Telescópio espacial James Webb mapeia as auroras em Urano em 3D pela 1ª vez (VÍDEO)
10:41 21.02.2026 (atualizado: 15:06 21.02.2026)

© NASA
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Uma equipe internacional de astrônomos, liderada pela pós-graduanda Paola Tiranti, da Universidade de Northumbria, criou um mapa tridimensional da atmosfera superior de Urano pela primeira vez usando dados do telescópio espacial James Webb (JWST).
O estudo mostrou como um campo magnético incomum do planeta forma radiações polares complexas e afeta a distribuição de energia.
Durante 15 horas de observações com o espectrógrafo NIRSpec, foi possível detectar um brilho fraco das moléculas até 5.000 km acima das nuvens. As medições mostram que as temperaturas atingem o pico entre 3.000 e 4.000 km, enquanto as densidades de íons atingem seu máximo em torno de 1.000 km, revelando variações longitudinais claras ligadas à geometria complexa do campo magnético.
"Esta é a primeira vez que conseguimos ver a atmosfera superior de Urano de forma tridimensional", disse Paola. "Com a sensibilidade do Webb, podemos rastrear como a energia se move para cima através da atmosfera do planeta e até mesmo ver a influência de seu campo magnético desnivelado", escreve o site da ESA.
Webb maps the mysterious upper atmosphere of Uranus 🔵
— ESA Science (@esascience) February 19, 2026
This first vertical view of its ionosphere reveals auroras shaped by the planet's tilted magnetic field and how Uranus’s atmosphere has continued to cool over the past three decades.
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Os dados do JWST confirmam que a atmosfera superior de Urano ainda está a arrefecer, estendendo uma tendência que começou no início da década de 1990. A equipe mediu uma temperatura média de cerca de 426 kelvins (cerca de 150 graus Celsius), abaixo dos valores registrados por telescópios terrestres ou naves espaciais anteriores.
Duas listras aurorais brilhantes foram detectadas perto dos polos magnéticos de Urano, juntamente com uma nítida redução na emissão e densidade de íons em parte da região entre duas listras (uma característica provavelmente ligada a transições nas linhas do campo magnético).
O campo magnético de Urano é único: ele está inclinado a 60° e deslocado em relação ao centro do planeta, fazendo com que as radiações viajem pela superfície em trajetórias complexas. Novos dados permitiram rastrear como linhas magnéticas guiam partículas carregadas e formam a estrutura da atmosfera.

