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Análise: big techs têm tecnologia para combater fake news nas eleições, mas não há interesse
Análise: big techs têm tecnologia para combater fake news nas eleições, mas não há interesse
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Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas explicam que o modelo de negócio dessas empresas é favorecido pela disseminação de conteúdos que geram... 16.04.2026, Sputnik Brasil
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Mais de 155 milhões de brasileiros estão aptos a participar das eleições de outubro, que decidirão, entre outros cargos, o próximo presidente da República. Apesar de as campanhas começarem oficialmente apenas em 16 de agosto, um mecanismo presente no dia a dia da maioria dos eleitores pode ser o maior trampolim dos candidatos: as redes sociais.Segundo dados divulgados pelo DataReportal, estima-se que o Brasil possua 150 milhões de usuários nas redes sociais. Ou seja, sete entre cada dez brasileiros acessam sites como X, Facebook ou Instagram (as duas últimas redes da Meta, proibidas na Rússia por extremismo).E se tantos eleitores estão presentes nesses aplicativos de compartilhamento de fotos, vídeos e pequenos textos, lá também estarão agentes políticos alimentando seus apoiadores com conteúdo e, claro, tentando alcançar novos públicos. A grande questão é que as redes sociais são cada vez mais reconhecidas como celeiro de mentiras e propagação de fake news, em especial, com a evolução de recursos de inteligência artificial (IA).Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas afirmam que as big techs têm capacidade para combater o fenômeno do deepfake e notícias falsas nas redes sociais. No entanto, não há interesse das grandes corporações para isso, visto que seu modelo econômico é ajudado por sentimentos como raiva e medo, gerados por esses conteúdos.Caio Almendra, cofundador do Instituto Brasileiro de Ciência de Dados (Bi0s) e sócio na rede de inovação Templo.cc, explica que existem soluções simples para verificar a identidade antes de os vídeos serem publicados, o que evitaria edições tendenciosas que pudessem afetar a imagem de candidatos. Todavia, o analista não acredita que seja o modelo de negócio dessas grandes empresas.Almendra destaca também que o Brasil, ao lado da União Europeia, é um dos maiores expoentes na regulamentação das redes sociais. Diferentemente da China, do Irã e da Rússia, que possuem ecossistemas on-line próprios que evitam as big techs, Brasília e Bruxelas tentam traçar parâmetros para que o ambiente digital não seja uma terra sem lei.No entendimento do especialista, há um problema de negócio para as big techs, em especial, agora na era da IA. Apesar de ser considerada uma tecnologia revolucionária, as IAs ainda não são lucrativas, dado os altos custos para o desenvolvimento e a operação, com data centers que consomem grandes quantidades de energia.Rodrigo Prando, cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que o grande ponto da questão sobre redes sociais na eleição é descobrir se estas têm o devido interesse em evitar manipulações.Para Prando, não é possível que atores regulatórios tenham a mesma velocidade que as empresas ao desenvolver tecnologias. Nesse jogo de ação e reação, o eleitor tem um papel determinante para fugir das fake news.'Bancada do clique'Um grupo de parlamentares de direita do Congresso Nacional ficou famoso nos últimos anos por seu alinhamento quase que automático em pautas conservadoras em questões morais e liberais em assuntos econômicos. A eles foi dado o apelido de Bancada BBB: bala, Bíblia e boi.Com o controle de quase metade da Câmara e do Senado, esses congressistas ganharam o reforço com a formação de um novo grupo, apelidado de Bancada do Like. Também alinhados com a direita, esses políticos atuam em pautas a favor das big techs e contra maiores regulamentações de redes sociais e serviços por aplicativo.Almendra, por sua vez, cita a existência da Bancada do Clique, de parlamentares impulsionados ao serviço público nas diferentes Casas pelos algoritmos.Na avaliação de Almendra, há uma interseção entre a Bancada do Clique, o PL e a extrema-direita no Brasil, e a Meta (empresa com atividades proibidas na Rússia por serem consideradas extremistas), por sua vez, favorece esse grupo por meio de seus algoritmos.Já Prando relembra o Brexit e a primeira vitória presidencial de Donald Trump como casos documentados nos quais as redes sociais influenciaram deliberadamente eleitores. Em sua visão, pode haver um episódio parecido nas eleições deste ano no Brasil, mas outras questões também serão determinantes para o triunfo dos candidatos.Como fugir da influência das redes sociais?Todo mundo sabe que não se pode acreditar fielmente em tudo o que se vê nas redes sociais, mas, ao mesmo tempo, não é tão fácil assim fugir das fake news ou dos deepfakes. Quando a questão passa a ser conseguir escapar de determinados conteúdos, a conversa passa a um nível profissional.Todo um segmento da economia foi ocupada por analisas e companhias especializadas em como decifrar os algoritmos e fazê-los trabalhar a seu favor.Na opinião de Almendra, uma forma de mitigar os impactos das redes sociais nas eleições seria tornar as campanhas mais longas, como já foi no passado. Essa seria uma forma eficaz de desmentir eventuais materiais falsos e evitar que a credibilidade de candidatos seja afetada enquanto os algoritmos ainda são um mistério para o Estado.Para Prando, é preciso que o eleitor seja ativo na luta contra a manipulação, mantendo-se informado por diferentes fontes, uma vez que o voto "é um direito, mas também um dever".
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Análise: big techs têm tecnologia para combater fake news nas eleições, mas não há interesse
17:40 16.04.2026 (atualizado: 19:33 16.04.2026) Especiais
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas explicam que o modelo de negócio dessas empresas é favorecido pela disseminação de conteúdos que geram sentimentos como raiva e medo. Gigantes da tecnologia tendem a ter alinhamento mais próximo da direita.
Mais de 155 milhões de brasileiros estão aptos a participar das
eleições de outubro, que decidirão, entre outros cargos, o próximo presidente da República. Apesar de as campanhas começarem oficialmente apenas em 16 de agosto, um mecanismo presente no dia a dia da maioria dos eleitores pode ser o maior trampolim dos candidatos:
as redes sociais.
Segundo dados divulgados pelo DataReportal, estima-se que o Brasil possua
150 milhões de usuários nas redes sociais. Ou seja,
sete entre cada dez brasileiros acessam sites como X, Facebook ou Instagram (as duas últimas redes da Meta, proibidas na Rússia por extremismo).
E se tantos eleitores estão presentes nesses aplicativos de compartilhamento de fotos, vídeos e pequenos textos, lá também estarão agentes políticos alimentando seus apoiadores com conteúdo e, claro, tentando alcançar novos públicos. A grande questão é que as redes sociais são cada vez mais reconhecidas como celeiro de mentiras e propagação de fake news, em especial, com a evolução de recursos de inteligência artificial (IA).
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas afirmam que as big techs têm capacidade para combater o fenômeno do deepfake e notícias falsas nas redes sociais. No entanto, não há interesse das grandes corporações para isso, visto que seu modelo econômico é ajudado por sentimentos como raiva e medo, gerados por esses conteúdos.
Caio Almendra, cofundador do Instituto Brasileiro de Ciência de Dados (Bi0s) e sócio na rede de inovação Templo.cc, explica que existem soluções simples para verificar a identidade antes de os vídeos serem publicados, o que evitaria edições tendenciosas que pudessem afetar a imagem de candidatos. Todavia, o analista não acredita que seja o modelo de negócio dessas grandes empresas.
"Se você só permitisse que se pudesse editar, fazer um deepfake de uma pessoa que o seu aplicativo tivesse certificado que você tem opt-in, ou seja, consentimento, você resolveria esse problema. Tem tecnologia para isso? Claro que tem. A própria IA é uma tecnologia para isso. Se você obrigasse a única pessoa que pode fazer um vídeo do Lula [fosse] uma pessoa com a cara do Lula lendo a frase 'Oi, eu sou o Lula', ou uma frase aleatória qualquer dita naquele momento, seria um check-in simples."
Almendra destaca também que o Brasil, ao lado da União Europeia, é um dos maiores expoentes na regulamentação das redes sociais. Diferentemente da China, do Irã e da Rússia, que possuem ecossistemas on-line próprios que evitam as big techs, Brasília e Bruxelas tentam traçar parâmetros para que o ambiente digital não seja uma terra sem lei.
No entendimento do especialista, há um problema de negócio para as big techs, em especial, agora na era da IA. Apesar de ser considerada uma tecnologia revolucionária, as IAs ainda não são lucrativas, dado os altos custos para o desenvolvimento e a operação, com data centers que consomem grandes quantidades de energia.
"[A solução] seria você regulamentar bem, evitar o mau uso, e aí você gerar um ecossistema saudável. Como esse ecossistema nasce não saudável, ele nasce no desespero de como é que a gente sobrevive ao fato de não termos lucratividade."
Rodrigo Prando, cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que o grande ponto da questão sobre redes sociais na eleição é descobrir se estas têm o devido interesse em evitar manipulações.
"As big techs monetizam, lucram com todo o conteúdo que invariavelmente tem um forte apelo emocional, afetivo. Nós temos raiva, medo, angústia, desilusão, desespero, ódio, e todos esses sentimentos, especialmente manipulados por inteligência artificial em fotos ou vídeos, acabam criando engajamento. Então, a lógica dos algoritmos faz com que essas empresas ganhem muito dinheiro."
Para Prando, não é possível que atores regulatórios tenham a mesma velocidade que as empresas ao desenvolver tecnologias. Nesse jogo de ação e reação, o eleitor tem um papel determinante para fugir das fake news.
"A velocidade das mudanças tecnológicas são sempre maiores do que aquelas das instituições acompanhando e criando um ordenamento, um regramento jurídico. Então, no fundo, a gente tem que apostar na perspectiva, na capacidade crítica, na leitura crítica do mundo, do ambiente político por parte do cidadão, e infelizmente a gente tem pouco letramento nesse caso do campo das redes sociais, da tecnologia. Muita gente acredita fielmente naquilo que vê."
Um grupo de parlamentares de direita do Congresso Nacional ficou famoso nos últimos anos por seu alinhamento quase que automático em pautas conservadoras em questões morais e liberais em assuntos econômicos. A eles foi dado o apelido de Bancada BBB: bala, Bíblia e boi.
Com o controle de quase metade da Câmara e do Senado, esses congressistas ganharam o reforço com a formação de um novo grupo, apelidado de Bancada do Like. Também alinhados com a direita, esses políticos atuam em pautas a favor das big techs e contra maiores regulamentações de redes sociais e serviços por aplicativo.
Almendra, por sua vez, cita a existência da Bancada do Clique, de parlamentares impulsionados ao serviço público nas diferentes Casas pelos algoritmos.
"A Bancada do Clique é uma nova forma de eleger pessoas. Você tem que entender que o PL era um partido de centrão. Ele continua com muita gente no centrão, só que os seus puxadores de legenda são ligados à produção de conteúdo. É o influencer, é o youtuber da Polícia Militar que acaba se tornando muito relevante nas redes sociais e vem isso daí. O seu voto é mais difuso, menos bairrista."
Na avaliação de Almendra, há uma interseção entre a Bancada do Clique, o PL e a extrema-direita no Brasil,
e a Meta (empresa com atividades proibidas na Rússia por serem consideradas extremistas),
por sua vez, favorece esse grupo por meio de seus algoritmos.
"[Os algoritmos] são ferramentas muito inteligentes na forma de controle do debate, então é claro que é fácil você colocar a mão ali e empurrar para um lado ou para o outro. Não tenho dúvida que eles façam isso, que têm uma relação direta entre Bancada do Clique e big techs, e seria ingênuo achar que não haveria fortalecimento das big techs [em caso de eleição da direita]."
Já Prando relembra o Brexit e a primeira vitória presidencial de Donald Trump como casos documentados nos quais as redes sociais influenciaram deliberadamente eleitores. Em sua visão, pode haver um episódio parecido nas eleições deste ano no Brasil, mas outras questões também serão determinantes para o triunfo dos candidatos.
"Não é uma questão tão automática porque existem outras variáveis, mas, sem dúvida nenhuma, que o conteúdo com fake news, pós-verdade, negacionismo e teorias da conspiração ganham muita atração nas redes sociais e isso pode, sem dúvida nenhuma, atrapalhar ou até mesmo trazer resultados que corrompam, que sejam muito ruins à luz do debate público, da racionalidade e da democracia."
Como fugir da influência das redes sociais?
Todo mundo sabe que não se pode acreditar fielmente em tudo o que se vê nas redes sociais, mas, ao mesmo tempo, não é tão fácil assim fugir das fake news ou dos deepfakes. Quando a questão passa a ser conseguir escapar de determinados conteúdos, a conversa passa a um nível profissional.
Todo um segmento da economia foi ocupada por analisas e companhias especializadas em como decifrar os algoritmos e fazê-los trabalhar a seu favor.
Na opinião de Almendra, uma forma de mitigar os impactos das redes sociais nas eleições seria tornar as campanhas mais longas, como já foi no passado. Essa seria uma forma eficaz de desmentir eventuais materiais falsos e evitar que a credibilidade de candidatos seja afetada enquanto os algoritmos ainda são um mistério para o Estado.
"Sou daquelas pessoas que acreditam que a rede social deveria ser um espaço de ingerência pública intensa. É como se fosse uma praça: ela deveria ter regras, a gente deveria ter uma gestão estatal muito mais intensa sobre o funcionamento dela, sobre a regulamentação. Não sobre censura, mas sobre o algoritmo. Ele não pode ser opaco, o sistema tem que ser aberto, temos que entender como funciona o sistema."
Para Prando, é preciso que o eleitor seja ativo na luta contra a manipulação, mantendo-se informado por diferentes fontes, uma vez que o voto "é um direito, mas também um dever".
“E me parece que, no campo da sociedade, da democracia, todo mundo é responsável pelos rumos que essa sociedade tem. Então, estar informado de fontes fiéis, fidedignas, valorizar o trabalho do jornalismo profissional, ler vários tipos de jornais, acompanhar não apenas em redes sociais, nos smartphones, as notícias, mas, de forma mais geral, conhecer a história do país e os interesses envolvidos em uma eleição é uma forma de prevenir."
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