Mídia: bloqueio no estreito de Ormuz ameaça fertilizantes e acende alerta global de crise alimentar
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A interrupção do fluxo de energia pelo estreito de Ormuz está elevando o risco de um choque alimentar global, já que o aumento dos preços do gás pressiona a produção de fertilizantes e setores industriais competem com a agricultura por insumos e logística, escreveu a mídia britânica, nesta quarta-feira (22).
Segundo o Financial Times, comerciantes têm alertado que o mundo opera "com tempo emprestado", diante de um cenário em que gargalos energéticos rapidamente se convertem em ameaças à segurança alimentar, ao referenciar os reflexos da guerra dos EUA e Israel contra o Irã.
O estreito, responsável por cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) e por um terço do comércio marítimo de fertilizantes, tornou-se um ponto crítico para a produção de alimentos.
A redução do fluxo de GNL já restringe o consumo industrial, com fábricas — especialmente as de fertilizantes — respondendo por cerca de 40% da queda na demanda desde o início dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã no fim de fevereiro.
Como o gás natural é matéria-prima essencial para fertilizantes nitrogenados, a queda na oferta ameaça diretamente a produção agrícola. Especialistas alertaram à apuração que, sem normalização rápida, a crise energética pode se transformar em crise alimentar, elevando preços e reduzindo colheitas nas próximas temporadas.
Contudo, a guerra no Oriente Médio também afeta a logística global. O fechamento do estreito pelo Irã e o bloqueio naval dos EUA provocaram congestionamentos em rotas alternativas, como o canal do Panamá, onde petroleiros passaram a disputar espaço com navios graneleiros, elevando custos e tempos de espera para até 40 dias.
Com isso, o frete de cargas agrícolas — especialmente grãos — subiu entre 50% e 60%, pressionando agricultores norte-americanos que já enfrentam dificuldade para competir com produtores de menor custo, como o Brasil. As margens ficam mais estreitas e o acesso a mercados emergentes se torna mais difícil.
O aumento do custo do combustível marítimo agrava a situação, levando navios a reduzir velocidade e diminuindo a capacidade efetiva do transporte global de granéis. Essa combinação introduz ineficiências em toda a cadeia logística, ampliando o risco de desabastecimento e encarecimento dos alimentos.
Ainda segundo a mídia, comerciantes agrícolas alertam que o mercado ainda não precificou totalmente uma interrupção prolongada no fornecimento de fertilizantes e insumos essenciais. A expectativa de um conflito curto levou investidores a subestimar o impacto potencial, mas mesmo seis meses adicionais de bloqueio poderiam afetar o ciclo agrícola de 2027.
Além disso, cresce a competição por insumos críticos, como o enxofre, desviado para setores industriais de maior valor agregado, deixando os produtores de fertilizantes em desvantagem.



