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Milei aposta em favorecimento dos EUA por sua ruptura com a OMS, avaliam analistas
Milei aposta em favorecimento dos EUA por sua ruptura com a OMS, avaliam analistas
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Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, analistas apontam que o presidente argentino acredita que seguir os passos dos EUA e romper com a OMS fará Washington... 07.04.2026, Sputnik Brasil
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Em 17 de março, o governo argentino formalizou sua saída da Organização Mundial da Saúde (OMS), concretizando a promessa anunciada há um ano pelo presidente argentino, Javier Milei. A medida repete o movimento feito pelo presidente estadunidense, Donald Trump, em 2025, em seu primeiro dia de mandato, alegando má gestão da organização durante a pandemia de COVID-19. Milei, por sua vez, alegou que a saída da Argentina se deu por necessidade de maior autonomia nas decisões sobre políticas de saúde.Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, o doutor em sociologia e professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) Eric Cardin afirma que o anúncio serve como um "carimbo" de alinhamento ideológico da Argentina com a Casa Branca.Por outro lado, ele aponta que a medida leva a Argentina a perder garantias que todos os países dentro da OMS recebem, como ajuda técnica para resolver problemas de saúde pública. "A participação na OMS possibilita até mesmo uma diminuição de 75% do custo da compra de determinados insumos de vacinas e outros medicamentos quando é realizada pelo bloco."Cardin explica que Milei acredita na capacidade da Argentina de substituir a OMS e seus descontos com acordos bilaterais na área da saúde. Porém, essa possibilidade "ainda não é visível". "A gente tem que esperar necessariamente enxergar isso na prática se a Argentina vai ter condições de negociar diretamente dentro do mercado de fármacos.""A segunda questão é que a OMS garante uma estrutura de compartilhamento de informações técnica, de produção de medicamentos e de partilha de patentes, dos quais a Argentina não teria mais acesso."Ele acrescenta que a falta desse acesso pode agravar a crise argentina, pois o país não tem a relevância geopolítica necessária para garantir vantagens em uma negociação bilateral.Diante disso, ele afirma que a autonomia apontada por Milei como motivo para a ruptura fica "apenas no papel e no discurso", com pouca probabilidade de ser alcançada na "política real".Beatriz Bandeira de Mello, doutora em relações internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), avalia que a decisão de Milei não é isolada e faz parte de uma estratégia adotada há muito tempo: de seguir o interesse de Washington tanto em nível nacional quanto internacional.Ela destaca que essa tentativa de Milei de estar o mais próximo possível da figura de Trump inclui também imitar os trejeitos do presidente estadunidense e seguir sua agenda internacional, tendo inclusive afirmado que enviaria tropas argentinas para o Irã caso fosse solicitado pelos EUA.No caso envolvendo a OMS, a decisão do líder argentino afasta o país de parceiros europeus, que são os maiores financiadores da organização. "E aí, quando a Argentina opta em sair dessa instituição, ela perde, de fato, acesso a esses acordos de cooperação, mas não só isso, né? Expertise científica, técnica, enfim. Tudo o que poderia facilitar a ampliação e o aprofundamento dessas políticas de saúde."Outra questão levantada por Mello é a falta de um planejamento estratégico do governo Milei para garantir que o alinhamento automático com os EUA tenha algum benefício futuro.Ela avalia que a Argentina está fazendo uma aposta acreditando que os EUA — por terem saído da OMS, levando consigo o dinheiro que era investido na organização — irão reorientar essa verba para a Argentina, já que o país está completamente alinhado ideologicamente e de maneira muito pragmática com a gestão Trump.
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Milei aposta em favorecimento dos EUA por sua ruptura com a OMS, avaliam analistas
17:15 07.04.2026 (atualizado: 21:06 07.04.2026) Especiais
Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, analistas apontam que o presidente argentino acredita que seguir os passos dos EUA e romper com a OMS fará Washington priorizar a Argentina em acordos bilaterais de saúde.
Em 17 de março, o governo argentino formalizou sua saída da Organização Mundial da Saúde (OMS), concretizando a
promessa anunciada há um ano pelo presidente argentino,
Javier Milei.
A medida repete o movimento feito pelo presidente estadunidense, Donald Trump, em 2025, em seu primeiro dia de mandato, alegando má gestão da organização durante a pandemia de COVID-19. Milei, por sua vez, alegou que a saída da Argentina se deu por necessidade de maior autonomia nas decisões sobre políticas de saúde.
Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, o doutor em sociologia e professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) Eric Cardin afirma que o anúncio serve como um "carimbo" de alinhamento ideológico da Argentina com a Casa Branca.
Por outro lado, ele aponta que a medida leva a Argentina a perder garantias que todos os países dentro da OMS recebem, como ajuda técnica para resolver problemas de saúde pública. "A participação na OMS possibilita até mesmo uma diminuição de 75% do custo da compra de determinados insumos de vacinas e outros medicamentos quando é realizada pelo bloco."
"Ou seja, quando a organização faz a compra diretamente ou intermedia a compra de vacina e de outros produtos necessários para a intervenção na área de saúde, o valor desses produtos tem uma diminuição de preço que é muito significativa."

16 de novembro 2025, 00:25
Cardin explica que Milei acredita na capacidade da Argentina de substituir a OMS e seus descontos com acordos bilaterais na área da saúde. Porém, essa possibilidade "ainda não é visível". "A gente tem que esperar necessariamente enxergar isso na prática se a Argentina vai ter condições de negociar diretamente dentro do mercado de fármacos."
"A segunda questão é que a OMS garante uma estrutura de compartilhamento de informações técnica, de produção de medicamentos e de partilha de patentes, dos quais a Argentina não teria mais acesso."
Ele acrescenta que a falta desse acesso pode agravar a crise argentina, pois o país não tem a relevância geopolítica necessária para garantir vantagens em uma negociação bilateral.
"O poder da Argentina em estabelecer um acordo bilateral é pequeno. Infelizmente, eu acredito que essa seja a realidade. A Argentina, hoje, não se coloca como uma potência política como já foi."
Diante disso, ele afirma que a autonomia apontada por Milei como motivo para a ruptura fica "apenas no papel e no discurso", com pouca probabilidade de ser alcançada na "política real".
Beatriz Bandeira de Mello, doutora em relações internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), avalia que a decisão de Milei não é isolada e faz parte de uma estratégia adotada há muito tempo: de seguir o interesse de Washington tanto em nível nacional quanto internacional.
Ela destaca que essa tentativa de Milei de estar o mais próximo possível da figura de Trump inclui também
imitar os trejeitos do presidente estadunidense e seguir sua agenda internacional, tendo inclusive afirmado que enviaria
tropas argentinas para o Irã caso fosse solicitado pelos EUA.
"Mais do que essa decisão autônoma, que seria uma decisão de seguir por um caminho, uma orientação sanitária mais alinhada com os interesses nacionais, essa decisão do governo da Argentina de sair da OMS é tomada justamente para seguir a agenda internacional liderada por Donald Trump."
No caso envolvendo a OMS, a decisão do líder argentino afasta o país de parceiros europeus, que são os maiores financiadores da organização. "E aí, quando a Argentina opta em sair dessa instituição, ela perde, de fato, acesso a esses acordos de cooperação, mas não só isso, né? Expertise científica, técnica, enfim. Tudo o que poderia facilitar a ampliação e o aprofundamento dessas políticas de saúde."
Outra questão levantada por Mello é a falta de um planejamento estratégico do governo Milei para garantir que o
alinhamento automático com os EUA tenha algum benefício futuro.
Ela avalia que a Argentina está fazendo uma aposta acreditando que os EUA — por terem saído da OMS, levando consigo o dinheiro que era investido na organização — irão reorientar essa verba para a Argentina, já que o país está completamente alinhado ideologicamente e de maneira muito pragmática com a gestão Trump.
"Então são políticas de muito curto prazo. Não tem um planejamento estratégico de garantir que essas políticas permaneçam ao longo do tempo, mas que são parcerias a nível de governo, de personalidade. Milei e Donald Trump, não governos dos EUA e governo da Argentina a nível estratégico."
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