- Sputnik Brasil, 1920
Panorama internacional
Notícias sobre eventos de todo o mundo. Siga informado sobre tudo o que se passa em diferentes regiões do planeta.

Europa amplia envio de drones a Kiev: escalada do conflito ou mais um sinal de fraqueza da Ucrânia?

© AP Photo / Efrem LukatskyDrones Matrice estão prontos para serem entregues ao Exército ucraniano na região de Kiev, Ucrânia, 2 de agosto de 2022.
Drones Matrice estão prontos para serem entregues ao Exército ucraniano na região de Kiev, Ucrânia, 2 de agosto de 2022. - Sputnik Brasil, 1920, 15.04.2026
Nos siga no
Especiais
Em meio à paralisação das negociações de paz entre Moscou e Kiev, o Ministério da Defesa da Rússia revelou nesta quarta-feira (15) que os líderes europeus decidiram ampliar o fornecimento de drones à Ucrânia para ataques contra o território russo. Especialistas analisam à Sputnik Brasil os impactos da medida.
Uma decisão deliberada rumo à escalada política e militar na Europa. Assim o governo russo definiu a revelação de que os aliados da Ucrânia pretendem ampliar a entrega de drones para Kiev em meio à escassez de pessoal das tropas e às perdas cada vez maiores no front. Conforme o comunicado, a produção dos equipamentos é realizada em países como Reino Unido, Alemanha, Polônia, Dinamarca, República Tcheca, Países Baixos e até mesmo nações bálticas, enquanto a Ucrânia tenta apresentar os drones como armas de fabricação nacional.
Aliado a isso, a Rússia também alertou que a tentativa de ampliar ataques terroristas contra o país pode gerar "consequências imprevisíveis". Para o ministério, a população europeia precisa conhecer o que realmente ameaça a segurança do continente, além de conhecer as empresas "ucranianas" que fabricam esses drones e outros componentes que podem contribuir com o aumento das tensões na região.
Para o coordenador do Laboratório de Geopolítica, Relações Internacionais e Movimentos Antissistêmicos (LabGRIMA) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Charles Pennaforte, o caso é mais uma demonstração de como a Europa tem participado do conflito de forma quase direta, tanto pela ajuda econômica, técnica e militar à Ucrânia quanto pelo apoio político.

"E quando você participa dessa forma de um embate, dificilmente terá a oportunidade de ser um mediador da paz ou se colocar como um agente para promover a estabilidade do continente europeu. Sem dúvida nenhuma essa é mais uma prova do envolvimento direto desses países", afirma à Sputnik Brasil.

Militares ucranianos se preparam para lançar drone - Sputnik Brasil, 1920, 15.04.2026
Operação militar especial russa
Europa aumenta envio de drones a Kiev em meio às altas perdas da Ucrânia no front, informa MD russo
O especialista pontua ainda que os países europeus desembolsaram recursos bilionários e, cada vez mais, a Ucrânia dá sinais de que, mesmo assim, "não vai conseguir sair vencedora". E o fornecimento de mais drones para o regime de Kiev, segundo ele, só constata a "fraqueza da solução proposta" pelos aliados europeus para as tensões na região. "Na verdade, o que nós observamos é que o líder da Ucrânia [Vladimir Zelensky] nada mais é que um grande fantoche nas mãos dos europeus e sabe, certamente, que é muito difícil uma vitória. Mesmo assim, continua com essa lógica belicista insuflado pelos líderes ocidentais", avalia.
Contudo, Pennaforte lembra que os parceiros ucranianos no Velho Continente veem vantagens na continuidade da disputa, que "impulsiona" a indústria bélica da região, gerando lucros. "Na verdade, boa parte das armas enviadas não são doadas, mas entregues como créditos que a Ucrânia em algum momento da sua história terá que pagar. E quanto mais armas ela recebe, mais a dívida que vai contraindo aumenta e o cenário fica cada vez mais preocupante para as próximas décadas".
Um militar da Marinha ucraniana está em um barco durante uma patrulha na costa do Mar Negro, na região de Odessa, Ucrânia, em 27 de março de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 14.04.2026
Panorama internacional
Ataques e sabotagem: os principais métodos da Ucrânia para alcançar objetivos, segundo especialista

Ucrânia e mais uma medida de 'desespero'

O capitão da reserva da Marinha do Brasil Robinson Farinazzo afirma à Sputnik Brasil que ampliar o fornecimento de drones à Ucrânia e, consequentemente, intensificar ataques contra o território russo é mais uma "medida de desespero". Outro ponto, conforme o especialista, é que a medida simboliza a falta de tropas ucranianas "para manter também todo o perímetro defensivo" e, por isso, precisa atacar e se defender com drones.

"Pior do que a entrega desses drones é a permissão do uso do espaço aéreo de países contíguos à Rússia para o sobrevoo desses drones. Então, eu acho o seguinte: se a Rússia não bater na mesa, não tomar atitudes de retaliação expressivas, a coisa tende a piorar bastante. Essa que é a verdade, já que os países da OTAN agem de uma forma bastante agressiva. Se você não fizer nada que os detenha, eles vão ser cada vez mais agressivos", diz.

O analista militar cita também a deficiência de pessoal no Exército ucraniano, mesmo com as rígidas leis de mobilização no país. "Não são esses drones que causam grandes problemas para a Rússia, mas os que possuem capacidade estratégica valendo-se do espaço aéreo de países contíguos à Rússia e usados para atacar refinarias, instalações petrolíferas, fábricas de aeronaves, entre outros", exemplifica.
Já a pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Estudos Estratégicos e Segurança Internacional (GEESI) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e cientista política Alana Leal Rêgo também vê a "internalização da cadeia produtiva [bélica] em solo europeu" como uma ampliação da participação, mesmo que de forma "não declarada". Diante de mais esse elemento, a especialista vê os aliados europeus como "atores estruturais" do esforço de guerra ucraniano.
"Vemos isso como um mecanismo de gestão de escalada, evitando que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) seja formalmente percebida como parte direta do conflito. Do ponto de vista do direito internacional, essa prática situa-se em uma zona cinzenta: embora o fornecimento de armas não constitua automaticamente participação direta em hostilidades, a integração industrial e tecnológica profunda pode levantar questionamentos sobre responsabilidade indireta", resume.
Segundo Rêgo, também há um reforço da alegação russa de que existe uma coordenação sistêmica do Ocidente para a manutenção da disputa, o que também se articula com elementos históricos que levaram ao início da operação militar especial, como a expansão da aliança para o Leste no pós-Guerra Fria.

"O risco de escalada aumenta a probabilidade de incidentes diretos com membros da OTAN, reduz espaço para soluções diplomáticas e pode gerar ciclos de ação-reação difíceis de controlar. Na literatura estratégica, esse dilema é conhecido como paradoxo da dissuasão, medidas destinadas a evitar o conflito podem, sob certas condições, intensificá-lo", conclui.

Conversações trilaterais entre a Rússia, os Estados Unidos e a Ucrânia em Genebra - Sputnik Brasil, 1920, 18.02.2026
Panorama internacional
EUA e Europa querem 'performar' diplomacia, em vez de chegar à paz na Ucrânia, diz analista

Tentativa de enfraquecer a Rússia via Ucrânia

Charles Pennaforte acrescenta que o envolvimento cada vez maior da Europa para "salvar a Ucrânia de uma derrota" pode fazer com que a Rússia também aumente suas apostas no sentido militar. Segundo o especialista, o conflito na região é "muito importante para o Ocidente", que busca, a qualquer custo, conter a consolidação de um mundo multipolar, no qual Moscou figura entre os principais atores.

"Há uma certa preocupação, tanto da OTAN quanto da Rússia, em tentar não esticar muito a corda, já que isso seria péssimo para ambos os lados, mas nunca sabemos o que pode acontecer no mundo da geopolítica [...]. Só que eles não estão enfrentando qualquer país, mas a Rússia, com toda a sua capacidade histórica de superar desafios", enfatiza.

Por fim, o analista pontua que o objetivo dos aliados europeus sempre foi promover uma mudança de governo na Rússia, principalmente com as sanções, que ele avalia como desproporcionais.
"A guerra hoje se desenvolve não pela capacidade ucraniana de enfrentar a Rússia, mas sim pela participação europeia e norte-americana neste cenário. Em condições normais, o embate já deveria ter acabado há bastante tempo e, independentemente de como seria negociada, o fato é que realmente existe uma tentativa organizada de enfraquecer a Rússia".
Logo da emissora Sputnik - Sputnik Brasil
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала