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'Por um fio': cúpula esvaziada da CELAC escancara divisão regional, apontam analistas
'Por um fio': cúpula esvaziada da CELAC escancara divisão regional, apontam analistas
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Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas destacam os desafios da América Latina e do Caribe diante da presença cada vez maior das políticas de Washington... 20.03.2026, Sputnik Brasil
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A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) organiza neste final de semana sua décima cúpula de chefes de Estado, que nesta edição terá como sede Bogotá, capital da Colômbia. A organização é reconhecida como o principal fórum multilateral da região.Embora o próprio nome do encontro defina que a reunião envolve as principais lideranças latino-americanas e caribenhas, apenas o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi; e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, confirmaram presença na cúpula, além do anfitrião, o presidente Gustavo Petro.O encontro da CELAC acontece à sombra do Escudo das Américas, programa de combate ao narcoterrorismo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, há pouco mais de duas semanas, em um evento que reuniu alguns de seus principais aliados na América Latina e Caribe, como o presidente da Argentina, Javier Milei.Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas explicam que a CELAC vive um dos seus maiores momentos de fragilidade, diante de uma região dividida entre vieses políticos antagônicos, com abordagens distintas para diferentes pautas, como a segurança pública, por exemplo.Ghaio Nicodemos, pesquisador vinculado ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/UERJ), explica que discursos e ações de Trump são um dos principais responsáveis pelo esvaziamento da cúpula deste fim de semana, citando, em especial, as ausências de Argentina e Equador, que possuem forte alinhamento com os Estados Unidos neste momento. Segundo o analista, a estratégia do republicano de esvaziar fóruns já foi usada contra a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).Para Nicodemos, o crescimento do que ele classifica como extrema-direita é muito maior hoje do que a ascensão dos governos liberais da década passada na América do Sul. No entendimento do pesquisador, há um "estrago" na institucionalidade da região devido ao comportamento desses governantes.Regiane Bressan, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ressalta que as nações das Américas vivem um momento de fragmentação de sua unidade, e a CELAC, por sua vez, não consegue reagir à altura para contornar esse dilema.Bressan acredita que o regionalismo latino-americano esteja enfrentando "seu teste máximo" com resiliência. No entanto, a especialista concorda com Nicodemos sobre a baixa institucionalidade na região, ainda altamente dependente de soluções do Norte Global em áreas como tecnologia.Problemas parecidos, abordagens diferentesÉ inegável que a América Latina, como um todo, sofre com questões relacionadas ao tráfico de drogas. E, apesar de o problema ser similar em alguns países, e com possibilidade de ser debatido em conjunto na CELAC, ele não é idêntico, e tampouco a abordagem definida pelos governos.O Brasil, por exemplo, é contra a interferência norte-americana no combate ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A Colômbia, por sua vez, por meio de Petro, relutou à classificação de narcoterrorismo imposta por Washington a certos grupos, mas aceitou a ajuda para combater os produtores de drogas. Já o Paraguai deu carta branca para a Casa Branca atuar no país.Segundo Nicodemos, a segurança pública poderia ser uma pauta universal na CELAC, mas falta consenso sobre como agir. Como exemplo, o pesquisador cita o bombardeio na fronteira entre Equador e Colômbia: "Uma agenda securitária militar virou uma agenda securitária de guerra".Nicodemos também explica que as abordagens legais dos países diante dos grupos narcotraficantes acompanham as pretensões dessas organizações. Enquanto, no Brasil, CV e PCC exercem controle de territórios para fomentar a venda de drogas, organizações na Colômbia utilizam o tráfico para sustentar suas ações políticas enquanto guerrilha.
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'Por um fio': cúpula esvaziada da CELAC escancara divisão regional, apontam analistas
20:21 20.03.2026 (atualizado: 21:44 20.03.2026) Especiais
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas destacam os desafios da América Latina e do Caribe diante da presença cada vez maior das políticas de Washington para a região, em especial no combate ao tráfico de drogas, classificado pela Casa Branca como narcoterrorismo.
A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) organiza neste final de semana sua décima cúpula de chefes de Estado, que nesta edição terá como sede Bogotá, capital da Colômbia. A organização é reconhecida como o principal fórum multilateral da região.
Embora o próprio nome do encontro defina que a reunião envolve as principais lideranças latino-americanas e caribenhas, apenas o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi; e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, confirmaram presença na cúpula, além do anfitrião, o presidente Gustavo Petro.
O encontro da CELAC acontece à sombra do
Escudo das Américas, programa de combate ao narcoterrorismo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, há pouco mais de duas semanas, em um evento que reuniu alguns de seus principais aliados na
América Latina e Caribe, como o presidente da Argentina,
Javier Milei.
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas explicam que a CELAC vive um dos seus maiores momentos de fragilidade, diante de uma região dividida entre vieses políticos antagônicos, com abordagens distintas para diferentes pautas, como a segurança pública, por exemplo.
Ghaio Nicodemos, pesquisador vinculado ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/UERJ), explica que discursos e ações de Trump são um dos principais responsáveis pelo esvaziamento da cúpula deste fim de semana, citando, em especial, as ausências de Argentina e Equador, que possuem forte alinhamento com os Estados Unidos neste momento. Segundo o analista, a estratégia do republicano de esvaziar fóruns já foi usada contra a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).
"Se a gente olhar para a primeira gestão Trump, a gente vai observar um esforço coordenado de esvaziamento da Unasul, que era uma organização regional também muito importante, que também foi constituída na época dos dois primeiros governos Lula, na época da Maré Rosada, na união desses países progressistas, em uma institucionalidade alternativa que permitia um enfrentamento a esses problemas estruturais regionais."
Para Nicodemos, o crescimento do que ele classifica como extrema-direita é muito maior hoje do que a ascensão dos governos liberais da década passada na América do Sul. No entendimento do pesquisador, há um "estrago" na institucionalidade da região devido ao comportamento desses governantes.
"Não percebo um espaço para a criação de consenso na CELAC, e talvez algumas pautas, como a questão da soberania alimentar, a questão do combate à pobreza, não sejam mais prioridade desses governos alinhados ao Trump. Então é indiscutível que a CELAC hoje está por um fio, como a Unasul esteve há dez anos. Então é um desafio de existência."
Regiane Bressan, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ressalta que as nações das Américas vivem um momento de fragmentação de sua unidade, e a CELAC, por sua vez, não consegue reagir à altura para contornar esse dilema.
"A CELAC busca ser um fórum onde a região fala por si mesma, sem a moldura dos Estados Unidos. Isso é fato. Mas o bloco vem sofrendo muita fragmentação. Então países como Brasil e Venezuela defendem a unidade contra o imperialismo, e outros, como a Argentina, vão se alinhando aos Estados Unidos. Isso está criando muita dificuldade de medidas mais homogêneas e efetivas contra o poder militar e econômico dos Estados Unidos."
Bressan acredita que o regionalismo latino-americano esteja enfrentando "seu teste máximo" com resiliência. No entanto, a especialista concorda com Nicodemos sobre a baixa institucionalidade na região, ainda altamente dependente de soluções do Norte Global em áreas como tecnologia.
"Eu não vejo uma situação muito favorável, honestamente, para a CELAC. A resistência não é apenas diplomática, aliás, é econômica. Então a gente precisa reduzir a dependência das cadeias de suprimento e tecnologias que são controladas pelo Norte."
Problemas parecidos, abordagens diferentes
É inegável que a América Latina, como um todo, sofre com questões relacionadas ao tráfico de drogas. E, apesar de o problema ser similar em alguns países, e com possibilidade de ser debatido em conjunto na CELAC, ele não é idêntico, e tampouco a abordagem definida pelos governos.
O
Brasil, por exemplo, é contra a interferência norte-americana no combate ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A Colômbia, por sua vez, por meio de Petro,
relutou à classificação de narcoterrorismo imposta por Washington a certos grupos,
mas aceitou a ajuda para combater os produtores de drogas. Já o
Paraguai deu carta branca para a Casa Branca atuar no país.
Segundo Nicodemos,
a segurança pública poderia ser uma pauta universal na CELAC, mas falta consenso sobre como agir. Como exemplo, o pesquisador cita o bombardeio na
fronteira entre Equador e Colômbia: "Uma agenda securitária militar virou uma agenda securitária de guerra".
"Bombardear regiões internas do país na tentativa de suprimir acampamentos de traficantes, ou coisa que o valha, nunca esteve no radar da região, mesmo nos piores momentos do Plano Colômbia. Então acho que aqui também a gente tem uma pauta que poderia ter sido consensual, mas que o Escudo das Américas mudou completamente como isso pode ser levado dentro da CELAC."
Nicodemos também explica que as abordagens legais dos países diante dos grupos narcotraficantes acompanham as pretensões dessas organizações. Enquanto, no Brasil, CV e PCC exercem controle de territórios para fomentar a venda de drogas, organizações na Colômbia utilizam o tráfico para sustentar suas ações políticas enquanto guerrilha.
"O narcotráfico colombiano funciona em uma toada diferente. Lá a gente tem organizações politicamente orientadas, disputando território e usando o tráfico de drogas para sustentar uma guerra que dura décadas. […] A gente observa que tem uma separação clara, de um objetivo de tomada violenta do poder através do terror, de atentados, da violência; e de um objetivo de exploração econômica da ilegalidade que se apresenta."
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