Mídia: petróleo em alta ameaça crescimento dos EUA e pressiona Fed a adiar cortes de juros
05:28 18.03.2026 (atualizado: 13:31 18.03.2026)

© AP Photo / Andrew Harnik
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A disparada do petróleo após o fechamento parcial do estreito de Ormuz ameaça frear o crescimento dos EUA, reacender a inflação e adiar cortes de juros pela Reserva Federal dos EUA (Fed, na sigla em inglês), enquanto economistas alertam que o barril perto de US$ 100 pode reduzir o PIB e pressionar ainda mais consumidores e empresas.
De acordo com o Financial Times, o salto de quase 50% nos preços do petróleo desde o fim do mês passado já pressiona gasolina e diesel, alimentando preocupações de que o Fed seja forçado a adiar cortes de juros justamente às vésperas de sua primeira decisão desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
Economistas consultados pelo Clark Center for Global Markets afirmam que, se o petróleo se mantiver em torno de US$ 100 (R$ 529,63), o crescimento dos EUA deve desacelerar de forma acentuada.
A avaliação é reforçada pelo fechamento parcial do estreito de Ormuz por Teerã, rota por onde passa um quinto do petróleo mundial. A interrupção criou uma crise global de abastecimento e ameaça reduzir ainda mais as projeções de expansão para 2026.
Segundo a pesquisa, 68% dos especialistas estimam que o produto interno bruto (PIB) norte-americano perderá entre 0,25 e 0,5 ponto percentual neste ano caso o petróleo permaneça elevado. Apenas uma minoria vê algum efeito positivo.
O alerta contrasta com o discurso da Casa Branca, que minimiza o impacto econômico da guerra e afirma que o conflito não deve alterar substancialmente as perspectivas da maior economia do mundo.
O cenário se agrava porque a economia dos EUA já vinha perdendo fôlego. Segundo dados compilados pela apuração, cresceu apenas 0,7% no último trimestre de 2025, após ter avançado 4,4% no período anterior. Além disso, o mercado de trabalho mostra sinais de enfraquecimento, com a perda de 92 mil empregos em fevereiro e demissões em larga escala em diversos setores.
A alta dos combustíveis também pressiona a inflação, que permanece acima da meta do Fed. O índice de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) está em 2,8%, e mais de 80% dos economistas acreditam que o petróleo a US$ 100 adicionaria até 0,5 ponto percentual à inflação até o fim do ano. Isso deve atrasar ainda mais o retorno do núcleo do PCE ao objetivo de 2%.
Segundo a mídia britânica, seis em cada dez especialistas consultados pelo centro de pesquisa projetam agora que a inflação norte-americana só voltará à meta em 2028, ampliando o horizonte em relação às expectativas de dezembro. Com isso, cresce a percepção de que o Fed terá de manter os juros elevados por mais tempo, frustrando apostas de cortes ainda em 2026.
Os mercados já precificam que a autoridade monetária manterá a taxa básica entre 3,5% e 3,75% na decisão desta quarta-feira (18), enquanto o aumento do petróleo empurra o próximo corte para a primavera (Hemisfério Norte) de 2027. O Fed também divulgará novos "gráficos de pontos", que devem refletir maior cautela diante do choque energético.
Entre os economistas consultados, um terço já não espera reduções de juros ao longo de 2026. Para alguns, como o professor Stephen Cecchetti, a incerteza é tão grande que a postura mais prudente é aguardar: o Fed, diz ele, terá pouca margem para agir enquanto o conflito no Oriente Médio continuar a distorcer preços e expectativas.




