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2ª Guerra Mundial: ecos, lições e marcas no século XXI
A série revisita as batalhas do Exército Vermelho e da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial. Ao recuperar essas histórias, revela como as marcas do conflito continuam presentes no mundo contemporâneo.​

'Lição da batalha de Rzhev: superioridade tecnológica não define vencedor', diz historiador (VÍDEOS)

© Sputnik / Boris VdovenkoBatalha de Rzhev na Grande Guerra pela Pátria 1941-1945. Frente Kalinin. Boris Vdovenko/RIA Novosti
Batalha de Rzhev na Grande Guerra pela Pátria 1941-1945. Frente Kalinin. Boris Vdovenko/RIA Novosti - Sputnik Brasil, 1920, 21.03.2026
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A batalha de Rzhev, ocorrida entre 5 de janeiro de 1942 e 21 de março de 1943, foi uma das mais importantes na Grande Guerra pela Pátria por ter sido fundamental para impedir que os alemães nazistas chegassem a Moscou. Esse confronto, em um período turbulento que mudou o curso da história, deixou lições para os manuais militares.
Esse conflito foi um dos mais sangrentos e chegou a ser conhecido como "moedor de carne". O desgaste ocasionado pela longa duração desse embate pode ser comparado à guerra civil na Síria (iniciada em 2011), apesar do distanciamento histórico entre os episódios, como explica Eden Pereira, historiador e membro do Grupo de Estudos 9 de maio, em entrevista à Sputnik para o quarto capítulo da série "Segunda Guerra Mundial: ecos, lições e marcas no século XXI".

"Do ponto de vista militar, as guerras do século XX demonstraram a importância de se ter controle da infraestrutura de telecomunicações. Em Rzhev, apesar de a Alemanha nazista ter conseguido tomar a cidade, ainda teve que lidar com as guerrilhas insurgentes. Por isso, faço um paralelo com a Síria, no sentido de observar a ação de forças insurgentes que não permitiram o controle completo a partir das cidades", disse.

Além da Síria, o especialista também traça paralelos entre Rzhev e conflitos que perduram na atualidade, que mesclam tanto o desgaste do tempo quanto a assimetria de forças entre exércitos regulares e grupos insurgentes, em tese com menos poderio bélico, mas que resistem e usam a exaustão do adversário como ferramenta de contra-ataque.

"Eu fiz o paralelo entre Rzhev e a Síria, mas a gente também pode fazer com o Afeganistão e talvez até mesmo com Mianmar, no sentido de observação das forças insurgentes atuando no território em guerra de desgaste", pontua.

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Para Pereira, que é especialista no tema e publicou seu estudo "Às portas de Moscou: a sangrenta batalha por Rzhev (janeiro de 1942 – março de 1943)" no livro "A Grande Guerra Patriótica dos Soviéticos", o grande legado deixado para os estrategistas militares é o fato de que a alta tecnologia não garante vitória e que o imponderável pode prevalecer.

"Para os manuais militares, as lições que ficam são que não é possível operar ofensivas sem ter capacidade de comunicação na retaguarda para abastecer a linha de frente, isso custa muitas vidas, e que a superioridade militar e tecnológica não determina o vencedor. A Alemanha nazista tinha uma capacidade superior e foi derrotada, e não manteve sua retaguarda", comenta.

As etapas da batalha de Rzhev

O especialista também detalha que essa batalha foi tão violenta que chegou a ser comparada às batalhas de Verdun e Ypres, na Primeira Guerra Mundial. Antes da derrota das tropas de Adolf Hitler para o Exército Vermelho, esse teatro de operações Nesse panorama historiográfico da frente Leste, Pereira também relembra que Rzhev, diretamente envolvida na disputa por Moscou, teve um cenário letal parecido com o da batalha de Stalingrado, e ambas são até complementares em certa medida.

"A fase inicial foi quando os alemães usaram Rzhev para tentar refazer a ofensiva sobre Moscou. Em seguida, houve um momento de indefinição, no qual os soviéticos conseguiram se defender e empreender ações ofensivas. Por fim, ocorre a Operação Marte, empreendida pela URSS, que quase gerou a captura do 9º Exército Alemão, na época liderado por Walter Model", disserta.

Nesse panorama historiográfico da frente Leste, Pereira também relembra que Rzhev, diretamente envolvida na disputa por Moscou, teve um cenário letal parecido com o da batalha de Stalingrado, e ambas são até complementares em certa medida.

"A batalha de Rzhev foi mais longa do que a de Stalingrado, mas as duas se conectam quando os alemães perdem na parte central e começam a investir em Stalingrado, ao sul, que era o principal centro de abastecimento não só de petróleo, mas também de alguns equipamentos, porque precisavam obter alguma vitória político-militar, e o foco passou a ser ali", conclui.

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Pela complexidade das batalhas ocorridas ao longo da Grande Guerra pela Pátria, nas quais os soviéticos se sacrificaram para defender seu país da invasão nazifascista e depois tomar Berlim e vencer a Alemanha, a cada ano que passa surgem novos estudos sobre um passado que tem muitas correlações e lições que ainda fazem muito sentido nos dias atuais.
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