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Escudo das Américas repete 'luta fracassada contra o narcotráfico', afirma especialista
Escudo das Américas repete 'luta fracassada contra o narcotráfico', afirma especialista
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Excluir México, Brasil e Colômbia da estratégia regional de combate ao narcotráfico ignora a experiência desses países e sua capacidade de unificar os... 12.03.2026, Sputnik Brasil
2026-03-12T05:42-0300
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O presidente dos EUA, Donald Trump, lançou um plano para usar "força militar letal" contra narcotraficantes e "redes terroristas" em coordenação com uma dúzia de líderes latino-americanos sob a chamada Iniciativa Escudo das Américas.No entanto, as maiores economias da região, México e Brasil, ficaram de fora da aliança, assim como a Colômbia, um país fundamental na luta contra esse flagelo.A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, argumentou que seu país não foi convidado "porque já temos um acordo com os Estados Unidos".Enquanto o presidente colombiano, Gustavo Petro, questionou a decisão dos EUA e enfatizou que, "no caso da cocaína, a Colômbia é essencial devido à sua experiência na erradicação" do cultivo e da distribuição dessa droga, ele comentou:Em resposta, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o país sul-americano não foi convidado porque não percebe "o nível de cooperação que gostaríamos".Ampliando a Doutrina DonroeEm entrevista à Sputnik, o analista internacional e diretor da Caribe Global, Héctor José Galeano David, considerou um erro da administração norte-americana excluir esses países da estratégia por diversos motivos.O primeiro, segundo o professor e pesquisador de Relações Internacionais, é que Colômbia e México "são os países da região com mais experiência" nessa área.Por outro lado, ele enfatizou que o Brasil é uma potência regional, e deixá-lo de fora ignora sua capacidade de articular e convergir os interesses dos diversos países da América Latina e do Caribe.Além disso, ele destacou que Washington pretende expandir a Doutrina Monroe "sem exceção" por todo o continente, para o que é essencial contar com parceiros que, "por menores que sejam, estejam dispostos a ampliar seu alcance ideológico [norte-americano] e suas ações imperialistas na região".Fator ideológicoDiante do exposto, o especialista afirmou que o Escudo das Américas é uma instituição excludente que, à semelhança do Conselho de Paz para a resolução do conflito em Gaza e em outras partes do mundo, baseia-se na convergência ideológica "e na clara subordinação" dos líderes convidados aos interesses de Washington."Partimos de uma premissa absolutamente falha: ideologizar um processo que não deveria ser ideologizado e que, em vez disso, deveria buscar um diálogo no qual os diversos países, especialmente a Colômbia e o México, possam explicar sua longa, complexa e, eu diria, sangrenta experiência na luta contra o narcotráfico", enfatizou o analista internacional.Portanto, Galeano afirmou que a experiência dos países latino-americanos demonstrou que, "quando a ideologia prevalece, esses processos estão fadados ao fracasso".EUA buscam pressionar o MéxicoLeopoldo Rodríguez Aranda, administrador público com mais de 15 anos de experiência em diversas áreas de segurança do governo federal mexicano, concorda. Ele declarou a esta publicação que o Escudo das Américas é "a mais recente manobra" na estratégia dos EUA para transformar os países da região em "áreas de dominação" onde os interesses de Washington prevalecem.Além disso, o especialista especificou que a Casa Branca "não convidaria a presidente Sheinbaum para uma reunião onde uma de suas prioridades é usar o combate ao narcotráfico como tática de pressão e estratégia de dominação ou atropelamento dos interesses de outros países"."O que, evidentemente, é uma narrativa completamente fabricada e falsa, porque o problema não são [apenas] aqueles que produzem as drogas; o problema são [também] aqueles que as inalam e ingerem", acrescentou.Nesse sentido, o especialista enfatizou que a questão do narcotráfico é primordialmente uma questão de consumo e, portanto, um problema de saúde pública que, em sua opinião, os Estados Unidos "não têm interesse em resolver"."Washington não tem interesse em abordar a raiz do problema, e a raiz do problema é sua sociedade narco-social", ressaltou.Uma estratégia convencionalPor todos os motivos acima, ambos os especialistas concordam que o Escudo das Américas é a estratégia convencional que Washington vem aplicando na região há décadas.Contudo, ele defendeu que o combate ao narcotráfico "não é uma questão de guerra", mas sim de "estratégia civil".A este respeito, ele mencionou que os Estados Unidos poderiam destinar apoio ao investimento social e à substituição de cultivos, "o que vem sendo discutido [na Colômbia] desde 1991, quando o Ato de Preferências Comerciais Andinas [ATPA] foi assinado".
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Escudo das Américas repete 'luta fracassada contra o narcotráfico', afirma especialista
Excluir México, Brasil e Colômbia da estratégia regional de combate ao narcotráfico ignora a experiência desses países e sua capacidade de unificar os interesses da região nessa questão, segundo especialistas consultados pela Sputnik. Combater esse problema "não é uma questão de guerra", mas sim de "estratégia civil".
O
presidente dos EUA, Donald Trump, lançou um
plano para usar "força militar letal" contra narcotraficantes e "redes terroristas" em coordenação com uma dúzia de líderes latino-americanos sob a chamada Iniciativa Escudo das Américas.
No entanto, as
maiores economias da região, México e Brasil, ficaram de fora da aliança, assim como a Colômbia, um país fundamental na
luta contra esse flagelo.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, argumentou que seu país não foi convidado "porque já temos um acordo com os Estados Unidos".
Enquanto o presidente colombiano, Gustavo Petro,
questionou a decisão dos EUA e enfatizou que, "no caso da cocaína, a Colômbia é essencial devido à sua experiência na erradicação" do cultivo e da
distribuição dessa droga, ele comentou:
"Me parece que com 17 países pequenos, fracos e inexperientes, não se pode criar um escudo".
Em resposta, a
secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o país sul-americano
não foi convidado porque não percebe "o nível de cooperação que gostaríamos".
"No entanto, esperamos que esta nova organização continue a se expandir e que possamos continuar convidando outros países", declarou a secretária de imprensa em uma coletiva.
Ampliando a Doutrina Donroe
Em entrevista à Sputnik, o analista internacional e diretor da Caribe Global, Héctor José Galeano David,
considerou um erro da administração norte-americana excluir esses países da estratégia por
diversos motivos.
O primeiro, segundo o professor e pesquisador de Relações Internacionais, é que Colômbia e México "são os países da região com mais experiência" nessa área.
"De fato, a Colômbia, sob o governo de Juan Manuel Santos [2010-2018], tornou-se, por assim dizer, uma exportadora não só de segurança, mas também do combate ao narcotráfico", explicou Galeano.
Por outro lado, ele enfatizou que o
Brasil é uma potência regional, e deixá-lo de fora ignora sua capacidade de articular e
convergir os interesses dos diversos países da América Latina e do Caribe.
"É um papel crucial que não pode ser negligenciado", ressaltou Galeano David.
Além disso, ele destacou que Washington pretende expandir a Doutrina Monroe "sem exceção" por todo o continente, para o que é essencial contar com parceiros que, "por menores que sejam, estejam dispostos a ampliar seu alcance ideológico [norte-americano] e suas ações imperialistas na região".
Diante do exposto, o especialista afirmou que o Escudo das Américas é uma instituição excludente que, à semelhança do
Conselho de Paz para a
resolução do conflito em Gaza e em outras partes do mundo, baseia-se na convergência ideológica "e na clara subordinação" dos líderes convidados aos interesses de Washington.
"Partimos de uma premissa absolutamente falha: ideologizar um processo que não deveria ser ideologizado e que, em vez disso,
deveria buscar um diálogo no qual os diversos países, especialmente a Colômbia e o México, possam explicar sua longa, complexa e, eu diria,
sangrenta experiência na luta contra o narcotráfico", enfatizou o analista internacional.
"A Colômbia e o México fizeram um enorme sacrifício, incluindo generais da ordem pública, altos funcionários e juízes nesta luta contra o narcotráfico", bem como civis deslocados, desaparecidos ou assassinados, acrescentou.
Portanto, Galeano afirmou que a
experiência dos países latino-americanos demonstrou que,
"quando a ideologia prevalece, esses processos estão fadados ao fracasso".
"Vivenciamos isso com a União de Nações Sul‑Americanas [UNASUL] e, posteriormente, com aquela estranha invenção promovida por Duque, Bolsonaro e Piñera [ex-presidentes da Colômbia, Brasil e Chile], o Fórum para o Progresso da América do Sul [Prosur], que também não resultou em nada", lembrou o acadêmico.
EUA buscam pressionar o México
Leopoldo Rodríguez Aranda, administrador público com mais de 15 anos de experiência em diversas áreas de segurança do governo federal mexicano, concorda. Ele declarou a esta publicação que o
Escudo das Américas é "a mais recente manobra" na estratégia dos EUA para transformar os países da região em "áreas de dominação" onde os
interesses de Washington prevalecem.
Além disso, o especialista especificou que a Casa Branca "não convidaria a presidente Sheinbaum para uma reunião onde uma de suas prioridades é usar o combate ao narcotráfico como tática de pressão e estratégia de dominação ou atropelamento dos interesses de outros países".
"O que Trump busca é justamente submeter o México aos seus interesses [...] e, além disso, essa é uma estratégia que ele usará com seu eleitorado: [dizendo a eles] que está combatendo os terroristas que traficam drogas e assassinam seus cidadãos", afirmou Rodríguez Aranda.
"O que, evidentemente, é uma
narrativa completamente fabricada e falsa, porque o problema não são [apenas] aqueles que produzem as drogas;
o problema são [também] aqueles que as inalam e ingerem", acrescentou.
Nesse sentido, o especialista enfatizou que a questão do narcotráfico é primordialmente uma questão de consumo e, portanto,
um problema de saúde pública que, em sua opinião, os Estados Unidos "
não têm interesse em resolver".
"Washington não tem interesse em abordar a raiz do problema, e a raiz do problema é sua sociedade narco-social", ressaltou.
Uma estratégia convencional
Por todos os motivos acima, ambos os especialistas concordam que o Escudo das Américas é a estratégia convencional que Washington vem aplicando na região há décadas.
"O que veremos é essa postura tradicional do governo dos EUA, que certamente não é nova, remontando aos séculos XIX, XX e XXI, que é a política da força bruta, porque para os Estados Unidos problemas dessa natureza são resolvidos com violência", argumentou Rodríguez Aranda.
Contudo, ele defendeu que o
combate ao narcotráfico "não é uma questão de guerra", mas sim de "estratégia civil".
"A perspectiva de Trump é a da luta tradicional e fracassada contra o narcotráfico [...], da autoridade policial e militar, mas acho muito claro que é essencial falar sobre a questão do investimento social", enfatizou Galeano David.
A este respeito, ele mencionou que os Estados Unidos
poderiam destinar apoio ao investimento social e à substituição de cultivos, "o que vem sendo discutido [na Colômbia] desde 1991, quando o Ato de Preferências Comerciais Andinas [ATPA] foi assinado".
"Acho que o próximo passo deveria ser apoiar o investimento social, os programas sociais, que Trump claramente não tem em sua agenda", concluiu Galeano David.
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