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Japão libera armas letais a aliados e marca mudança inédita na política de segurança pós-guerra

© AP Photo / Eugene HoshikoO tanque tipo 90 da Força de Auto-defesa Terrestre Japonesa dispara sua arma contra um alvo durante um exercício anual de simulação no acampamento Minami Eniwa na terça-feira, 7 de dezembro de 2021, em Eniwa, ilha japonesa de Hokkaido, no norte do Japão
O tanque tipo 90 da Força de Auto-defesa Terrestre Japonesa dispara sua arma contra um alvo durante um exercício anual de simulação no acampamento Minami Eniwa na terça-feira, 7 de dezembro de 2021, em Eniwa, ilha japonesa de Hokkaido, no norte do Japão - Sputnik Brasil, 1920, 21.04.2026
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O governo do Japão revisou suas regras de exportação de armamentos, passando a permitir a venda de equipamentos militares ao exterior, inclusive com capacidade letal, em meio a mudanças no cenário de segurança regional.
A decisão foi aprovada pelo gabinete e pelo Conselho de Segurança Nacional do país. Segundo o secretário-chefe do gabinete, Minoru Kihara, a revisão altera os chamados "três princípios sobre a transferência de equipamentos e tecnologia de defesa", que até então limitavam severamente esse tipo de exportação.
"Essas decisões garantirão a segurança do Japão diante do cenário de segurança em rápida transformação ao nosso redor. Para proteger a paz em nosso país e na região, é necessário promover as exportações de armamentos e fortalecer as capacidades de defesa dos países aliados", afirmou Kihara.
Com as mudanças, o governo japonês abandona a classificação anterior que restringia exportações a cinco categorias não combativas, como resgate, transporte, vigilância e desminagem. A partir de agora, os equipamentos passam a ser divididos entre "armas" e "não armas", com base na capacidade letal.
O tanque tipo 90 da Força de Auto-defesa Terrestre Japonesa dispara sua arma contra um alvo durante um exercício anual de simulação no acampamento Minami Eniwa na terça-feira, 7 de dezembro de 2021, em Eniwa, ilha japonesa de Hokkaido, no norte do Japão - Sputnik Brasil, 1920, 15.04.2026
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Embora, em princípio, a exportação de armamentos para países em conflito continue proibida, o novo marco prevê exceções em "circunstâncias especiais", levando em conta as necessidades de segurança do Japão.
Segundo o governo, a medida também busca fortalecer a indústria de defesa nacional e sua base tecnológica. Apesar da medida, o secretário destacou ainda que o país pretende manter seu compromisso com a paz, apesar da flexibilização das regras.
A mudança marca uma inflexão na política de segurança do Japão, tradicionalmente mais restritiva desde o pós-guerra, e ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas na região da Ásia-Pacífico.
No último fim de semana, uma delegação de cerca de 30 embaixadores da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) realizou uma visita inédita à Coreia do Sul e ao Japão, movimento interpretado por analistas consultados pela mídia asiática como um passo rumo à chamada "OTAN da Ásia-Pacífico".
De acordo com um artigo de opinião do Global Times, a missão, uma das maiores já enviadas à região, ocorre em meio ao esforço da aliança para ampliar sua atuação para além do escopo transatlântico definido em seu tratado fundador.
A expansão do interesse da OTAN na Ásia-Pacífico reflete tanto a continuidade da estratégia Indo-Pacífica dos EUA quanto as ansiedades internas da própria aliança, que enfrenta questionamentos sobre sua relevância em um cenário global multipolar. A crescente imprevisibilidade de Washington, somada a tensões internas, expõe fissuras estruturais que desafiam a coesão do bloco.
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