Mídia: guerra no Oriente Médio encarece derivados do petróleo e pressiona indústria brasileira

© flickr.com / Carsten ten Brink
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A disparada do preço do petróleo desencadeia uma reação em cadeia que encarece insumos industriais e pressiona diversos setores brasileiros. A guerra no Oriente Médio agrava esse cenário ao afetar diretamente cadeias produtivas que dependem de derivados do óleo, ampliando custos e incertezas.
Enquanto EUA e Israel não aceitam os termos de um acordo para encerrar sua guerra contra o Irã, o estreito de Ormuz continua bloqueado, e o aumento dos preços do petróleo já impactam as mais diferentes cadeias produtivas.
De acordo com o G1, um dos impactos mais imediatos aparece na indústria brasileira de velas, que importa parafina da China. Como o petróleo precisa primeiro chegar às refinarias chinesas, os atrasos provocados pelo conflito no Irã reduziram drasticamente o volume disponível para exportação. O resultado são entregas menores e imprevisíveis.
A proprietária de uma fábrica relatou à apuração que, antes, conseguia comprar 15 toneladas de parafina; agora, recebe apenas cinco, sem garantia de reposição. O depósito, antes cheio, está quase vazio — e o pouco material disponível ficou muito mais caro. Em março, o aumento chegou a 40%.
Com a matéria-prima escassa e mais cara, o impacto chega ao consumidor final. Ainda segundo a apuração, a fábrica enfrenta dificuldade para manter a produção e sustentar empregos, enquanto tenta lidar com a instabilidade do mercado e a incerteza sobre os próximos meses.
O encarecimento da parafina reflete um fenômeno mais amplo: como derivado direto do petróleo, seu preço sobe junto com o barril. O mesmo ocorre com outros insumos essenciais, como plásticos usados em embalagens, canos da construção civil, autopeças e até silos agrícolas — todos dependentes de derivados petroquímicos.
Na indústria têxtil, o efeito também é sentido. Fibras sintéticas como poliéster e nylon ficaram mais caras, levando uma malharia em São Paulo a estocar fios suficientes para quatro meses de produção. A estratégia evitou desabastecimento, mas não impediu o aumento de custos, parte dos quais teve de ser repassada aos clientes.
Mesmo com preços reajustados, as encomendas cresceram nas últimas semanas, impulsionadas por confecções que enfrentam atrasos na importação de tecidos.
Com fretes mais caros e escassos, muitas empresas recorrem a fornecedores nacionais para garantir continuidade na produção — um reflexo direto das turbulências globais provocadas pela guerra e pela alta do petróleo, concluiu a mídia.


