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'Não será somente para indígenas': Sonia Guajajara fala sobre universidade dos povos originários
'Não será somente para indígenas': Sonia Guajajara fala sobre universidade dos povos originários
Sputnik Brasil
Em entrevista à Sputnik Brasil, a ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia Guajajara, aborda a criação da primeira universidade federal destinada a... 12.03.2026, Sputnik Brasil
2026-03-12T19:24-0300
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Em novembro de 2025, o governo federal anunciou o envio do projeto de lei ao Congresso Nacional para a criação da Universidade Federal Indígena (Unind) — a primeira do país voltada aos povos originários do Brasil. A criação da instituição é vista como cumprimento de uma demanda histórica, segundo o ministro da Educação, Camilo Santana.A premissa da Unind é revitalizar as culturas distintas dos povos indígenas brasileiros, abordando conhecimentos como medicina, filosofia e ecologia originários. A universidade não será exclusiva para indígenas, mas terá, segundo o Ministério dos Povos Indígenas do Brasil, uma gestão administrativa e pedagógica indígena. É previsto que as primeiras turmas comecem em 2027.Para mais detalhes sobre a universidade e outros temas, a Sputnik Brasil conversou com a ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia Guajajara. A ministra contou como foi a articulação para a criação da Unind, afirmando que o ministério teve papel central desde o início do processo de formulação até a proposta final.Segundo ela, a construção do projeto envolveu amplo processo de escuta com lideranças e comunidades indígenas em todo o país, em que foram realizados diversos seminários com povos indígenas em diferentes estados, a fim de discutir como deveria ser a estrutura da instituição e quais áreas de formação deveriam ser priorizadas."Fizemos todos os diálogos necessários. Foram mais de 25 seminários para a escuta dos povos indígenas em praticamente todos os estados para entender como seria essa universidade", afirmou a ministra, acrescentando que o ministério acompanha de perto a tramitação do projeto de lei no Congresso Nacional. "O presidente Lula está empenhado diretamente para aprovar o mais rápido possível."Como conta Guajajara, a universidade deve proporcionar que mais indígenas frequentem e concluam o ensino superior. "Já são mais de 15 cursos listados para funcionar, e isso vai apoiar muito a formação para a gestão pública e outras áreas." A maioria desses cursos está voltada para áreas consideradas estratégicas para povos indígenas e a gestão de seus territórios.Entre os cursos divulgados estão gestão ambiental e territorial, gestão de políticas públicas, sustentabilidade socioambiental, promoção das línguas indígenas, saúde, direito, agroecologia, engenharias e tecnologias, formação de professores e outras áreas de interesse para a autonomia indígena.A ministra frisou que a universidade não será restrita a estudantes indígenas, o que deverá favorecer a troca de conhecimentos entre diferentes segmentos da sociedade: "Não será somente para indígenas. Será um espaço também de troca de conhecimento entre diversos saberes."Outro ponto levantado durante a entrevista foi a questão do financiamento da nova instituição. Questionada sobre os desafios orçamentários enfrentados pelas universidades federais, Guajajara reconheceu que o tema é uma dificuldade comum em todo o sistema de ensino superior público. Segundo ela, caberá ao Congresso Nacional definir o orçamento necessário para o funcionamento da nova universidade."As universidades federais já enfrentam dificuldades orçamentárias. Isso é um fato. Vamos trabalhar para que a universidade indígena tenha as condições necessárias para funcionar, mas quem vai dizer se o orçamento será suficiente é o Congresso Nacional." A ministra também disse que o governo continuará a atuar para garantir os recursos necessários ao funcionamento da Unind. "Cabe a nós fazer essa incidência permanente para garantir um orçamento adequado."Durante a entrevista, a ministra Sonia Guajajara também comentou outras pautas relacionadas aos direitos dos povos indígenas. Uma delas foi o rio Tapajós, em que o governo federal planejava drenagem para transformá-lo em uma hidrovia mais estruturada. A ideia é usar o rio como corredor logístico para escoar grãos, especialmente soja e milho, do Centro-Oeste até os portos amazônicos para exportação.Segundo a ministra, o Ministério dos Povos Indígenas tem atuado para garantir que qualquer decisão sobre obras ou empreendimentos na região respeite o direito de consulta das comunidades afetadas."Defendemos o direito à consulta e à escuta dos povos indígenas. Quando isso não acontece, seguimos fazendo todos os diálogos necessários para que aconteça", disse. A ministra acrescentou que, no caso do Tapajós, o ministério participou das articulações internas no governo para que as demandas apresentadas pelas lideranças indígenas fossem consideradas. "Trabalhamos para que aquela mobilização fosse escutada e atendida conforme o pleito das lideranças."Guajajara também destacou que conflitos entre projetos econômicos e os direitos das comunidades podem ser resolvidos por meio de diálogo e estudos prévios. "Se você faz os estudos e os diálogos necessários antes da implantação de qualquer empreendimento, tudo é possível de se ajustar."Além disso, a ministra comentou o debate da mineração em terras indígenas. No Senado, o Grupo de Trabalho sobre Regulamentação da Mineração em Terras Indígenas (GTMTI) fez uma audiência para discutir os modelos e a participação dos povos indígenas nas atividades de mineração, além de avaliar a regulamentação e a partilha dos resultados da lavra em seus territórios.Na avaliação da ministra, a legalização da atividade não resolveria os problemas atuais e poderia agravar os impactos sociais, culturais e ambientais nos territórios indígenas.
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Primeira universidade para povos originários do Brasil vai fortalecer a formação de indígenas em áreas estratégicas, estima ministra Sonia Guajajara
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Sonia Guajajara detalha formação de universidade para indígenas: 'Foram mais de 25 seminários para a escuta dos povos'
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'Não será somente para indígenas': Sonia Guajajara fala sobre universidade dos povos originários
19:24 12.03.2026 (atualizado: 19:49 12.03.2026) Especiais
Em entrevista à Sputnik Brasil, a ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia Guajajara, aborda a criação da primeira universidade federal destinada a indígenas, além de outros temas envolvendo os povos originários.
Em novembro de 2025, o governo federal anunciou o envio do projeto de lei ao
Congresso Nacional para a
criação da Universidade Federal Indígena (Unind) — a primeira do país voltada aos povos originários do Brasil. A criação da instituição é vista como cumprimento de uma demanda histórica, segundo o ministro da Educação, Camilo Santana.
A premissa da Unind é revitalizar as culturas distintas dos povos indígenas brasileiros, abordando conhecimentos como medicina, filosofia e ecologia originários. A universidade não será exclusiva para indígenas, mas terá, segundo o Ministério dos Povos Indígenas do Brasil, uma gestão administrativa e pedagógica indígena. É previsto que as primeiras turmas comecem em 2027.
Para mais detalhes sobre a universidade e outros temas, a Sputnik Brasil conversou com a ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia Guajajara. A ministra contou como foi a articulação para a criação da Unind, afirmando que o ministério teve papel central desde o início do processo de formulação até a proposta final.
Segundo ela, a construção do projeto envolveu amplo processo de escuta com lideranças e comunidades indígenas em todo o país, em que foram realizados diversos seminários com povos indígenas em diferentes estados, a fim de discutir como deveria ser a estrutura da instituição e quais áreas de formação deveriam ser priorizadas.
"Fizemos todos os diálogos necessários. Foram mais de 25 seminários para a escuta dos povos indígenas em praticamente todos os estados para entender como seria essa universidade", afirmou a ministra, acrescentando que o ministério acompanha de perto a tramitação do projeto de lei no Congresso Nacional. "O presidente Lula está empenhado diretamente para aprovar o mais rápido possível."
Como conta Guajajara, a universidade deve proporcionar que mais indígenas frequentem e concluam o
ensino superior. "Já são mais de 15 cursos listados para funcionar, e isso vai apoiar muito a formação para a gestão pública e outras áreas." A maioria desses cursos está voltada para
áreas consideradas estratégicas para povos indígenas e a gestão de seus territórios.
Entre os cursos divulgados estão gestão ambiental e territorial, gestão de políticas públicas, sustentabilidade socioambiental, promoção das línguas indígenas, saúde, direito, agroecologia, engenharias e tecnologias, formação de professores e outras áreas de interesse para a autonomia indígena.
A ministra frisou que a universidade não será restrita a estudantes indígenas, o que deverá favorecer a troca de conhecimentos entre diferentes segmentos da sociedade: "Não será somente para indígenas. Será um espaço também de troca de conhecimento entre diversos saberes."
"Serão disponibilizadas vagas e, certamente, qualquer processo de seleção vai contemplar a maior diversidade possível, como já temos feito garantindo a participação de diferentes regiões e povos."
Outro ponto levantado durante a entrevista foi a questão do financiamento da nova instituição. Questionada sobre os desafios orçamentários enfrentados pelas universidades federais, Guajajara reconheceu que o tema é uma dificuldade comum em todo o sistema de ensino superior público. Segundo ela, caberá ao Congresso Nacional definir o orçamento necessário para o funcionamento da nova universidade.
"As universidades federais já enfrentam dificuldades orçamentárias. Isso é um fato. Vamos trabalhar para que a universidade indígena tenha as condições necessárias para funcionar, mas quem vai dizer se o orçamento será suficiente é o Congresso Nacional." A ministra também disse que o governo continuará a atuar para garantir os recursos necessários ao funcionamento da Unind. "Cabe a nós fazer essa incidência permanente para garantir um orçamento adequado."
Durante a entrevista, a ministra Sonia Guajajara também comentou outras pautas relacionadas aos direitos dos povos indígenas. Uma delas foi o rio Tapajós, em que
o governo federal planejava drenagem para transformá-lo em uma hidrovia mais estruturada. A ideia é usar o rio como
corredor logístico para escoar grãos, especialmente soja e milho, do Centro-Oeste até os
portos amazônicos para exportação.
Segundo a ministra, o Ministério dos Povos Indígenas tem atuado para garantir que qualquer decisão sobre obras ou empreendimentos na região respeite o direito de consulta das comunidades afetadas.
"Defendemos o direito à consulta e à escuta dos povos indígenas. Quando isso não acontece, seguimos fazendo todos os diálogos necessários para que aconteça", disse. A ministra acrescentou que, no caso do Tapajós, o ministério participou das articulações internas no governo para que as demandas apresentadas pelas lideranças indígenas fossem consideradas. "Trabalhamos para que aquela mobilização fosse escutada e atendida conforme o pleito das lideranças."
Guajajara também destacou que conflitos entre projetos econômicos e os direitos das comunidades podem ser resolvidos por meio de diálogo e estudos prévios. "Se você faz os estudos e os diálogos necessários antes da implantação de qualquer empreendimento, tudo é possível de se ajustar."
"O que não pode é passar por cima dos direitos das pessoas e do meio ambiente para atender apenas a um único interesse."
Além disso, a ministra comentou o debate da mineração em terras indígenas. No Senado, o Grupo de Trabalho sobre Regulamentação da Mineração em Terras Indígenas (GTMTI) fez uma audiência para discutir os modelos e a participação dos povos indígenas nas atividades de mineração, além de avaliar a regulamentação e a partilha dos resultados da lavra em seus territórios.
Na avaliação da ministra, a legalização da atividade não resolveria os problemas atuais e poderia agravar os impactos sociais, culturais e ambientais nos territórios indígenas.
"No meu ponto de vista, a mineração ou o garimpo em terras indígenas só agrava a situação social, de saúde e cultural dentro dos territórios. A legalização não ajuda em nada, só piora."
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