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Em meio a nova Doutrina Monroe, Petrobras busca expansão na América Latina com foco no México

© AP Photo / Eraldo PeresReservatórios de combustível do Centro de Distribuição da Petrobras em Brasília (DF), em maio de 2024
Reservatórios de combustível do Centro de Distribuição da Petrobras em Brasília (DF), em maio de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 28.04.2026
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Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, ex-executivo da estatal explica necessidade mexicana de ajuda brasileira e as vantagens de Brasília na exploração do golfo do México.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, visitou na última sexta-feira (24) o México, onde se reuniu com a presidente do país, Claudia Sheinbaum, para discutir uma parceria da estatal brasileira com a empresa pública de petróleo mexicana, a Pemex.
A expectativa é que a Petrobras auxilie a Pemex na exploração de poços profundos no golfo do México, utilizando o conhecimento adquirido ao longo dos anos com os trabalhos no pré-sal brasileiro. Outro desejo do governo de Sheinbaum é o conhecimento em biocombustíveis, uma vez que o Brasil é referência com o etanol.
Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, Marcelo Simas, ex-executivo da Petrobras, explica que a produção de petróleo no México está em queda há mais de dez anos e que a parceria com a Petrobras pode dar uma nova vida à Pemex.

"Acontece que o México não tem uma tecnologia de águas ultraprofundas, é uma tecnologia muito restrita e eles dependem de outras empresas privadas. Uma empresa como a Petrobras, que tem obviamente uma experiência nessa área, […] é muito interessante para o México fazer uma parceria, justamente para poder ampliar a sua produção."

Simas, que é professor de geopolítica energética na Fundação Getulio Vargas (FGV), na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conta que o México é o 12º maior produtor de petróleo do mundo, com pouco mais de 2 milhões de barris por dia, enquanto o Brasil flutua entre o 7º e 8º com o dobro da produção mexicana.
O analista aponta que há ainda outra razão do interesse brasileiro em expandir suas operações. Apesar de ser referência petrolífera no cenário latino-americano, o Brasil possui 17 bilhões de barris em suas reservas de petróleo. Se levado em consideração o consumo de hoje, isto equivale a 14 anos de consumo interno, o que é pouco.
Logo, aumentar essas reservas é um dos principais motivos da expansão da Petrobras não só para o golfo do México, mas também para outros mercados, como Angola, Índia e Suriname.
Sede da Petrobras na região central do Rio de Janeiro - Sputnik Brasil, 1920, 23.04.2026
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Petrobras é 'eixo central' de disputa entre espectros políticos, e robustez impede mudanças bruscas
Apesar do histórico de parceria política com a Venezuela no início deste século, o professor explica que o hidrocarboneto de Caracas não tem as mesmas propriedades do petróleo brasileiro, dificultando uma parceria entre Petrobras e PDVSA.

"Para o Brasil, é um petróleo que não tem muita serventia, porque as nossas refinarias já foram adaptadas no passado para o pré-sal. E o pré-sal é um petróleo mais leve. Então o Brasil ainda importa petróleo, uma quantidade muito pequena, que é o petróleo da Nigéria, que tem sinergia com o do Brasil."

Além das diferenças entre o tipo de hidrocarboneto, uma parceria com Caracas para a extração de petróleo envolveria driblar as ações de Washington sobre os recursos naturais do país. Desde o sequestro do presidente Nicolás Maduro, em janeiro, os Estados Unidos têm comandado os negócios energéticos locais.
Simas é enfático ao destacar que esta ação da gestão norte-americana tem como objetivo fragilizar a China, a principal compradora da Venezuela. O mesmo acontece no Irã.

"A China, há muitos anos, comprou esse petróleo antecipadamente da Venezuela, em uma operação chamada Oil for Loan [óleo por empréstimo, em tradução livre]. Cerca de 80% a 85% dessa produção venezuelana irá para a China. Ao que parece, a mesma coisa está acontecendo no Irã."

Ainda sobre os Estados Unidos, Simas acredita que Washington esteja tentando implementar uma nova Doutrina Monroe, mas desta vez o objetivo é afastar China e Rússia da América Latina. Essa pressão constante da Casa Branca sobre a região teria sido o que impediu uma unificação regional até agora.

"Os EUA sempre procuraram fazer dissensões entre os países da América Latina, justamente para que eles não se unissem, [senão] eles perderiam a capacidade de influenciá-los. Então, alguns países mais ajuizados, como Brasil, México e Argentina, no passado, são países que têm condição de liderar [a união]. Mas sempre os EUA estão atuando, por meio dos mais diversos tipos de intervenções, para não deixar que esses países se unam, para justamente não chegar a uma integração política, regional e comercial."

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