Crise do rotativo acende alerta no Planalto e força governo a rever regras do crédito, diz mídia
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O governo Lula passou a discutir mudanças nas regras do cartão de crédito para reduzir o custo do rotativo, considerado hoje o principal fator de endividamento das famílias. A avaliação interna é de que o peso das dívidas tem neutralizado os efeitos positivos da economia, como queda do desemprego e aumento da renda.
De acordo com a Folha de S.Paulo, o tema foi debatido em reuniões recentes entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula do Executivo, incluindo ministros da área política e da comunicação. Gleisi Hoffmann e Sidônio Palmeira defendem alterações nos critérios de definição de limites do rotativo, diante do diagnóstico de que as famílias chegam ao fim do mês sem dinheiro devido ao alto comprometimento da renda com dívidas.
Dados do Banco Central (BC) mostram que as famílias destinam 29% dos ganhos ao pagamento de compromissos financeiros, o maior nível em duas décadas. O rotativo do cartão é o principal foco de inadimplência, com 63,5% de calotes em janeiro e juros de 14,81% ao mês — superiores à própria Selic anual.
Embora o Congresso tenha aprovado em 2024 um limite que impede que juros e encargos dobrem o valor da dívida original, auxiliares de Lula consideram que a medida não foi suficiente. Por isso, o governo também estuda mudanças no consignado privado, cujas taxas seguem elevadas mesmo após reformulação recente.
Entre as propostas em análise está a definição de um teto prático para juros considerados abusivos e a regulamentação do uso do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia no consignado privado, o que poderia reduzir custos.
Segundo a apuração, representantes do setor financeiro avaliam que, em ano eleitoral, o Congresso tende a aprovar medidas que aliviem o crédito, como ocorreu com a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR).
O governo também pode discutir alterações no limite de juros do cheque especial, hoje fixado em 8% ao mês. Em 2023, a ideia de impor um teto ao cartão de crédito foi abandonada após estudo dos bancos indicar que milhões de cartões seriam cancelados, mas o setor acredita que o tema voltará à mesa.
As críticas internas ao modelo de estímulo ao crédito adotado no governo Lula permanecem. Técnicos da área econômica afirmam que programas como o Desenrola ajudaram, mas não resolveram problemas estruturais do endividamento, que seguem pressionando o orçamento das famílias e o ambiente político do governo, conclui a Folha.




