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Especialista alerta: 'A internet virou uma colônia — e ninguém tenta esconder isso'
Especialista alerta: 'A internet virou uma colônia — e ninguém tenta esconder isso'
Sputnik Brasil
A Internet opera hoje sob uma lógica de neocolonialismo digital, em que países inteiros dependem de plataformas, infraestruturas e regras impostas por grandes... 22.04.2026, Sputnik Brasil
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O veterano especialista independente em cibersegurança Lars Hilse, em entrevista à Sputnik, afirmou que o debate sobre desigualdade digital mascara um problema mais profundo: a transformação da Internet em um sistema de dependência estrutural que limita a soberania de países inteiros.Hilse argumenta que o neocolonialismo digital não se refere apenas ao acesso desigual, mas ao controle das regras, dos fluxos de dados e da capacidade de desligar sistemas inteiros. Mesmo países com alta penetração de smartphones podem estar, segundo ele, "colonizados", caso dependam de Android, servidores do Google, publicidade da Meta (empresa dona do Facebook, Instagram e WhatsApp cujas atividades são proibidas na Rússia por serem consideradas extremistas) e armazenamento em nuvens regidas pela legislação dos Estados Unidos. "O que exatamente significa soberania nacional nesse contexto?", questiona.O especialista descreve um mecanismo simples: tornar-se indispensável e, depois, tornar a saída impossível. Soluções gratuitas, como Google Workspace, criam dependência administrativa; nuvens como AWS e Azure capturam infraestrutura crítica; e sistemas de pagamento globais permitem que sanções norte-americanas interrompam economias inteiras. "Gratuito não é gratuito — é denominado em dados e dependência", afirma.A camada de inteligência artificial (IA), diz Hilse, aprofunda a assimetria.O analista também aponta que empresas como Google, Meta, Microsoft e Apple exercem influência direta sobre o cotidiano digital de bilhões de pessoas. O Google controla cabos submarinos e o ecossistema Android; a Meta domina a comunicação no Sul Global; a Microsoft administra a burocracia estatal de dezenas de países; e a Apple impõe taxas e regras sobre economias inteiras via iOS. "O cabo submarino é o império. Todo o resto vem a reboque", afirma.Hilse relata ainda que dados coletados em países pobres alimentam perfis comportamentais vendidos a anunciantes globais, enquanto a receita é registrada em paraísos fiscais. Os dados, depois de processados, ofertam os mais diversos produtos e serviços nos fazendo questionar o que é privacidade.A camada de consentimento, segundo ele, é ilusória. Em mercados onde o WhatsApp é essencial para trabalhar, recusar os termos de uso não é uma opção real. "Consentimento sob monopólio não é consentimento", afirma. Os termos, redigidos sob a legislação norte-americana, funcionam como concessões coloniais modernas.Hilse também critica programas de segurança financiados pelos EUA, como os da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e empresas como Palantir, que, segundo ele, oferecem capacitação enquanto ampliam a visibilidade norte-americana sobre infraestruturas críticas.Para o especialista, o sistema funciona independentemente da intenção individual de engenheiros ou gestores. "Os incentivos se alinham para desfavorecer os menos poderosos", disse, destacando ainda que a retórica da inclusão digital serve como cobertura ideológica para desviar críticas estruturais.Hilse conclui que a disputa central não é tecnológica, mas geopolítica. "Isso não é uma lacuna. Isso é arquitetura", reforça. E, enquanto cabos, nuvens e plataformas permanecerem sob controle de poucas corporações norte-americanas, a soberania digital continuará sendo, para muitos países, apenas uma ilusão administrada.
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Especialista alerta: 'A internet virou uma colônia — e ninguém tenta esconder isso'
A Internet opera hoje sob uma lógica de neocolonialismo digital, em que países inteiros dependem de plataformas, infraestruturas e regras impostas por grandes corporações norte-americanas, afirmou o especialista Lars Hilse à Sputnik. Para ele, "a Internet é uma colônia — e ninguém está tentando esconder isso".
O veterano especialista independente em cibersegurança Lars Hilse, em entrevista à Sputnik, afirmou que o debate sobre desigualdade digital mascara um problema mais profundo: a
transformação da Internet em um sistema de dependência estrutural que limita a
soberania de países inteiros.
"Não é uma lacuna. É uma arquitetura", resumiu o analista. Para ele, o termo "exclusão digital" suaviza uma realidade mais dura: a exploração ativa de nações que dependem de infraestrutura e serviços controlados por gigantes da tecnologia.
Hilse argumenta que o
neocolonialismo digital não se refere apenas ao acesso desigual, mas ao
controle das regras, dos fluxos de dados e da capacidade de desligar sistemas inteiros. Mesmo países com alta penetração de smartphones podem estar, segundo ele, "colonizados", caso dependam de Android, servidores do Google, publicidade da Meta (empresa dona do Facebook, Instagram e WhatsApp cujas atividades são proibidas na Rússia por serem consideradas extremistas) e armazenamento em nuvens regidas pela legislação dos Estados Unidos. "O que exatamente significa
soberania nacional nesse contexto?", questiona.
O especialista descreve um mecanismo simples:
tornar-se indispensável e, depois, tornar a saída impossível. Soluções gratuitas, como Google Workspace, criam dependência administrativa; nuvens como AWS e Azure capturam
infraestrutura crítica; e sistemas de pagamento globais permitem que sanções norte-americanas interrompam economias inteiras. "Gratuito não é gratuito — é denominado em dados e dependência", afirma.
A camada de inteligência artificial (IA), diz Hilse, aprofunda a assimetria.
"E agora, IA. Talvez a camada mais insidiosa. Grandes modelos de linguagem exigem poder computacional e acesso contínuo à Interface de Programação de Aplicações [API, na sigla em inglês], recursos que apenas algumas empresas podem fornecer. Um governo que constrói serviços públicos com IA usando a API da OpenAI ou o Gemini do Google está, efetivamente, construindo sua soberania em terras alugadas — de um proprietário sujeito aos controles de exportação dos EUA. Durma bem", ironizou.
O analista também aponta que empresas como Google, Meta, Microsoft e Apple exercem influência direta sobre o cotidiano digital de bilhões de pessoas. O Google controla
cabos submarinos e o ecossistema Android; a Meta domina a comunicação no Sul Global; a Microsoft administra a burocracia estatal de dezenas de países; e a Apple impõe taxas e regras sobre economias inteiras via iOS. "
O cabo submarino é o império. Todo o resto vem a reboque", afirma.
Hilse relata ainda que
dados coletados em países pobres
alimentam perfis comportamentais vendidos a anunciantes globais, enquanto a receita é registrada em paraísos fiscais. Os dados, depois de processados, ofertam os mais diversos produtos e serviços nos fazendo questionar o que é privacidade.
"Isso é real! Quando eu trabalhava nas Maldivas, estava em uma chamada de Skype com um amigo e estávamos brincando sobre o tema do aborto. De repente, dez segundos depois, entro no Facebook e me deparo com um anúncio de clínicas de aborto anônimas no Sri Lanka [...] e isso foi há mais de uma década e meia!", lembrou.
A
camada de consentimento, segundo ele, é ilusória. Em mercados onde o WhatsApp é essencial para trabalhar,
recusar os termos de uso não é uma opção real. "Consentimento sob monopólio não é consentimento", afirma. Os termos, redigidos sob a legislação norte-americana, funcionam como concessões coloniais modernas.
Hilse também critica programas de segurança
financiados pelos EUA, como os da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e empresas como Palantir, que, segundo ele,
oferecem capacitação enquanto ampliam a visibilidade norte-americana sobre infraestruturas críticas.
"Você não está comprando uma ferramenta neutra. Está entrando em uma parceria com a agência de espionagem da sua contraparte", afirma.
Para o especialista, o sistema funciona independentemente da intenção individual de engenheiros ou gestores. "
Os incentivos se alinham para desfavorecer os menos poderosos", disse, destacando ainda que a retórica da inclusão digital serve como
cobertura ideológica para desviar críticas estruturais.
Hilse conclui que a disputa central não é tecnológica, mas geopolítica. "
Isso não é uma lacuna. Isso é arquitetura", reforça. E, enquanto cabos, nuvens e plataformas permanecerem sob controle de
poucas corporações norte-americanas, a soberania digital continuará sendo, para muitos países, apenas uma ilusão administrada.
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