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'Ártico é uma alternativa a Ormuz, e Rússia lidera a nova rota logística', diz analista (VÍDEOS)
'Ártico é uma alternativa a Ormuz, e Rússia lidera a nova rota logística', diz analista (VÍDEOS)
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Com o avanço da Rota Marítima do Norte e o aumento do tráfego de petróleo, o Ártico se torna um caminho a ser explorado em um momento de instabilidade em... 01.04.2026, Sputnik Brasil
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A região passa por transformações que superam barreiras climáticas e viabilizam o fluxo de grandes embarcações, como os petroleiros nesse cenário em transição, não apenas na geopolítica, mas também no comércio exterior.A nova dinâmica em curso reforça o protagonismo da Rússia, que investe em infraestrutura e capacidade operacional no espaço polar, conforme explica Letícia da Luz, mestranda em estudos marítimos na Escola de Guerra Naval (EGN) e pesquisadora do Núcleo de Avaliação da Conjuntura (NAC), em entrevista à Sputnik Brasil.A especialista, que também atua profissionalmente no setor de logística internacional e integra o Grupo Economia do Mar (GEM), enfatiza que apesar de o estreito de Ormuz — onde se concentra entre 20% e 30% do trânsito de petróleo — seguir sendo muito importante no âmbito comercial global, a rota ártica já está ativa, em expansão e já se tornou uma alternativa.Em seu artigo recente publicado no Boletim Geocorrente da EGN, Letícia aponta que o fluxo comercial de petróleo via Ártico aumentou 400% em relação aos últimos 12 anos.Nova Rota da Seda Polar 'aquece' o ÁrticoA proximidade de Pequim e Moscou torna a rota pelo Ártico atrativa aos chineses para chegar mais rapidamente a mercados importantes como a Europa e as Américas. Atualmente, como ressaltou a pesquisadora, já acontece uma movimentação com a cooperação entre os dois países.Letícia também destaca que a tendência é de que essa rota seja cada vez mais consolidada pela China, devido ao conturbado cenário internacional que limita suas alternativas para o escoamento das mercadorias que importa e exporta. Além disso, a infraestrutura russa no Ártico acaba sendo um atrativo para a navegação.Pontos de tensão podem 'aumentar a temperatura'O controle de rotas comerciais que visa pela integração econômica entre países também se torna uma das principais razões para disputas geopolíticas que culminam em tensões, como o que acontece em Ormuz.A analista aponta que, apesar do desenvolvimento da Rota Marítima do Norte, esta não está imune a conflitos ou tensionamentos políticos, principalmente pela cobiça da política externa expansionista da Casa Branca, que até pouco tempo sinalizou que queria anexar a Groenlândia.Outro fator a ser levado em consideração são os ingressos de Suécia e Finlândia na OTAN — organização que sofre bastante pressão dos EUA. Conforme Letícia, esses Estados podem acabar servindo como plataforma para maior presença estadunidense no entorno estratégico da Ártico.Em uma transição sistêmica com conflitos e pressões diplomáticas, isso demonstra que a geografia se torna cada vez mais importante, uma vez que o domínio dessas rotas, através dos estreitos, acentua tanto o poder econômico quanto político dos países que controlam esses fluxos.
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'O Ártico é válvula de escape de Ormuz e a Rússia lidera o processo logístico', diz analista
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'China e Rússia intensificaram o tráfego comercial no Ártico', comenta internacionalista
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'EUA vêem o Ártico como entorno estratégico e pode tensionar a região', diz pesquisadora
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'Ártico é uma alternativa a Ormuz, e Rússia lidera a nova rota logística', diz analista (VÍDEOS)
12:57 01.04.2026 (atualizado: 14:14 01.04.2026) Especiais
Com o avanço da Rota Marítima do Norte e o aumento do tráfego de petróleo, o Ártico se torna um caminho a ser explorado em um momento de instabilidade em gargalos tradicionais, como o estreito de Ormuz, no Oriente Médio.
A região passa por transformações que superam barreiras climáticas e viabilizam o fluxo de grandes embarcações, como os petroleiros nesse cenário em transição, não apenas na geopolítica, mas também no comércio exterior.
A nova dinâmica em curso reforça o protagonismo da Rússia, que investe em infraestrutura e capacidade operacional no espaço polar, conforme explica Letícia da Luz, mestranda em estudos marítimos na Escola de Guerra Naval (EGN) e pesquisadora do Núcleo de Avaliação da Conjuntura (NAC), em entrevista à Sputnik Brasil.
"A gente pode falar que essa Zona do Código Polar Ártico pode ser vista como uma válvula de escape, e a Rússia, como tem o controle dos navios quebra-gelo e toda a infraestrutura de apoio logístico necessário, acaba tendo, sim, uma grande vantagem em relação aos outros", disse.
A especialista, que também atua profissionalmente no setor de logística internacional e integra o Grupo Economia do Mar (GEM), enfatiza que apesar de o estreito de Ormuz — onde se concentra entre 20% e 30% do trânsito de petróleo — seguir sendo muito importante no âmbito comercial global, a rota ártica já está ativa, em expansão e já se tornou uma alternativa.
Em seu artigo recente publicado no
Boletim Geocorrente da EGN, Letícia aponta que o fluxo comercial de petróleo via Ártico
aumentou 400% em relação aos últimos 12 anos.
"Segundo o estudo do Conselho do Ártico, houve aumento no movimento na Rota do Mar do Norte devido ao trânsito concentrado entre Rússia e China, enquanto em Ormuz é algo mais diluído com outros países. Isso mostra que já há operacionalidade e é um fluxo em expansão."
Nova Rota da Seda Polar 'aquece' o Ártico
A proximidade de Pequim e Moscou torna a rota pelo Ártico atrativa aos chineses para chegar mais rapidamente a mercados importantes como a Europa e as Américas. Atualmente, como ressaltou a pesquisadora, já acontece uma movimentação com a cooperação entre os dois países.
"Escrevi outro artigo sobre o trânsito de navios-contêineres, e os chineses estavam testando um serviço na Rota do Mar do Norte e foi monitorado o itinerário da China até a Europa para o abastecimento em setembro no verão ártico. Foi uma forma encontrada pelos chineses para operar na metade do tempo e para facilitar a travessia para o Atlântico e o Pacífico", relata.
Letícia também destaca que
a tendência é de que essa rota seja cada vez mais consolidada pela China, devido ao conturbado cenário internacional que limita suas alternativas para o escoamento das mercadorias que importa e exporta. Além disso, a
infraestrutura russa no Ártico
acaba sendo um atrativo para a navegação.
"Enquanto a China entra com o ímpeto econômico, a Rússia tem toda a infraestrutura, ou seja, acaba sendo uma combinação necessária para suprir toda a cadeia de abastecimento, que permite o trânsito naquela zona polar", pontua.
Pontos de tensão podem 'aumentar a temperatura'
O controle de rotas comerciais que visa pela integração econômica entre países também se torna uma das principais razões para disputas geopolíticas que culminam em tensões, como o que acontece em Ormuz.
A analista aponta que, apesar do desenvolvimento da Rota Marítima do Norte, esta não está imune a conflitos ou tensionamentos políticos, principalmente pela cobiça da política externa expansionista da Casa Branca, que até pouco tempo sinalizou que queria anexar a Groenlândia.
"Na região há a presença dos Estados Unidos e da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte], o que pode deixar o cenário tensionado. Há pouco tempo, Washington reivindicou a anexação da Groenlândia, mas isso é algo que vem desde a Segunda Guerra e segue até hoje. Os EUA veem o Ártico como seu entorno estratégico", discorre.
Outro fator a ser levado em consideração são os ingressos de Suécia e Finlândia na OTAN — organização que sofre bastante pressão dos EUA. Conforme Letícia, esses Estados podem acabar servindo como plataforma para maior presença estadunidense no entorno estratégico da Ártico.
"Como já acontece com a própria Groenlândia, onde os EUA via OTAN determinam ali em quais pontos da ilha terão bases, acredito que tanto Finlândia, Suécia e Noruega possam ser usadas por Washington para aumentar a presença na região para um eventual ataque ou algo do tipo", conclui.
Em uma transição sistêmica com conflitos e pressões diplomáticas, isso demonstra que a geografia se torna cada vez mais importante, uma vez que o domínio dessas rotas, através dos estreitos, acentua tanto o poder econômico quanto político dos países que controlam esses fluxos.
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