explica.
O especialista também apontou que, quando a guerra envolve forças regulares, elas precisam se desenvolver levando em consideração as características de uma grande cidade para adaptar seus equipamentos, além de utilizar blindados, canhões pesados e outros recursos da infantaria.

17 de fevereiro 2024, 23:35
Novas tecnologias militares não impedem uma guerra urbana
Com o tempo, os armamentos militares se aperfeiçoaram. Mas, apesar de toda a evolução do poderio bélico moderno, o historiador aponta que a modernidade dos aparatos militares, como
os veículos não tripulados e os drones,
não é capaz de evitar uma guerra urbana em grande escala.Embora esses dispositivos sejam usados para desgastar ao máximo o adversário e ofereçam visões estratégicas do inimigo, eles não são imunes a contraofensivas em um campo hostil.
"Os drones não evitam uma guerra urbana, embora forneçam uma outra visão do campo de batalha. No ambiente urbano, ainda mais com os drones sendo miniaturizados, é possível acessar uma série de locais estratégicos que eram impossíveis de obter por imagens de satélite ou através de equipamentos de visão noturna e de telemetria. Apesar dessa visão privilegiada e das facilidades, os drones também podem ser caçados no cenário urbano", analisa.
Nessa circunstância, o pesquisador também relembrou o atual conflito na Ucrânia, que segue em curso, e exemplifica que
as tropas russas não cometem o erro de lutar dentro de cidades extremamente urbanizadas, embora haja alguns confrontos em regiões metropolitanas com essa característica.
"O Exército russo usa uma estratégia de minar, com mísseis, essa defesa na cidade. Então, quando o Exército russo entra na cidade, a resistência ucraniana já está muito reduzida. Não consegue fazer uma guerra de desgaste contra os russos", acrescenta.
Nesse ponto, Pitillo destaca que a maior lição que Stalingrado deixou para os estrategistas militares, após muitas análises e estudos de caso do confronto que perdurou entre 1942 e 1943, é que o espaço urbano ainda precisa ser evitado, apesar de todos os avanços tecnológicos no âmbito militar.
A guerra urbana ainda é sinônimo de emboscada até mesmo para as forças militares mais bem equipadas, uma vez que as edificações são complexas para serem destruídas com facilidade e a alta densidade populacional é um fator perigoso que pode tornar o teatro de guerra em cidades com esse perfil uma "areia movediça" até para as tropas regulares mais equipadas no campo de batalha.
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