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Análise: Brasil, Espanha e Colômbia podem comandar coalizões para confrontar EUA, mas com limites
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Líderes latino-americanos se reúnem com Pedro Sánchez, em Barcelona, para o 4º Fórum Democracia Sempre, que debaterá pautas a partir da visão dos governos... 17.04.2026, Sputnik Brasil
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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participará neste sábado (18) do 4º Fórum Democracia Sempre, que será sediado em Barcelona, na Espanha. Além do anfitrião, o presidente Pedro Sánchez, outros líderes latinos participarão do evento, como Gustavo Petro, da Colômbia.De acordo com o Planalto, as autoridades devem discutir assuntos como a eleição para secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), iniciativas regulatórias no âmbito digital, igualdade de gênero e, claro, ações para o fortalecimento da democracia ao redor do mundo.Com esse escopo de temas e o histórico de falas dos líderes presentes sobre as ações dos Estados Unidos ao longo dos últimos meses, existe a expectativa de que a guerra no Irã seja abordada nas discussões em Barcelona. No entanto, não se espera nenhum tipo de medida retaliatória além dos discursos outrora feitos.Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas explicaram que, apesar de Brasil, Colômbia e Espanha serem críticos ao governo de Donald Trump, estas três nações partilham fortes relações com a administração norte-americana, orbitando o ecossistema de Washington.Charles Pennaforte, professor de geopolítica e relações internacionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), conta que a Europa, de um modo geral, é extremamente dependente dos Estados Unidos, seja do ponto de vista político, seja do ponto de vista militar. No entanto, Sánchez tem sido uma voz dissonante dentro da União Europeia e até mesmo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).Já o lado latino-americano do Fórum Democracia Sempre, na visão de Pennaforte, tem uma realidade diferente da europeia. Sob uma influência menor dos Estados Unidos, se comparados com a Europa, Brasil e Colômbia conseguem ser mais vocais no enfrentamento à Casa Branca, ainda que com ressalvas.Robson Cardoch Valdez, professor de relações internacionais do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), não acredita que um fórum como este forme, por exemplo, uma frente ampla de atuação contra as aspirações militares dos Estados Unidos.Valdez é categórico ao afirmar que este encontro mostra uma busca por alternativas dentro do campo progressista "sem necessariamente abandonar as instituições ocidentais tradicionais", em especial no caso espanhol.Pareceria para além do progressismoLula, Sánchez e Petro são vistos como líderes progressistas e defensores de uma visão de democracia similar, o que levou à criação deste fórum para coordenação política, embasada pelo multilateralismo, pela luta contra desigualdades e pelo combate à desinformação.No caso da Espanha, em específico, Pennaforte entende que este grupo de discussões é uma forma de Madri se posicionar e fortalecer o soft power na América Latina, que séculos atrás a Coroa Espanhola tratava como colônia.Já na visão de Valdez, Brasília, Bogotá e Madri têm forte poder diplomático regional, "suficiente para criar um movimento crítico", inclusive quando o assunto são ações "imperialistas dos Estados Unidos". Juntos, estes governos progressistas podem pressionar Washington, ainda que com limitações.
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Análise: Brasil, Espanha e Colômbia podem comandar coalizões para confrontar EUA, mas com limites
16:55 17.04.2026 (atualizado: 18:27 17.04.2026) Especiais
Líderes latino-americanos se reúnem com Pedro Sánchez, em Barcelona, para o 4º Fórum Democracia Sempre, que debaterá pautas a partir da visão dos governos progressistas.
O presidente do Brasil,
Luiz Inácio Lula da Silva, participará neste sábado (18) do
4º Fórum Democracia Sempre, que será sediado em Barcelona,
na Espanha. Além do anfitrião, o presidente Pedro Sánchez, outros líderes latinos participarão do evento, como
Gustavo Petro, da Colômbia.
De acordo com o Planalto, as autoridades devem discutir assuntos como a
eleição para secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), iniciativas regulatórias no âmbito digital,
igualdade de gênero e, claro,
ações para o fortalecimento da democracia ao redor do mundo.
Com esse escopo de temas e o histórico de falas dos líderes presentes sobre as ações dos Estados Unidos ao longo dos últimos meses, existe a expectativa de que a
guerra no Irã seja abordada nas discussões em Barcelona. No entanto,
não se espera nenhum tipo de medida retaliatória além dos discursos outrora feitos.
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas explicaram que, apesar de Brasil, Colômbia e Espanha serem críticos ao governo de Donald Trump, estas três nações partilham fortes relações com a administração norte-americana, orbitando o ecossistema de Washington.
Charles Pennaforte, professor de geopolítica e relações internacionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), conta que a Europa, de um modo geral, é extremamente dependente dos Estados Unidos, seja do ponto de vista político, seja do ponto de vista militar. No entanto, Sánchez tem sido uma voz dissonante dentro da União Europeia e até mesmo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
"Se notarmos bem, a gente encontra poucas vozes na Europa criticando de uma maneira enfática os Estados Unidos, e Pedro Sánchez é uma delas. Vemos uma postura muito acanhada dos líderes, como [Emmanuel] Macron [presidente da França] e o chanceler da Alemanha [Friedrich Merz]. Tudo isso, de modo geral, mostra que a Europa ainda se ressente de uma crítica mais enfática [a Washington]."
Já o lado latino-americano do Fórum Democracia Sempre, na visão de Pennaforte, tem uma realidade diferente da europeia. Sob uma influência menor dos Estados Unidos, se comparados com a Europa, Brasil e Colômbia conseguem ser mais vocais no enfrentamento à Casa Branca, ainda que com ressalvas.
"No momento em que poucos falam e outros assumem essa liderança crítica, eles [Lula, Sánchez e Petro] passam a ter mais projeção. A visão deles ganha mais destaque dentro desse cenário quando a gente analisa essa postura incisiva dos Estados Unidos na política internacional."
Robson Cardoch Valdez, professor de relações internacionais do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), não acredita que um fórum como este forme, por exemplo, uma frente ampla de atuação contra as aspirações militares dos Estados Unidos.
"O Brasil, a Colômbia e a Espanha mantêm relações diplomáticas, comerciais e estratégicas com os Estados Unidos mesmo quando criticam pontualmente as ações de Washington. Então, uma oposição coordenada sobre o Irã exigiria um alinhamento de interesses que não se verifica na prática."
Valdez é categórico ao afirmar que este encontro mostra uma busca por alternativas dentro do campo progressista "sem necessariamente abandonar as instituições ocidentais tradicionais", em especial no caso espanhol.
"A Espanha continua sendo membro da OTAN, mantém bases militares compartilhadas com os Estados Unidos e também preserva intensas relações comerciais e de investimentos com os Estados Unidos. Então preserva uma relação bilateral bastante dinâmica e representativa dos interesses americanos e espanhóis."
Pareceria para além do progressismo
Lula, Sánchez e Petro são vistos como líderes progressistas e defensores de uma visão de democracia similar, o que levou à criação deste fórum para coordenação política, embasada pelo multilateralismo, pela luta contra desigualdades e pelo combate à desinformação.
No caso da Espanha, em específico, Pennaforte entende que este grupo de discussões é uma forma de Madri se posicionar e fortalecer o soft power na América Latina, que séculos atrás a Coroa Espanhola tratava como colônia.
"De algum modo, vejo o fórum como uma tentativa da Espanha de se manter ativa na América Latina, uma área histórica de presença ibérica. No século XX, os Estados Unidos conseguiram ter uma penetração maior [na região], e, no século XXI, a China se configura como um expoente."
Já na visão de Valdez, Brasília, Bogotá e Madri têm forte poder diplomático regional, "suficiente para criar um movimento crítico", inclusive quando o assunto são ações "imperialistas dos Estados Unidos". Juntos, estes governos progressistas podem pressionar Washington, ainda que com limitações.
"Esses três líderes podem comandar coalizões em fóruns como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), a União Europeia e a própria ONU, para pautar críticas a sanções unilaterais, ao intervencionismo, a golpes brandos e a imposições comerciais. Eles têm capacidade de mobilizar a opinião pública internacional e de criar narrativas alternativas ao discurso hegemônico dos EUA. Mas eu acredito também que existam limitações significativas."
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