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PL sai fortalecido na corrida por dinheiro e visibilidade da janela partidária, avaliam analistas

© Foto / Agência Brasil /Fabio Rodrigues-PozzebomO presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre; o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta; o presidente do STF, Edson Fachin; e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, participam da sessão de reabertura dos trabalhos do Congresso Nacional
O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre; o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta; o presidente do STF, Edson Fachin; e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, participam da sessão de reabertura dos trabalhos do Congresso Nacional - Sputnik Brasil, 1920, 06.04.2026
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Em entrevista à Sputnik Brasil, analistas apontam que o conservadorismo saiu fortalecido do recente troca-troca partidário pelo fato de o PL ter acesso à maior fatia do Fundo Eleitoral e, consequentemente, maior tempo de campanha na TV.
A janela partidária encerrou na semana passada com, pelo menos, 120 deputados mudando de legenda. No troca-troca partidário, segundo as primeiras estimativas veiculadas pela mídia, o PL, do presidenciável Flávio Bolsonaro, foi o mais beneficiado, chegando à marca de 100 deputados e se consolidando como a maior bancada da Câmara dos Deputados.
O PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição neste ano, registrou apenas uma perda, mantendo-se estável com 67 deputados. Já o União Brasil, um dos principais nomes do centrão, perdeu 16 deputados e, equilibrando com as novas adesões, fechou a janela partidária com 51 integrantes, sete a menos do que o registrado antes do período.
Para o cientista político Elias Tavares, os resultados sinalizam que a política é muito mais sobre viabilidade do que ideologia. Em entrevista à Sputnik Brasil, ele diz que a troca de legenda é uma estratégia política na qual o parlamentar "olha para onde tem mais dinheiro" e mais visibilidade garantida por maior tempo de campanha na TV.

"O parlamentar não muda de legenda porque mudou de convicção. Ele muda porque precisa de estrutura para se eleger, e estrutura hoje significa Fundo Eleitoral, tempo de TV e um palanque competitivo", afirma.

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Diante disso, Tavares afirma que não é coincidência o fato de o PL ter sido o que mais cresceu na janela partidária, uma vez que é o partido que recebe a maior fatia do Fundo Eleitoral porque conseguiu eleger um grande número de representantes na última eleição e, como consequência, "hoje tem muito recurso para poder distribuir".
Por outro lado, ele aponta que o União Brasil encolheu pela perda de atratividade, ocasionada por não ter um candidato à Presidência da República.

"Um partido que não tem candidato acaba saindo um pouco da polarização, e muitos candidatos gostam de usar e surfar na questão da polarização. Então o partido que não oferece perspectiva clara de poder começa a perder gente e, também, dinheiro."

Esse movimento em busca de dinheiro e visibilidade, avalia o especialista, tem como consequência política fortalecer o campo da direita, impulsionando nomes ligados a Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, o fato de o PT ter mantido sua bancada praticamente intacta na janela partidária sinaliza uma coesão na organização interna da legenda.
"E o resultado disso tudo aponta para um cenário muito claro […]. Sim, a eleição deste ano, mais uma vez, será muito polarizada entre PT e PL. Mas tem um detalhe importante: essa polarização não é só ideológica, ela é estrutural. São dois campos que concentram recursos, narrativa e capacidade de mobilização. Enquanto isso, os outros campos políticos vão se rearranjando, tentando encontrar espaço entre esses dois polos."
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Ele acrescenta que a janela partidária também influencia as eleições estaduais e para o Senado, já que deputados buscam se associar a um partido forte, com um candidato forte, para ter palanque dentro do seu estado que ajude a puxar voto.

"Então, no fundo, o que a gente viu foi a reorganização do sistema político, já focado na eleição deste ano, basicamente pensando em estrutura financeira, tempo de TV e também em um palanque competitivo, ou seja, entrar dentro da polarização. É isto: quem oferece estrutura cresce, quem não oferece encolhe."

Sérgio Praça, cientista político e professor visitante da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG), considera que os resultados da janela indicam que "a direita vem forte para as eleições" e que isso reflete um desejo da sociedade. Ele explica à reportagem que políticos tomam decisões ouvindo eleitores e têm uma rede de informação muito ampla.
"Acho que tem um olhar dos políticos profissionais lá em Brasília que mostra que os cidadãos querem mais a direita no poder do que a esquerda ou a centro-esquerda. Isso acho que é uma tendência quase, me arrisco a dizer, nacional."
Como consequência, ele aponta que parlamentares buscam se filiar ao PL e ao bolsonarismo como forma de ganhar impulso regional, cálculo que também inclui a maior fatia de dinheiro a ser garantida. Além disso, há a influência da disputa para governos estaduais.
"Cada estado tem uma realidade diferente, mas eu vejo essa tendência mais nacional mesmo, que se expressa na mudança de legenda para o PL, em especial, que é de os políticos captarem que o país está realmente mais conservador ou continua tão conservador quanto estava em 2018 ou 2022", avalia Praça.
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Somado a isso, ele aponta que as redes sociais levaram a uma "mudança inevitável e estrutural" na política não só brasileira, mas mundial, e afirma ser "inegável que a direita e a extrema-direita tomaram a dianteira nesse tipo de política, campanha e comunicação".
"Essa questão das redes sociais tem sido hiperimportante não só para a extrema-direita, mas para a direita um pouquinho menos extremista. E acho que isso é uma vantagem grande que eles têm em relação à esquerda. Sabem usar melhor isso, o tipo de propostas que eles têm, o tipo de oposição que eles fazem dá mais certo usando as redes sociais."
Outro motivo que levou a esquerda a se manter estável ao passo que a direita cresceu é a dificuldade de formar novas lideranças e uma figura política tão grande e forte quanto Lula.

"Aventa-se aí que o João Campos vai ser o sucessor do Lula um dia talvez. Talvez pegue uma parte desse eleitorado. Mas o Lula tem 50 anos de política. […] É uma figura ímpar, singular, goste ou não, sem entrar em juízo de valor. Então tem um ponto natural, que é a esquerda ficar presa a essa grande figura e não formar lideranças novas."

Praça enfatiza que, em um cenário de vitória de Lula nas eleições, os resultados da janela partidária podem complicar a governabilidade, especialmente no Senado, se o pleito realmente resultar em uma onda mais conservadora no Congresso.
"O Senado já é mais conservador do que a Câmara. Se aumentar isso, vai ter um confronto ainda maior [do Legislativo] com o STF, Lula vai ter uma dificuldade em aprovar legislações. […] Vai começar com uma expectativa de: 'Olha, a gente não vai conseguir aprovar emenda constitucional, coisas muito amplas, vamos fazer coisas mais, assim, burocraticamente importantes e legislativamente mais discretas'", avalia o especialista.
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