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Galípolo: choques de oferta explicam dissonância; Brasil não tolera inflação alta
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Durante a abertura do XII Seminário Anual de Política Monetária, promovido pela FGV IBRE nesta segunda-feira (6), no Rio de Janeiro, o presidente do Banco... 06.04.2026, Sputnik Brasil
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Em sua fala, ele destacou que a economia mundial atravessa um período incomum, marcado por sucessivos choques de oferta que alteraram a leitura tradicional dos indicadores e ajudaram a gerar desconexão entre dados oficiais e a percepção da população.Segundo Galípolo, o mundo enfrentou uma sequência de quatro choques de oferta relevantes nos últimos anos, sendo o mais recente ainda em curso, associado às tensões geopolíticas recentes e seus efeitos sobre cadeias produtivas, energia e logística global.Esse contexto, na avaliação do presidente do Banco Central, ajuda a explicar por que, mesmo em países onde a inflação vem desacelerando, a sensação de perda de bem-estar econômico persiste. "Essa dissonância está muito relacionada ao fato de que nós, bancos centrais, somos focados em meta de inflação, enquanto a população está focada no nível de preços", afirmou.Ele explicou que essa diferença de foco é central para entender o momento atual. Enquanto a política monetária atua sobre a variação dos preços, a população sente diretamente o impacto do nível já elevado, acumulado após sucessivos choques. "Você pode ter uma inflação baixa e conviver com um nível de preços alto, especialmente porque a renda das pessoas não cresceu na mesma velocidade", disse.Esse descompasso, segundo ele, tem alimentado certo ceticismo em relação aos indicadores econômicos, inclusive com pesquisas mostrando que a percepção de inflação das famílias costuma ser superior aos números oficiais.Galípolo também destacou que esse fenômeno tem provocado a quebra de correlações tradicionais da macroeconomia. Em diversos países, a combinação de baixo desemprego e inflação moderada já não se traduz automaticamente em sensação de prosperidade ou aprovação econômica.Indicadores historicamente utilizados para medir o bem-estar, como emprego e renda, passaram a perder a capacidade de refletir a percepção real da população diante do custo de vida mais elevado.Ao abordar a atuação dos bancos centrais, o presidente do BC ressaltou as limitações das ferramentas tradicionais diante de choques de oferta. "As nossas ferramentas trabalham muito mais pelo lado da demanda, e isso torna mais difícil enfrentar um choque de oferta", explicou. Segundo ele, esse tipo de choque exige uma leitura mais cautelosa, já que uma resposta excessiva pode gerar efeitos negativos desnecessários sobre a atividade econômica.Ele relembrou ainda que, no passado recente, houve críticas relevantes à atuação de autoridades monetárias que demoraram a reagir ao avanço da inflação após choques globais. Esse histórico elevou o custo de credibilidade e tornou os bancos centrais mais cautelosos em classificar choques como temporários. "Muita gente criticou por não ter tido uma reação mais rápida por parte dos bancos centrais", afirmou, destacando que esse aprendizado influencia as decisões atuais.Nesse ambiente de elevada incerteza, Galípolo destacou que os formuladores de política monetária lidam com cenários distintos e difíceis de mensurar. De um lado, um choque mais curto poderia permitir normalização mais rápida da economia. De outro, um cenário mais prolongado, com impactos sobre logística e capacidade produtiva, teria efeitos mais duradouros sobre inflação e crescimento.Essa incerteza, segundo ele, dificulta a formação de expectativas e a interpretação dos sinais de mercado, inclusive quando juros sobem mais do que as projeções de inflação. Ao tratar do Brasil, o presidente do Banco Central ressaltou que o país foi um dos primeiros a reagir ao ciclo inflacionário recente, com elevação expressiva da taxa de juros ao longo de 18 meses.Essa atuação, segundo ele, foi reconhecida internacionalmente, embora não tenha eliminado as críticas. "Se a economia está mais aquecida, dizem que você fez menos do que devia. Se está desacelerando, dizem que você está atrasado", afirmou, ao comentar o desafio de conduzir a política monetária sob diferentes pressões.Apesar das dificuldades, Galípolo destacou uma mudança estrutural relevante no país: a redução da tolerância social à inflação. Para ele, esse é um dos principais avanços institucionais das últimas décadas e um fator decisivo para o sucesso da política monetária. "Essa não é mais a sociedade dos anos 80. As pesquisas mostram que essa é uma sociedade que não tolera mais inflação", disse.Na avaliação do presidente do BC, essa mudança fortalece o regime de metas de inflação e amplia a disciplina econômica, ao alinhar expectativas da sociedade com os objetivos da autoridade monetária.
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Galípolo: choques de oferta explicam dissonância; Brasil não tolera inflação alta
16:47 06.04.2026 (atualizado: 17:07 06.04.2026) Durante a abertura do XII Seminário Anual de Política Monetária, promovido pela FGV IBRE nesta segunda-feira (6), no Rio de Janeiro, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, traçou um diagnóstico detalhado sobre o cenário econômico global e os desafios atuais da política monetária.
Em sua fala, ele destacou que a economia mundial atravessa um período incomum, marcado por sucessivos choques de oferta que alteraram a leitura tradicional dos indicadores e ajudaram a gerar desconexão entre dados oficiais e a percepção da população.
Segundo Galípolo, o mundo enfrentou uma sequência de quatro choques de oferta relevantes nos últimos anos, sendo o mais recente ainda em curso, associado às tensões geopolíticas recentes e seus efeitos sobre
cadeias produtivas, energia e logística global.
Esse contexto, na
avaliação do presidente do Banco Central, ajuda a explicar por que, mesmo em países onde a inflação vem desacelerando, a sensação de perda de bem-estar econômico persiste. "Essa dissonância está muito relacionada ao fato de que nós, bancos centrais, somos focados em meta de inflação, enquanto a população está focada no nível de preços", afirmou.
Ele explicou que essa diferença de foco é central para entender o momento atual. Enquanto a política monetária atua sobre a variação dos preços, a população sente diretamente o impacto do nível já elevado, acumulado após sucessivos choques. "Você pode ter uma inflação baixa e conviver com um nível de preços alto, especialmente porque a renda das pessoas não cresceu na mesma velocidade", disse.
Esse descompasso, segundo ele, tem alimentado certo ceticismo em relação aos indicadores econômicos, inclusive com pesquisas mostrando que a percepção de inflação das famílias costuma ser superior aos números oficiais.
Galípolo também destacou que esse fenômeno tem provocado a quebra de correlações tradicionais da macroeconomia. Em diversos países, a combinação de baixo desemprego e inflação moderada já não se traduz automaticamente em sensação de prosperidade ou aprovação econômica.
Indicadores historicamente utilizados para medir o bem-estar, como emprego e renda, passaram a perder a capacidade de refletir a percepção real da população diante do custo de vida mais elevado.
Ao abordar a atuação dos bancos centrais, o presidente do BC ressaltou as limitações das ferramentas tradicionais diante de choques de oferta. "As nossas ferramentas trabalham muito mais pelo lado da demanda, e isso torna mais difícil enfrentar um choque de oferta", explicou. Segundo ele, esse tipo de choque exige uma leitura mais cautelosa, já que uma resposta excessiva pode gerar efeitos negativos desnecessários sobre a atividade econômica.
Ele relembrou ainda que, no passado recente, houve críticas relevantes à atuação de autoridades monetárias que demoraram a reagir ao avanço da inflação após choques globais. Esse histórico elevou o custo de credibilidade e tornou os bancos centrais mais cautelosos em classificar choques como temporários. "Muita gente criticou por não ter tido uma reação mais rápida por parte dos bancos centrais", afirmou, destacando que esse aprendizado influencia as decisões atuais.
Nesse ambiente de elevada incerteza, Galípolo destacou que os formuladores de política monetária lidam com cenários distintos e difíceis de mensurar. De um lado, um choque mais curto poderia permitir normalização mais rápida da economia. De outro, um cenário mais prolongado, com impactos sobre logística e capacidade produtiva, teria efeitos mais duradouros sobre inflação e crescimento.
Essa incerteza, segundo ele, dificulta a formação de expectativas e a interpretação dos sinais de mercado, inclusive quando juros sobem mais do que as projeções de inflação. Ao tratar do Brasil, o presidente do Banco Central ressaltou que o país foi um dos primeiros a reagir ao ciclo inflacionário recente, com elevação expressiva da taxa de juros ao longo de 18 meses.
Essa atuação, segundo ele, foi reconhecida internacionalmente, embora não tenha eliminado as críticas. "Se a economia está mais aquecida, dizem que você fez menos do que devia. Se está desacelerando, dizem que você está atrasado", afirmou, ao comentar o desafio de conduzir a política monetária sob diferentes pressões.
Apesar das dificuldades, Galípolo destacou uma mudança estrutural relevante no país: a redução da tolerância social à inflação. Para ele, esse é um dos principais avanços institucionais das últimas décadas e um fator decisivo para o sucesso da política monetária. "Essa não é mais a sociedade dos anos 80. As pesquisas mostram que essa é uma sociedade que não tolera mais inflação", disse.
Na avaliação do
presidente do BC, essa mudança fortalece o regime de metas de inflação e amplia a disciplina econômica, ao alinhar expectativas da sociedade com os objetivos da autoridade monetária.
"Não tem nada melhor para a autoridade monetária do que a incorporação, pela sociedade, da vigilância contra a inflação. O sistema de metas vai ser tão eficiente quanto maior for esse valor socialmente difundido."
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