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A sombra da China no quintal dos EUA: o que significa a aproximação de México e Canadá com Pequim?
A sombra da China no quintal dos EUA: o que significa a aproximação de México e Canadá com Pequim?
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O desgaste provocado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com os vizinhos Canadá e México leva as nações a acelerar a diversificação de parceiros... 11.03.2026, Sputnik Brasil
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A segunda passagem de Trump pela Casa Branca tem sido marcada, no âmbito da política externa, por uma postura coercitiva em relação a alguns países do globo. Com México e Canadá, países mais próximos e que têm em Washington seu principal parceiro comercial, não tem sido diferente.Ao longo dos últimos anos, o presidente norte-americano já mandou e desmandou na aplicação de tarifas contra os vizinhos, acusou-os de permitir a entrada de drogas como o fentanil, e ainda sugeriu que o Canadá poderia se tornar o "51º estado" dos EUA.Os acontecimentos, comentam analistas ao Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, levam a uma crescente aproximação comercial de México e Canadá com a China. Embora não represente, por enquanto, uma ruptura com os Estados Unidos, o movimento indica uma tentativa de diversificação econômica diante das tensões comerciais e políticas no hemisfério.Cerca de 70% das exportações desses dois países têm como destino os Estados Unidos. Não se trata, portanto, segundo os especialistas, de um alinhamento com Pequim, mas uma resposta pragmática ao governo de Donald Trump.Conforme destaca Lívia Milani, pesquisadora do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais (IPPRI) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), os ataques retóricos e as medidas protecionistas do atual presidente dos EUA incentivaram os dois países a buscar novos parceiros econômicos para reduzir riscos de dependência excessiva.Mesmo assim, essa diversificação não ocorre de forma rápida ou simples. As cadeias produtivas, as relações comerciais e até as estruturas industriais do Canadá e do México foram construídas, ao longo de décadas, em torno da economia norte-americana.Ou seja, de acordo com a analista, tanto na dimensão estratégica quanto na comercial existe vontade política, mas há constrangimentos que são estruturais.Em outras palavras, Milani esclarece que historicamente a política de defesa canadense foi pensada a partir da ideia de uma proteção dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), da qual faz parte."Para o Canadá não é simplesmente uma questão de decidir se aproximar da China, por exemplo. Isso não acontece no curto prazo. E a mesma coisa do ponto de vista comercial", acrescenta.Parcerias com Pequim se fortalecem, mas nem tantoNo caso canadense, um acordo comercial facilitou o acesso da canola — importante produto agrícola do país — ao mercado chinês. A China representa um mercado de aproximadamente US$ 4 bilhões (R$ 20,7 bilhões) para a canola canadense, e a redução de tarifas ampliou a competitividade do produto.Em troca, o Canadá abriu cotas para até 49 mil veículos elétricos chineses por ano, reduzindo tarifas e permitindo uma maior entrada desses carros no mercado canadense.Já o México tem ampliado o comércio com Pequim e se tornou o maior importador de automóveis chineses, além de receber investimentos industriais do gigante asiático.A economia mexicana possui um forte setor de montagem industrial, especialmente no ramo automotivo, consolidado desde o acordo de livre comércio norte-americano firmado em 1994. Esse modelo facilita a integração de cadeias produtivas internacionais.Segundo João Estevam, professor de relações internacionais da Universidade Anhembi Morumbi, a China busca, nos últimos anos, tornar o México uma ponte para o mercado norte-americano.Justamente nesse contexto, a maior aproximação entre Pequim e Cidade do México gerou preocupações no governo Trump, que, segundo o analista, teriam levado Washington a pressionar o México a aplicar tarifas sobre produtos chineses."Parte dessas tarifas que foram colocadas sobre os produtos chineses, em dezembro do ano passado, envolve produtos manufaturados chineses que inclusive vão do México para os Estados Unidos", afirma o especialista.Esse tipo de movimentação, salienta Milani, é unicamente comercial, sobretudo pela própria geografia e pela dependência estrutural dos Estados Unidos tanto do Canadá quanto do México.Estevam segue a mesma linha de análise, ressaltando que Canadá e México "têm sido acossados constantemente por ameaças da gestão de Trump, [acusados] de serem alvos de ingerência terrestre". Segundo ele, "há fissuras, mas ainda assim existe um atrelamento de Canadá e México a essa estratégia norte-americana. Isso vai demorar a se desintegrar".
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A sombra da China no quintal dos EUA: o que significa a aproximação de México e Canadá com Pequim?
21:50 11.03.2026 (atualizado: 15:28 12.03.2026) Especiais
O desgaste provocado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com os vizinhos Canadá e México leva as nações a acelerar a diversificação de parceiros. Embora o movimento ainda seja tímido, a procura por uma aproximação com a China é simbólica.
A segunda passagem de Trump pela Casa Branca tem sido marcada, no âmbito da política externa, por uma
postura coercitiva em relação a alguns países do globo. Com México e Canadá, países mais próximos e que têm em Washington seu principal parceiro comercial, não tem sido diferente.
Ao longo dos últimos anos, o presidente norte-americano já mandou e desmandou na
aplicação de tarifas contra os vizinhos, acusou-os de permitir a entrada de drogas como o fentanil, e ainda sugeriu que o Canadá poderia
se tornar o "51º estado" dos EUA.Os acontecimentos, comentam analistas ao Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, levam a uma crescente aproximação comercial de México e Canadá com a China. Embora não represente, por enquanto, uma ruptura com os Estados Unidos, o movimento indica uma tentativa de diversificação econômica diante das tensões comerciais e políticas no hemisfério.
Cerca de 70% das exportações desses dois países têm como destino os Estados Unidos. Não se trata, portanto, segundo os especialistas, de um alinhamento com Pequim, mas uma resposta pragmática ao governo de Donald Trump.
Conforme destaca Lívia Milani, pesquisadora do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais (IPPRI) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), os ataques retóricos e as medidas protecionistas do atual presidente dos EUA incentivaram os dois países a buscar novos parceiros econômicos para reduzir riscos de dependência excessiva.
Mesmo assim,
essa diversificação não ocorre de forma rápida ou simples. As
cadeias produtivas, as
relações comerciais e até as
estruturas industriais do Canadá e do México
foram construídas, ao longo de décadas, em torno da economia norte-americana.
Ou seja, de acordo com a analista, tanto na dimensão estratégica quanto na comercial existe vontade política, mas há constrangimentos que são estruturais.
"Nós temos que pensar na política de defesa do Canadá como um todo. Ao longo de décadas foi construída essa proximidade, essa aliança estratégica com os Estados Unidos, que implica, por exemplo, os equipamentos que o próprio Canadá comprou. São equipamentos que vêm dos Estados Unidos", explica.
Em outras palavras, Milani esclarece que historicamente a política de defesa canadense foi pensada a partir da ideia de uma proteção dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), da qual faz parte.
"Para o Canadá não é simplesmente uma questão de decidir se aproximar da China, por exemplo. Isso não acontece no curto prazo. E a mesma coisa do ponto de vista comercial", acrescenta.
Parcerias com Pequim se fortalecem, mas nem tanto
No caso canadense, um acordo comercial facilitou o acesso da canola — importante produto agrícola do país — ao mercado chinês. A China representa um mercado de aproximadamente US$ 4 bilhões (R$ 20,7 bilhões) para a canola canadense, e a redução de tarifas ampliou a competitividade do produto.
Em troca, o Canadá abriu cotas para até 49 mil veículos elétricos chineses por ano, reduzindo tarifas e permitindo uma maior entrada desses carros no mercado canadense.
Já o México tem ampliado o comércio com Pequim e se tornou o maior importador de automóveis chineses, além de receber investimentos industriais do gigante asiático.
A economia mexicana possui um forte setor de montagem industrial, especialmente no ramo automotivo, consolidado desde o acordo de livre comércio norte-americano firmado em 1994. Esse modelo facilita a integração de cadeias produtivas internacionais.

1 de setembro 2025, 19:05
Segundo João Estevam, professor de relações internacionais da Universidade Anhembi Morumbi, a China busca, nos últimos anos, tornar o México uma ponte para o mercado norte-americano.
"O México tem sido um importante hub de peças, de equipamentos chineses que penetram nos mercados norte-americanos. […] Existe um potencial econômico importante que o México poderia aproveitar, mas no contexto atual, de maior rivalidade entre as grandes potências, sobretudo na área econômica entre Estados Unidos e China, parece-me que isso traz também uma certa vulnerabilidade para o México."
Justamente nesse contexto, a maior aproximação entre Pequim e Cidade do México gerou preocupações no governo Trump, que, segundo o analista, teriam levado Washington a pressionar o México a
aplicar tarifas sobre produtos chineses."Parte dessas tarifas que foram colocadas sobre os produtos chineses, em dezembro do ano passado, envolve produtos manufaturados chineses que inclusive vão do México para os Estados Unidos", afirma o especialista.
Esse tipo de movimentação, salienta Milani, é unicamente comercial, sobretudo pela própria geografia e pela dependência estrutural dos Estados Unidos tanto do Canadá quanto do México.
Estevam segue a mesma linha de análise, ressaltando que Canadá e México "têm sido acossados constantemente por ameaças da gestão de Trump, [acusados] de serem
alvos de ingerência terrestre". Segundo ele, "
há fissuras, mas ainda assim existe um atrelamento de Canadá e México a essa estratégia norte-americana. Isso vai demorar a se desintegrar".
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