Astrônomos detectam gigamaser extremo produzido por fusão de galáxias distantes (IMAGEM)
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Um feixe cósmico de micro-ondas bilhões de vezes mais brilhante que um maser comum foi detectado a 8 bilhões de anos‑luz: um raro gigamaser gerado pela colisão de duas galáxias, cuja luz amplificada por lente gravitacional permitiu ao radiotelescópio MeerKAT registrar o fenômeno mais distante e intenso já observado.
Astrofísicos identificaram o mais brilhante e distante "gigamaser" já observado, um feixe natural de micro-ondas tão intenso que lembra os "lasers espaciais" da ficção científica. Ele está localizado a cerca de 8 bilhões de anos-luz e é produzido por uma colisão galáctica colossal, onde o gás comprimido estimula moléculas de hidroxila a emitir ondas de rádio extremamente amplificadas.
A descoberta foi feita pelo radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, com a ajuda de uma lente gravitacional criada por uma galáxia alinhada no caminho da luz. Esse alinhamento raro ampliou o sinal, permitindo que os cientistas detectassem o fenômeno com clareza incomum. Segundo os pesquisadores, trata-se do equivalente em rádio a um laser, mas em escala cósmica.

Ilustração de uma galáxia distante a 8 bilhões de anos-luz de distância (vermelha), ampliada por uma galáxia em disco em primeiro plano, resultando em um anel vermelho. A decomposição da luz de rádio em diferentes cores, como faz um prisma, revela o gigamaser de hidroxila (linha colorida no canto superior direito)
Lasers e masers surgem quando átomos ou moléculas excitados são estimulados a emitir fótons idênticos, criando um efeito de amplificação em cascata. Na natureza, masers podem aparecer em cometas, atmosferas planetárias, regiões de formação estelar e remanescentes de supernovas. Em ambientes mais extremos, como buracos negros supermassivos ou fusões de galáxias, surgem megamasers — e, em casos ainda mais raros, gigamasers.
O objeto recém-detectado, chamado HATLAS J142935.3–002836, pertence a essa categoria excepcional. Ele é bilhões de vezes mais brilhante que um maser comum, resultado direto da energia liberada pela fusão de duas galáxias. As interações gravitacionais intensas comprimem o gás e desencadeiam surtos de formação estelar, cujos fótons excitam moléculas de hidroxila e produzem a emissão poderosa observada.
A luz desse gigamaser viajou 7,82 bilhões de anos-luz até chegar ao MeerKAT, ultrapassando o recorde anterior de distância e estabelecendo-se como o mais brilhante já registrado. A amplificação adicional causada pela lente gravitacional foi crucial para revelar detalhes que, de outra forma, permaneceriam invisíveis.
Para os cientistas, a descoberta demonstra o potencial do MeerKAT para estudar megamasers e gigamasers em grandes distâncias, oferecendo pistas valiosas sobre fusões galácticas, fluxos de gás e a evolução das galáxias no Universo primitivo.




