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Exoluas de planetas errantes podem sustentar calor e água líquida por bilhões de anos, aponta estudo

CC BY 4.0 / NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva / An artist's impression of a free-floating planet (cropped image)Representação artística de um planeta errante. Usando observações e dados de arquivo de vários observatórios do NOIRLab da NSF, juntamente com observações de telescópios ao redor do mundo e em órbita, astrônomos descobriram pelo menos 70 novos planetas errantes em uma região próxima da Via Láctea conhecida como associação estelar Upper Scorpius OB
Representação artística de um planeta errante. Usando observações e dados de arquivo de vários observatórios do NOIRLab da NSF, juntamente com observações de telescópios ao redor do mundo e em órbita, astrônomos descobriram pelo menos 70 novos planetas errantes em uma região próxima da Via Láctea conhecida como associação estelar Upper Scorpius OB - Sputnik Brasil, 1920, 22.03.2026
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Planetas errantes podem abrigar exoluas aquecidas por forças de maré e envoltas por atmosferas densas de hidrogênio, capazes de manter água líquida por bilhões de anos — uma possibilidade que transforma esses mundos solitários em candidatos inesperados à habitabilidade cósmica.
Planetas errantes — mundos que vagam sem estrela — sempre foram vistos como esferas frias e inóspitas, condenadas à escuridão interestelar. Ainda assim, estimativas sugerem que eles podem ser incrivelmente comuns, talvez até 21 para cada estrela da Via Láctea. A imagem clássica é a de gigantes solitários, incapazes de sustentar qualquer forma de habitabilidade. Mas essa visão começa a mudar quando se considera que muitos deles podem carregar consigo exoluas.
Essas luas, arrancadas de seus sistemas originais junto com o planeta, passam por intensas perturbações gravitacionais. Suas órbitas ficam alongadas e comprimidas, gerando aquecimento de maré — um processo capaz de aquecer o interior desses corpos mesmo na ausência total de luz estelar. Esse mecanismo cria uma fonte interna de energia que, em teoria, poderia manter água líquida sob a superfície ou até mesmo na superfície, caso a atmosfera fosse adequada.
Modelos iniciais tentaram explicar essa habitabilidade com atmosferas densas de dióxido de carbono (CO2), que funcionariam como um cobertor térmico. Porém, sob pressões extremas, o CO2 se torna instável: condensa, colapsa e perde a capacidade de reter calor. A ideia, embora promissora, não resistiu às limitações físicas impostas por atmosferas tão espessas.
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A reviravolta veio com o hidrogênio. Novos estudos mostram que atmosferas densas e ricas nesse elemento podem reter calor de forma muito mais eficiente.

O segredo está na absorção induzida por colisão: em atmosferas comprimidas, moléculas de hidrogênio interagem brevemente e absorvem radiação infravermelha, mantendo o calor próximo à superfície. Esse processo pode sustentar condições adequadas para água líquida por até 4,3 bilhões de anos.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores combinaram ferramentas avançadas: o código radiativo HELIOS, que simula o transporte de calor, e o GGchem, que calcula a composição química atmosférica em equilíbrio. Juntos, eles permitem visualizar mundos extremos onde aquecimento de maré e atmosferas espessas de hidrogênio criam ambientes surpreendentemente estáveis e potencialmente habitáveis.
Ainda assim, o modelo tem limitações. Ele assume gravidade constante, o que pode distorcer resultados em atmosferas muito densas, e considera apenas atmosferas "secas", sem incluir o papel do vapor d’água ou da condensação. Além disso, o GGchem trata cada camada atmosférica isoladamente, sem simular a circulação de moléculas entre elas. E, claro, água líquida não garante vida — apenas abre a possibilidade.
Mesmo com essas incertezas, o estudo inaugura um novo campo de exploração. Pesquisas futuras devem incorporar nuvens, vapor d'água e outras composições atmosféricas, ampliando o entendimento desses mundos errantes.
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