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'Essas águas reclamam por força naval crível': Marinha lança ao mar navio-patrulha Mangaratiba

© Sputnik / Guilherme SchannerNavio-Patrulha Mangaratiba em seu dia de lançamento no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro
Navio-Patrulha Mangaratiba em seu dia de lançamento no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro - Sputnik Brasil, 1920, 27.04.2026
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Navio-patrulha Mangaratiba integra programa de modernização da Marinha, enquanto autoridades destacam papel da Amazônia Azul, avanço da indústria de defesa e desafios na proteção das águas brasileiras.
O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, e outras autoridades participaram nesta segunda-feira (27) da cerimônia de lançamento do navio-patrulha Mangaratiba (P73), realizada no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. O evento marcou mais um avanço no programa de renovação e ampliação da frota da Marinha do Brasil.
Quarto navio da Classe Macaé, o Mangaratiba foi construído nas instalações do próprio arsenal e possui 54,2 metros de comprimento, sendo projetado para atuar com eficiência e autonomia em missões de patrulhamento, vigilância e inspeção naval.
A embarcação deverá reforçar a capacidade do país na proteção das águas jurisdicionais, no combate a ilícitos e no apoio a operações de segurança marítima.
Após o lançamento, o navio passará por uma fase de testes — incluindo verificações de sistemas e armamentos —, com previsão de cerca de um ano até sua incorporação definitiva à frota.
A cerimônia foi marcada por discursos que ressaltaram tanto o simbolismo quanto a relevância estratégica do projeto. Madrinha do navio, a secretária-geral do Ministério da Defesa, Cinara Wagner Fredo, destacou a junção entre tradição e inovação na construção do Mangaratiba.

"O navio-patrulha Mangaratiba é o resultado de um esforço coletivo que reúne engenharia, tecnologia e mão de obra altamente qualificada, refletindo uma Marinha cada vez mais moderna, eficiente e preparada para os desafios contemporâneos."

Ela também enfatizou o significado do batismo naval desejando proteção, sucesso, "bons ventos e mares tranquilos" à embarcação e à futura tripulação, que, segundo ela, deve enxergar no navio um símbolo de missão, honra e pertencimento.
Além dela, o comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, reforçou a centralidade do mar para o Brasil e a necessidade de uma força naval compatível com a dimensão marítima do país, que ultrapassa 5,7 milhões de quilômetros quadrados.

"O Brasil [...] é herdeiro legítimo de patrimônio oceânico de singular magnitude. Essas águas [...] reclamam por força naval crível, dotada de meios modernos", afirmou.

A F200 durante a cerimônia de lançamento na Base Naval do Rio de Janeiro, na ilha do Mocanguê Grande, em Niterói (RJ). Brasil, 24 de abril de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 24.04.2026
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Olsen destacou ainda o papel do Programa de Obtenção de Navios-Patrulha (Pronapa), que prevê a construção de 11 embarcações e deve formar a espinha dorsal da patrulha costeira brasileira, além de impulsionar a indústria naval, gerar empregos e ampliar a capacidade tecnológica nacional.
Depois, foi a vez do ministro da Defesa, José Mucio, que também ressaltou a importância de projetos estratégicos das Forças Armadas como motores da indústria de defesa. Segundo ele, iniciativas da Marinha, do Exército e da Força Aérea têm impacto direto na economia, estimulando inovação, geração de empregos e arrecadação.

"Investir em defesa é gerar emprego, é gerar tecnologia, é trazer novas tecnologias para dentro", afirmou. Ele citou, ainda, programas como as fragatas Tamandaré, os submarinos da Classe Riachuelo e o futuro submarino nuclear Álvaro Alberto como exemplos do avanço brasileiro no setor, apesar de desafios orçamentários.

Sobretudo, o ministro pontuou como tais projetos sofrem com as constantes paralisias por conta da falta de orçamento. Atualmente, o Brasil aumentou o orçamento em defesa para R$ 119,26 bilhões), o que equivale a 1,1% do produto interno bruto (PIB) brasileiro. Discussões no Congresso Nacional tentam elevar esse investimento para, pelo menos, 2%.
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Em coletiva, Mucio destacou o crescimento das exportações brasileiras de produtos de defesa, que passaram de US$ 628 milhões no início do governo para cerca de US$ 3,4 bilhões no último ano. O ministro apontou o interesse de países da América do Sul por equipamentos brasileiros e mencionou o cargueiro militar C-390 como um dos destaques da indústria nacional.
Ao mesmo tempo, alertou para a necessidade de ampliar a presença naval ao longo dos mais de 8,5 mil de km de costa do país, especialmente na região Norte, considerada estratégica tanto pelo combate ao tráfico internacional quanto pela expansão da exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial.

"Isso tudo aqui precisa acontecer lá no Norte. Hoje é como se fosse um outro Brasil, mas isso é projeto de novos governos, de novos tempos que virão pela frente."

Em conversa com a imprensa, o almirante Olsen reforçou que a atuação da Marinha vai além da defesa, abrangendo segurança marítima, prevenção da poluição, salvaguarda da vida humana no mar e apoio a ações do Estado como resposta a desastres naturais. Ele também destacou o papel diplomático da força, especialmente na cooperação com países do Atlântico Sul.

"O mar não nos separa, mas deve ser objeto de união", afirmou, defendendo a atuação conjunta para a preservação desse espaço estratégico.

Nesse contexto, ganha relevância o conceito de Amazônia Azul, que se refere à extensa área marítima sob jurisdição brasileira. Com mais de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, essa região concentra recursos estratégicos como petróleo, gás, biodiversidade e rotas essenciais para o comércio exterior — cerca de 97% das exportações brasileiras passam pelo mar.
Além disso, abriga infraestruturas críticas, como portos e cabos submarinos responsáveis pela transmissão de dados. A proteção da Amazônia Azul é vista como fundamental para a soberania e o desenvolvimento do país, exigindo investimentos contínuos em presença naval, tecnologia e programas de longo prazo.
Para o comando da Marinha, iniciativas como o Pronapa e outros projetos estruturantes são essenciais, mas demandam continuidade orçamentária e planejamento estratégico.
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