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Colonialismo de dados das big techs envolve soft power, repressão e economia, diz analista (VÍDEOS)

© Folhapress / Karime XavierGaroto na Escola Estadual Etelvina de Góes Marcucci, em Paraisópolis, São Paulo
Garoto na Escola Estadual Etelvina de Góes Marcucci, em Paraisópolis, São Paulo - Sputnik Brasil, 1920, 22.04.2026
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O avanço das big techs e seu controle sobre o fluxo comunicacional e a circulação de informações levantam dúvidas crescentes sobre os impactos do poder político que essas empresas detêm. Além disso, questionam-se os limites entre a moderação de conteúdo e a censura privada baseada nos dados de usuários, fenômeno que gera impactos em escala global.
Nesse complexo ambiente virtual, com acentuada centralização por parte de grandes companhias de tecnologia, emerge uma espécie de colonização — tema inclusive destacado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua última visita a Barcelona, onde criticou plataformas tecnológicas que impõem um colonialismo digital.
Nessa perspectiva, Caio Almendra, cofundador do Instituto Brasileiro de Ciência de Dados (Bi0s) e sócio na rede de inovação Templo.cc, em entrevista à Sputnik Brasil, enfatiza que esse tipo de colonialismo moderno tem resquícios com o do passado e explica que a operacionalização matemática dos algoritmos também consegue prever comportamentos e tendências.

"O colonialismo de dados, assim como o antigo, envolve soft power que é a opinião, hard power que é a repressão e movimento econômico. A partir de um conjunto de dados, desenvolve-se na máquina a predictibilidade, ou seja, por meio da matemática, prevê-se o que pode acontecer. Isso não é previsão de futuro, mas sim algo estatístico. Inicialmente teve um valor econômico que é a recomendação de consumo [aos usuários]", disse.

Ainda no âmbito da economia, as big techs — por terem um poder concentrador no fluxo tecno-informacional — acabam tendo acesso ao valor de recursos a nível mundial, segundo o pesquisador, que também se refere ao conceito de colonialismo de dados como imperialismo de dados. Assim sendo, gerou-se o desenvolvimento da criptomoeda como forma de tentar driblar a vigilância imposta pelos grandes conglomerados do setor de tecnologia.

"As big techs sabem quanto dinheiro sai do bolso de cada pessoa e onde ela está, e entendem o fluxo de recursos a partir de big datas de quase toda a riqueza mundial. Uma das consequências desse imperialismo de dados é o surgimento da economia criptografada. Por isso que países sob sanções como Coreia do Norte, Irã e Cuba usam para conseguir existir fora do olho do grande irmão [big techs]", destaca.

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No espaço virtual, a opinião é restrita

Apesar de propagarem "liberdade" e "democracia" aos usuários que usam esses serviços para produzir conteúdo, plataformas como o Facebook e o Instagram da Meta (proibidas na Rússia por extremismo) concentram dados e algoritmos e até a capacidade de decidir quem fala, quem circula e quem desaparece do espaço digital. Para Almendra, como essas empresas são dos EUA, acabam agindo conforme os interesses de seu país de origem.

"Tanto na aplicação de repressão e de soft power, há uma evolução técnica que envolve comunicação. Hoje, a opinião na rede social é transformada em matemática e, com a ajuda da IA, pode censurar dados, que permite o controle fino da política. Por isso, mensagens de extrema direita têm mais alcance do que as de esquerda que não interessam ao governo americano", comenta.

O professor de história João Cláudio Pitillo, criador do canal Guerra Patriótica, teve sua conta no YouTube (plataforma administrada pelo Google) removida em outubro de 2025. O canal era uma de suas fontes de renda e, embora tenha obtido o restabelecimento do canal na esfera judicial, a decisão não garantiu o retorno da monetização.
Além disso, a gigante norte-americana excluiu seu e-mail pessoal no Gmail, gerando mais transtornos. O processo tramita na Justiça do Rio de Janeiro sob o número 3018351-88.2025.8.19.0001/RJ.

"O meu canal foi tirado do ar sob a alegação de que fiz vídeos glorificando o Hamas e o Hezbollah. A Justiça brasileira exigiu que restabelecesse o meu acesso aos meus vídeos. O Google reativou o meu canal sem monetização, e depois cancelaram meu e-mail, ou seja, estou sem acesso ao meu próprio canal. Estou recorrendo em segunda instância", revela.

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Pix desafia os interesses das big techs e dos EUA

Recentemente, o Pix, mais uma vez, foi mencionado em um relatório do governo dos Estados Unidos como algo prejudicial às operadoras de cartão de crédito estadunidenses, além de tornar a criticar a operação desse método de pagamento ser subordinado ao Banco Central. Nesse contexto, Almendra aponta que isso faz com que o Brasil demonstre a capacidade brasileira de ter sua soberania digital, assim como Rússia e China.

"Assim como a Rússia e a China, que têm suas próprias infraestruturas digitais, o Brasil tem algumas áreas que desenvolvem as suas ferramentas, como o Pix, que é uma infraestrutura digital de finanças que está sob ataque porque permite um método de pagamento sem empresas [estrangeiras] e, por isso, os EUA querem sancionar o Pix e não deixar que se expanda a outros países", conclui.

Nesse cenário em que plataformas concentram dados, algoritmos e capacidade de decidir quem fala, quem circula e quem desaparece do espaço digital, dessa forma, o ciberespaço cada vez mais se torna uma trincheira de disputa geopolítica e de controle.
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