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Meio bilhão: comerciantes de Ubá estimam rombo causado pelas chuvas à Sputnik Brasil
Meio bilhão: comerciantes de Ubá estimam rombo causado pelas chuvas à Sputnik Brasil
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Prejuízo pode chegar a R$ 500 milhões, detalha presidente da associação comercial e industrial da cidade à Sputnik Brasil. 03.03.2026, Sputnik Brasil
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Desde a manhã da última terça-feira (24), galochas e máscaras passaram a ser acessórios indispensáveis para pedestres que caminham pelas ruas do centro da cidade de Ubá, uma das cidades da Zona da Mata mineira mais afetadas pelas tempestades da última semana.Sete dias depois da catástrofe climática que inundou o centro da cidade e provocou alagamentos em diversos outros bairros, as marcas dos estragos permanecem evidentes na cidade lar de 107 mil pessoas.Andar pelas ruas da cidade é sinônimo, também, de escutar comentários da população que ainda caminha embasbacada com o que aconteceu na semana passada. "O cenário é de guerra", comentaram transeuntes que passam em frente aos escombro de imóveis na Avenida Cristiano Roças, onde uma ponte foi destruída e uma cratera partiu o asfalto.As consequências dos 174 milímetros de chuva nas três horas de temporal que atingiu o município na madrugada de fevereiro, o equivalente a 70,8 bilhões de litros de água ou 28 mil piscinas olímpicas, trouxeram ao interior de Minas o governador do estado Romeu Zema e também o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Em coletiva de imprensa em Juiz de Fora — também na Zona da Mata mineira e também atingida pelo temporal — o chefe do Executivo brasileiro comentou que que quem chega ao "centro de Ubá, acha que o maior desastre climático foi lá".Foi "a maior tragédia da história" de Ubá, classificou o prefeito José Damato. Apesar dos esforços de militares, defesa civil e muitos voluntários, ruas e imóveis permanecem lamaçados, vias públicas e pontes destruídas e o mau cheiro nas proximidades do rio Ubá continua. Ao todo, 7 pessoas morreram na cidade, enquanto Juiz de Fora tem 61 óbitos confirmados.Na região central ubaense, ainda nesta terça-feira, muitos estabelecimentos comerciais permanecem fechados. A Sputnik Brasil obteve junto à Associação Comercial e Industrial de Ubá (Aciubá) um relatório parcial que contabiliza o número de empresas registradas no município que sofreram algum impacto com os estragos consequentes da tempestade.De acordo com o documento, com dados levantados com 796 empresários que responderam o questionário da entidade até a segunda-feira (2), a estimativa de prejuízo na economia local é de pelo menos R$ 447 milhões, somando impactos diretos, indiretos e perda de faturamento projetada.À reportagem, Elias Ricardo, presidente da Aciubá, afirmou que acredita que os números podem chegar a meio bilhão de reais em prejuízos na economia do município.O relatório computa dados de estabelecimentos comerciais, empresas de serviços e indústrias, embora a maioria dos atingidos tenham sido lojistas, especifica Ricardo. Setores de vestuário, alimentos, concessionárias e autopeças, além, também de indústrias e comércios de móveis e decoração, principal atividade econômica da cidade, o maior polo moveleiro de Minas Gerais e um dos mais significativos do Brasil, também tenham sido significativos.A fim de comparação, os danos em valores estimados em Ubá são quase seis vezes maiores do que o prejuízo de R$ 78 milhões que acometeu as atividades do comércio, turismo e serviço de Petrópolis após o desastre climático de 2022, segundo a pesquisa realizada naquela ocasião Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec-RJ).Além disso, os R$ 447 milhões estimados em prejuízos representam, ainda, cerca de 100 vezes o PIB ubaense (R$ 4.462 milhões), segundo dados do IBGE de 2023.A empresária Izabel Vieira, proprietária do Supermercado Vieirão, conversou com a nossa reportagem e estimou que o prejuízo do seu estabelecimento, contando apenas os produtos comerciáveis, está entre R$ 1 milhão e R$ 1,2 milhão.Segundo Izabel, o supermercado está no mesmo endereço há 49 anos, e é a primeira vez que um desastre natural desta magnitude atingiu sua empresa. Elias Ricardo, que é empresário na região há 20 anos, também ressalta nunca ter presenciado uma inundação na proporção da que aconteceu no dia 24 de fevereiro."Já tivemos várias enchentes, mas jamais, nunca, teve algo dessa magnitude. Tanto é que muitos perderam muitas coisas porque não acreditavam que a água fosse chegar ali, porque todos os anos teve uma enchente grande, nunca veio água aqui. E aí foi todo esse movimento muito rápido que não deu tempo das pessoas reagirem", conta.Quando o presidente da associação comercial fala em perda total, ele inclui, inclusive, imóveis onde determinados estabelecimentos funcionavam e ficaram comprometidos. Conforme o documento da Aciubá, 123 empresas declararam perda total, ou seja, 15,5%. Outros 626 empresários declararam danos graves em seus imóveis.No setor de vestuário, entre os três mais impactos segundo o levantamento da Aciubá, somente a empresa Esporte Legal, que fica na avenida Beira-Rio, declarou que o impacto financeiro é de R$ 9 milhões. A reportagem fez contato com Leandro Lima, proprietário da loja, que agradeceu a oportunidade de falar, mas declinou devido ao tempo escasso diante do grande trabalho empenhado na recuperação da empresa.Neste contexto, há, também, aqueles que têm a ciência que perderam toda a mercadoria, mas ainda não conseguiram calcular o prejuízo. É o caso de Joluzi Alves, proprietária da Esfera Modas, uma loja de roupas femininas localizada no Calçadão da São José.À Sputnik Brasil, ela afirmou que um levantamento sobre suas perdas ainda será feito, mas que todas as mercadorias, mobiliário e eletrônicos da loja foram perdidos. Além disso, danos no imóvel como amassados na porta de aço e o descolamento do piso são danos evidentes. Empregos estão em risco, diz AciubáO relatório aponta que caso não ocorra uma intervenção imediata, empregos diretamente fornecidos pelas empresas impactadas podem ser perdidos. Segundo o documento, 3.800 postos estão sob risco imediato. A partir de uma metodologia do Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicadas (IPEA), Ricardo calcula que o impacto econômico pode chegar a 11.400 empregos considerando os efeitos indiretos.Outro problema que pode ter um impacto significante no futuro breve da economia do município é o déficit de arrecadação pelo fechamento de empresas, gerando um efeito cascata e desfalcando fornecedores que tinham os empreendimentos de Ubá entre seus clientes.Neste momento, 411 estabelecimentos (51,6% da amostragem) declararam ter intenção de fechar temporária ou permanentemente. Já 83% das empresas afirmam não possuírem reservas financeiras suficientes para manter as operações por mais de 30 dias sem auxílio externo.A Aciubá chama a atenção para a necessidade da criação de um crédito emergencial para sanar os problemas. A solução é vista como a melhor intervenção para 80% dos atingidos. Diante disso, algumas das sugestões incluem:"Estamos desenhando um projeto de critérios para poder entregar esses recursos aos comerciantes", explicou. Segundo o presidente da associação comercial de Ubá, é necessário injetar ao menos R$ 210 milhões na economia local para mitigar o impacto causado pelas inundações.Durante a visita do presidente Lula à Ubá, Ricardo entregou um relatório com dados colhidos até o dia 27 foi entregue nas mãos do presidente. Além disso, ele afirmou que parcerias com o Sebrae e com a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais (Federaminas) estão sendo fortalecidas para auxiliar neste momento. Como os governos federal, estadual e municipal estão ajudando a região?Em coletiva de imprensa realizada na cidade de Juiz de Fora, no último sábado, Lula ressaltou que o governo federal trabalharia nos moldes do que foi feito na tragédia climática que assolou o Rio Grande do Sul em 2024, com créditos liberados aos empresários para a recuperação de suas empresas.De acordo com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, uma frente de trabalho específica já avalia a situação de Ubá. "Vamos publicar ainda esta semana as medidas e os parâmetros, que serão idênticos, em critérios e valores individuais, aos referenciais utilizados no Rio Grande do Sul."Caso o plano de trabalho siga fidedignamente ao Rio Grande do Sul, a tendência é que os créditos cedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tenham carência de 12 meses e os oferecidos pela Caixa Econômica Federal, 6 meses.Até o momento, o governo federal já publicou no Diário Oficial da União (DOU) a prorrogação por pelo menos três meses dos prazos para pagamento de tributos federais, inclusive parcelamentos, para contribuintes domiciliados nos Municípios de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, localizados no Estado de Minas Gerais. A medida, no entanto, não se aplica ao Simples Nacional.O que diz o governo estadual?O vice-governador de Minas Gerais, Matheus Simões (Novo-MG), anunciou no último sábado que o governo mineiro vai oferecer, por meio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), R$ 200 milhões em linhas de crédito emergenciais para micro, pequenas, médias e grandes empresas, cooperativas de produção e negócios ligados ao agronegócio localizados em municípios que decretaram emergência e/ou calamidade pública em função dos temporais que atingiram o estado neste ano. A publicação engloba empresas de todo o estado, sem especificar uma iniciativa de crédito direta às empresas ubaenses.Segundo o estado, as prefeituras terão acesso à linha com taxa subsidiada por meio do BDMG Solidário Municípios 2026. O prazo para pagar será de 120 meses, incluindo 12 meses de carência.Paralelamente a Secretaria de Estado de Fazenda de Minas encaminhou ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) um pedido de autorização para que o estado possa conceder isenção de ICMS sobre doações e compras de bens voltados à recuperação das atividades das empresas afetadas, sobretudo aquelas que tiveram prejuízos em máquinas, equipamentos e outros recursos indispensáveis ao seu funcionamento. A implementação dessa providência está condicionada à formalização de convênio específico, que, segundo o governo, deverá ser analisado e aprovado em regime de urgência.O que diz o município?A Sputnik Brasil procurou a assessoria de comunicação da Prefeitura Municipal de Ubá e perguntou sobre a previsão de medidas de suspensão ou adiamento da cobrança de impostos como o IPTU e o ISS e outras iniciativas que possam dar um fôlego ao setor comercial e industrial neste momento, mas não recebeu retorno da demanda.Desastres já causaram mais de R$ 732 bilhões de prejuízos em cidades brasileirasUm levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) revela que, entre 2013 e 2024, foram contabilizados R$ 732,2 bilhões em perdas econômicas, atingindo 95% das cidades do país. Os dados foram publicados em dezembro do ano passado pela entidade.O estudo também aponta fragilidades na organização das ações de proteção e defesa civil. Apenas 12% dos municípios possuem órgão próprio estruturado dentro de uma secretaria específica. Já 49% acumulam a função com outros setores da administração municipal, enquanto 32% contam com estrutura exclusiva, porém vinculada diretamente ao gabinete do prefeito.Para a CNM, esses números evidenciam a desassistência enfrentada pelas gestões locais, marcada por políticas públicas de prevenção insuficientes e, quando existentes, com baixa efetividade e alcance limitado para promover soluções duradouras.No mesmo período analisado (2013 a 2024), foram registradas mais de 70,3 mil decretações municipais de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública. Como consequência dos desastres, mais de 6 milhões de pessoas precisaram deixar suas casas em todo o país.
https://noticiabrasil.net.br/20260226/e-uma-calamidade-que-nao-tem-parametro-na-historia-diz-deputada-sobre-chuvas-em-juiz-de-fora-e-uba-48335165.html
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Em Ubá, cenário de devastação permanece 5 dias após ‘maior tragédia da história’
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Comércio de Ubá pode ter prejuízo de meio bilhão, alerta presidente da Aciubá
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Chuvas em Ubá destruíram supermercado de meio século, revela proprietária
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Caixões são arrastados por enxurrada após temporal em Ubá
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romeu zema, luiz inácio lula da silva, juiz de fora, rio grande do sul, brasil, confederação nacional de municípios (cnm), ibge, iptu, diário oficial da união, icms, economia, empregos, postos de trabalho, inundação, enchente, minas gerais, empresas, empresários, crédito, créditos tributários, exclusiva
Desde a manhã da última terça-feira (24), galochas e máscaras passaram a ser acessórios indispensáveis para pedestres que caminham pelas ruas do centro da cidade de Ubá, uma das cidades da Zona da Mata mineira
mais afetadas pelas tempestades da última semana.
Sete dias depois da catástrofe climática que inundou o centro da cidade e provocou alagamentos em diversos outros bairros, as marcas dos estragos permanecem evidentes na cidade lar de 107 mil pessoas.
Andar pelas ruas da cidade é sinônimo, também, de escutar comentários da população que ainda caminha embasbacada com o que aconteceu na semana passada. "O cenário é de guerra", comentaram transeuntes que passam em frente aos escombro de imóveis na Avenida Cristiano Roças, onde uma ponte foi destruída e uma cratera partiu o asfalto.
As consequências dos
174 milímetros de chuva nas três horas de temporal que atingiu o município
na madrugada de fevereiro, o equivalente a
70,8 bilhões de litros de água ou 28 mil piscinas olímpicas, trouxeram ao interior de Minas o governador do estado
Romeu Zema e também o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
Em coletiva de imprensa em Juiz de Fora — também na Zona da Mata mineira e também atingida pelo temporal — o chefe do Executivo brasileiro comentou que que quem chega ao "centro de Ubá, acha que o maior desastre climático foi lá".
Foi
"a maior tragédia da história" de Ubá, classificou o prefeito José Damato. Apesar dos
esforços de militares, defesa civil e muitos voluntários, ruas e imóveis permanecem lamaçados, vias públicas e pontes destruídas e o mau cheiro nas proximidades do rio Ubá continua. Ao todo, 7 pessoas morreram na cidade, enquanto Juiz de Fora tem 61 óbitos confirmados.
Na região central ubaense, ainda nesta terça-feira, muitos estabelecimentos comerciais permanecem fechados. A Sputnik Brasil obteve junto à Associação Comercial e Industrial de Ubá (Aciubá) um relatório parcial que contabiliza o número de empresas registradas no município que sofreram algum impacto com os estragos consequentes da tempestade.
De acordo com o documento, com dados levantados com 796 empresários que responderam o questionário da entidade até a segunda-feira (2), a estimativa de prejuízo na economia local é de pelo menos R$ 447 milhões, somando impactos diretos, indiretos e perda de faturamento projetada.
À reportagem, Elias Ricardo, presidente da Aciubá, afirmou que acredita que os números podem chegar a meio bilhão de reais em prejuízos na economia do município.
O relatório computa dados de estabelecimentos comerciais, empresas de serviços e indústrias, embora a maioria dos atingidos tenham sido lojistas, especifica Ricardo. Setores de vestuário, alimentos, concessionárias e autopeças, além, também de indústrias e comércios de móveis e decoração, principal atividade econômica da cidade, o maior polo moveleiro de Minas Gerais e um dos mais significativos do Brasil, também tenham sido significativos.
A fim de comparação, os danos em valores estimados em Ubá são quase seis vezes maiores do que o prejuízo de R$ 78 milhões que acometeu as atividades do comércio, turismo e serviço de Petrópolis após o desastre climático de 2022, segundo a pesquisa realizada naquela ocasião Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec-RJ).
Além disso, os R$ 447 milhões estimados em prejuízos representam, ainda, cerca de 100 vezes o PIB ubaense (R$ 4.462 milhões), segundo dados do IBGE de 2023.
A empresária Izabel Vieira, proprietária do Supermercado Vieirão, conversou com a nossa reportagem e estimou que o prejuízo do seu estabelecimento, contando apenas os produtos comerciáveis, está entre R$ 1 milhão e R$ 1,2 milhão.
"A água entrou lá a um metro e sessenta. Praticamente a área de vendas toda foi comprometida. [...] Eu fui avisada uma hora da manhã pelo meu gerente. Quando eu cheguei, já não tinha mais jeito de entrar, já estava próximo ao joelho a água; e nós fomos só recuando, vendo a água subir. Cheguei até na frente do correio [a cerca de 155m do supermercado], porque a água estava muito forte, correnteza violenta, que não tinha jeito nenhum, só tinha rezar", recorda.
Segundo Izabel, o supermercado está no mesmo endereço há 49 anos, e é a primeira vez que um desastre natural desta magnitude atingiu sua empresa. Elias Ricardo, que é empresário na região há 20 anos, também ressalta nunca ter presenciado uma inundação na proporção da que aconteceu no dia 24 de fevereiro.
"Já tivemos várias enchentes, mas jamais, nunca, teve algo dessa magnitude. Tanto é que muitos perderam muitas coisas porque não acreditavam que a água fosse chegar ali, porque todos os anos teve uma enchente grande, nunca veio água aqui. E aí foi todo esse movimento muito rápido que não deu tempo das pessoas reagirem", conta.
Quando o presidente da associação comercial fala em perda total, ele inclui, inclusive, imóveis onde determinados estabelecimentos funcionavam e ficaram comprometidos. Conforme o documento da Aciubá, 123 empresas declararam perda total, ou seja, 15,5%. Outros 626 empresários declararam danos graves em seus imóveis.
No setor de vestuário, entre os três mais impactos segundo o levantamento da Aciubá, somente a empresa Esporte Legal, que fica na avenida Beira-Rio, declarou que o impacto financeiro é de R$ 9 milhões. A reportagem fez contato com Leandro Lima, proprietário da loja, que agradeceu a oportunidade de falar, mas declinou devido ao tempo escasso diante do grande trabalho empenhado na recuperação da empresa.
Neste contexto, há, também, aqueles que têm a ciência que perderam toda a mercadoria, mas ainda não conseguiram calcular o prejuízo. É o caso de Joluzi Alves, proprietária da Esfera Modas, uma loja de roupas femininas localizada no Calçadão da São José.
À Sputnik Brasil, ela afirmou que um levantamento sobre suas perdas ainda será feito, mas que todas as mercadorias, mobiliário e eletrônicos da loja foram perdidos. Além disso, danos no imóvel como amassados na porta de aço e o descolamento do piso são danos evidentes.
"Não há o que recuperar. É começar do zero."
Empregos estão em risco, diz Aciubá
O relatório aponta que caso não ocorra uma intervenção imediata, empregos diretamente fornecidos pelas empresas impactadas
podem ser perdidos. Segundo o documento,
3.800 postos estão sob risco imediato. A partir de uma metodologia do Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicadas (IPEA), Ricardo calcula que o impacto econômico pode chegar a 11.400 empregos considerando os efeitos indiretos.
Outro problema que pode ter um impacto significante no futuro breve da economia do município é o déficit de arrecadação pelo fechamento de empresas, gerando um efeito cascata e desfalcando fornecedores que tinham os empreendimentos de Ubá entre seus clientes.
Neste momento, 411 estabelecimentos (51,6% da amostragem) declararam ter intenção de fechar temporária ou permanentemente. Já 83% das empresas afirmam não possuírem reservas financeiras suficientes para manter as operações por mais de 30 dias sem auxílio externo.

18 de janeiro 2022, 19:23
A Aciubá chama a atenção para a necessidade da criação de um crédito emergencial para sanar os problemas. A solução é vista como a melhor intervenção para 80% dos atingidos. Diante disso, algumas das sugestões incluem:
período de carência de 12 meses;
taxa subsidiada (0–2% a.a.);
prazo de pagamento de 48 a 60 meses;
documentação simplificada (laudo fotográfico + autodeclaração);
suspensão da cobrança de tributos municipais como o ISSQN e o IPTU;
programa de manutenção de empregos similar ao Pronampe e o Programa Emergencial de Emprego.
"Estamos desenhando um projeto de critérios para poder entregar esses recursos aos comerciantes", explicou. Segundo o presidente da associação comercial de Ubá, é necessário injetar ao menos R$ 210 milhões na economia local para mitigar o impacto causado pelas inundações.
Durante
a visita do presidente Lula à Ubá, Ricardo entregou um relatório com dados colhidos até o dia 27 foi entregue nas mãos do presidente. Além disso, ele afirmou que parcerias com o Sebrae e com a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais (Federaminas) estão sendo fortalecidas para auxiliar neste momento.
Como os governos federal, estadual e municipal estão ajudando a região?
Em coletiva de imprensa realizada na cidade de Juiz de Fora, no último sábado, Lula ressaltou que o governo federal trabalharia nos moldes do que foi feito na tragédia climática que assolou o Rio Grande do Sul em 2024, com créditos liberados aos empresários para a recuperação de suas empresas.
De acordo com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, uma frente de trabalho específica já avalia a situação de Ubá. "Vamos publicar ainda esta semana as medidas e os parâmetros, que serão idênticos, em critérios e valores individuais, aos referenciais utilizados no Rio Grande do Sul."
Ou seja, haverá subsídio maior para empresas de menor porte, que têm menos condições de se reerguer, e proporcionalmente menor para empresas maiores", explicou. Os valores, entretanto, não foram informados.
Caso o plano de trabalho siga
fidedignamente ao Rio Grande do Sul, a tendência é que os créditos cedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tenham carência de 12 meses e os oferecidos pela Caixa Econômica Federal, 6 meses.
Até o momento, o governo federal já publicou no Diário Oficial da União (DOU) a prorrogação por pelo menos três meses dos prazos para pagamento de tributos federais, inclusive parcelamentos, para contribuintes domiciliados nos Municípios de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, localizados no Estado de Minas Gerais. A medida, no entanto, não se aplica ao Simples Nacional.
O que diz o governo estadual?
O vice-governador de Minas Gerais, Matheus Simões (Novo-MG), anunciou no último sábado que o governo mineiro vai oferecer, por meio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), R$ 200 milhões em linhas de crédito emergenciais para micro, pequenas, médias e grandes empresas, cooperativas de produção e negócios ligados ao agronegócio localizados em municípios que decretaram emergência e/ou calamidade pública em função dos temporais que atingiram o estado neste ano. A publicação engloba empresas de todo o estado, sem especificar uma iniciativa de crédito direta às empresas ubaenses.
Segundo o estado, as prefeituras terão
acesso à linha com taxa subsidiada por meio do BDMG Solidário Municípios 2026. O
prazo para pagar será de 120 meses, incluindo 12 meses de carência.
23 de janeiro 2024, 10:00
Paralelamente a Secretaria de Estado de Fazenda de Minas encaminhou ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) um pedido de autorização para que o estado possa conceder isenção de ICMS sobre doações e compras de bens voltados à
recuperação das atividades das empresas afetadas, sobretudo aquelas que tiveram prejuízos em máquinas, equipamentos e outros recursos indispensáveis ao seu funcionamento. A implementação dessa providência está condicionada à formalização de convênio específico, que, segundo o governo, deverá ser analisado e aprovado em regime de urgência.
A Sputnik Brasil procurou a assessoria de comunicação da Prefeitura Municipal de Ubá e perguntou sobre a previsão de medidas de suspensão ou adiamento da cobrança de impostos como o IPTU e o ISS e outras iniciativas que possam dar um fôlego ao setor comercial e industrial neste momento, mas não recebeu retorno da demanda.
Desastres já causaram mais de R$ 732 bilhões de prejuízos em cidades brasileiras
Um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) revela que, entre 2013 e 2024, foram contabilizados R$ 732,2 bilhões em perdas econômicas, atingindo 95% das cidades do país. Os dados foram publicados em dezembro do ano passado pela entidade.
O estudo também aponta fragilidades na organização das ações de proteção e defesa civil. Apenas 12% dos municípios possuem órgão próprio estruturado dentro de uma secretaria específica. Já 49% acumulam a função com outros setores da administração municipal, enquanto 32% contam com estrutura exclusiva, porém vinculada diretamente ao gabinete do prefeito.
Para a CNM, esses números evidenciam a desassistência enfrentada pelas gestões locais, marcada por políticas públicas de prevenção insuficientes e, quando existentes, com baixa efetividade e alcance limitado para promover soluções duradouras.
No mesmo período analisado (2013 a 2024), foram registradas mais de 70,3 mil decretações municipais de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública. Como consequência dos desastres, mais de 6 milhões de pessoas precisaram deixar suas casas em todo o país.
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