Sonda da NASA detecta 1º sinal de rádio em Marte associado a descargas elétricas

© Getty Images / iStock/Evgeny Ostroushko
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Um sinal de rádio típico de descargas elétricas foi detectado pela primeira vez em Marte pela sonda MAVEN, indicando que o Planeta Vermelho pode registrar fenômenos semelhantes a raios e abrindo novas possibilidades para entender sua atmosfera e até seu potencial passado para processos químicos ligados à origem da vida.
A sonda MAVEN, da NASA, registrou pela primeira vez em Marte um "assobio" — um sinal de rádio típico de descargas elétricas — indicando que fenômenos semelhantes a raios ocorrem na atmosfera marciana. O registro, feito em 2015 e analisado agora, corresponde ao padrão de ondas de plasma geradas quando emissões de raios atravessam a ionosfera, como ocorre na Terra.
A descoberta reforça a ideia de que Marte abriga descargas elétricas, mesmo com sua atmosfera extremamente seca. Na Terra, raios também surgem em ambientes sem vapor d'água, como nuvens de cinzas vulcânicas, o que abre espaço para mecanismos semelhantes no Planeta Vermelho, especialmente em tempestades de poeira.

Marte é propenso a tempestades de poeira extremas e outros eventos climáticos. À esquerda, uma representação atmosférica do planeta em 26 de junho de 2001; à direita, Marte imerso em uma tempestade de areia global em 4 de setembro do mesmo ano, segundo observações do Hubble
O sinal detectado pela MAVEN apresenta as características clássicas de um assobio: uma onda de rádio de frequência muito baixa que se dispersa no tempo, produzindo um tom descendente quando convertida em áudio. Esse tipo de propagação depende de campos magnéticos, e embora Marte não tenha um campo global, possui regiões de magnetismo fossilizado na crosta.
Foi justamente sobre uma dessas regiões que o assobio foi registrado, a 349 quilômetros de altitude e no lado noturno do planeta — condição essencial, já que a luz solar comprime a ionosfera e impede a propagação das ondas. O evento durou 0,4 segundo e foi dez vezes mais forte que o ruído de fundo, coincidindo com previsões feitas décadas atrás.
Modelagens do campo magnético e da densidade do plasma mostraram que o sinal se ajusta perfeitamente ao que seria esperado de uma descarga elétrica forte na superfície. Embora o registro pareça fraco, a energia estimada na fonte é comparável à de um raio intenso na Terra, indicando um fenômeno robusto.
A raridade da detecção se explica pela combinação improvável de fatores necessários: geometria magnética adequada, ionosfera enfraquecida, ocorrência de um raio suficientemente forte e a passagem de uma espaçonave equipada no momento exato. Menos de 1% dos dados da MAVEN foram coletados em condições favoráveis.
Os cientistas acreditam que raios podem ser mais comuns em Marte do que se imaginava, o que tem implicações importantes. Experimentos mostram que descargas elétricas podem gerar moléculas orgânicas essenciais, sugerindo que fenômenos desse tipo podem ter contribuído para processos pré-bióticos no passado marciano — uma pista valiosa para a astrobiologia.

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