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EUA, Israel e Argentina rejeitam moção da ONU que declara escravidão como maior crime da humanidade

© AP Photo / Yuki IwamuraVisão geral da reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas na sede da organização, em Nova York. EUA, 29 de agosto de 2024
Visão geral da reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas na sede da organização, em Nova York. EUA, 29 de agosto de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 25.03.2026
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Apresentada no dia 17 de março, o voto da Assembleia Geral contou com 123 votos favoráveis, incluindo o Brasil. Houve 52 abstenções, principalmente de países europeus, enquanto apenas Estados Unidos, Israel e Argentina rejeitaram alegando "competição entre crimes".
Em votação simbólica, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) declarou nesta quarta-feira (25) a escravidão e o tráfico transatlântico do povo africano como os crimes mais graves contra a humanidade.
A proposta, defendida por Gana e pela União Africana, busca que os Estados que se beneficiaram desses crimes peçam desculpas e contribuam para projetos de reparação para descendentes das vítimas. A resolução propõe que Estados trabalhem também por políticas de combate ao racismo e restituição de bens culturais e espirituais saqueados de países africanos.
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A votação contou com 123 países que aprovaram a declaração, incluindo Brasil, enquanto 52 se abstiveram e apenas três rejeitaram a iniciativa, sendo estes EUA, Israel e Argentina. John Mahama, presidente de Gana, veio à sede da ONU para apoiar a votação, classificando a decisão da entidade como "histórica".
Embora tenha ficado de fora do grupo de países que patrocinaram a resolução, o Brasil entrou como copatrocinador durante a sessão. A delegação brasileira pretendia colaborar na edição do texto condenando a escravidão, mas ficou de fora. O país sul-americano foi o principal destino do tráfico transatlântico, tendo cerca de 5 milhões de pessoas escravizadas entre o século 16 a 19.
Na terça-feira (24), Mahama criticou políticas atuais que "normalizam lentamente o apagamento" da escravidão e do tráfico transatlântico, citando que esses temas estão sendo menos abordados em escolas dos Estados Unidos.
Em sua justificativa pela rejeição do texto, os Estados Unidos alegaram que se trata de um material "altamente problemático", acusando o texto de criar uma "competição" entre crimes. Embora argumentos semelhantes tenham sido apresentados pela União Europeia, estes se abstiveram da votação. O ministro das Relações Exteriores de Gana, Samuel Okudzeto, rebateu a crítica do texto.

"Não estamos hierarquizando o sofrimento. Não estamos dizendo que o nosso sofrimento é mais valioso do que o seu", afirmou Okudzeto. "O que estamos dizendo é que, quando se observa todas as atrocidades que ocorreram na história da humanidade, nenhuma foi tão sistêmica, tão duradoura, com mais de 300 anos e com consequências tão permanentes."

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