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Análise: ação do governo para reduzir impacto nos combustíveis eleva disputa sobre quem paga a conta
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Sputnik Brasil
A coincidência entre a instabilidade no estreito de Ormuz, que contribuiu para o aumento do preço do petróleo no mercado internacional, e as eleições... 14.04.2026, Sputnik Brasil
2026-04-14T17:25-0300
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A alta nos combustíveis tem exigido ações rápidas. No caso do governo federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu o cancelamento do leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, da Petrobras, que havia vendido o produto às distribuidoras com preços até 100% maiores do que os cobrados na tabela da estatal.Além disso, o governo já havia anunciado uma subvenção de R$ 850 sobre cada tonelada de GLP importado, com valor total de R$ 330 milhões subsidiados.Já nesta terça-feira (14), o presidente voltou a criticar a privatização da BR Distribuidora e lamentou que o Brasil não tem mais uma distribuidora para regular os preços dos derivados do petróleo.O óleo diesel também contou com intervenção por parte dos governos para que o aumento não chegue aos bolsos do consumidor. O governo federal, junto a governos estaduais, decidiu criar uma subvenção ao diesel importado, que representa cerca de 30% do utilizado no Brasil.A proposta estabelece R$ 1,20 de subvenção para cada litro de diesel importado. A ideia é que o valor seja divido igualmente entre os dois governos. Os estados, por exemplo, financiariam o custo com subsídio através do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE), através do qual o governo federal repassa recursos mensalmente aos estados.A Sputnik Brasil ouviu especialistas para analisar o cenário a partir das medidas paliativas adotadas por governos, em meio às incertezas do mercado internacional, diante dos conflitos no Oriente Médio.Em relação à subvenção do diesel, especialistas avaliam que a medida acaba sendo permeada pelo momento atual, com eleições à vista.De acordo com Juliana Inhasz, professora e coordenadora do curso de graduação em economia do Insper, a formação do preço dos combustíveis no Brasil envolve tributos federais e estaduais, o que naturalmente torna a discussão muito politizada. Portanto, a partir do momento que governos tentam amortecer o impacto em uma das pontas, a tendência é aumentar "a chance de disputa sobre quem paga essa estabilização e até que ponto a política tributária pode ser usada para conter preços".Nesse sentido, ela avalia que o debate pode reacender o embate federativo sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e colocar "estados e União meio que em lados opostos e acabar politizando a melhoria dessa matriz energética. Vai ficar na cara que a gente nunca sabe para quem passar a conta, especialmente nos momentos onde as coisas ficam piores".Neutralização dos custos são medidas emergenciaisInhasz explica que as subvenções ao diesel e ao GLP são como se fosse um colchão ou um amortecedor diante de um choque externo muito abrupto. "Esse amortecimento acontece via essa medida de intervenção porque ela evita uma transmissão imediata do preço para o consumidor e para a cadeia produtiva como um todo. Mas é importante ressaltar que esse tipo de medida funciona bem quando é temporária", destacou. No caso das medidas anunciadas pelo governo federal, a previsão de duração é de dois meses, podendo ser prorrogadas por mais dois. Nesse caso, bem desenhada e e com teto estabelecido, a especialista avalia a medida como interessante, uma vez que segura a resposta de curto prazo, mas ressalta que a proposta não resolve problemas a longo prazo.Nesse caso, volta ao centro do debate uma necessidade que já vem sendo discutida no Brasil, segundo Losekann, uma política mais sustentável, de estabilização de preços de combustível. Atualmente, o Brasil não tem mais a Petrobras como controladora de preços pela ausência da BR Distribuidora e, portanto, "a possibilidade de ter o mercado brasileiro totalmente descolado do mercado internacional é mais difícil".O analista defende, ainda, que os subsídios sejam mais focados em determinados grupos. No caso do GLP, necessário nos lares e que pode ser um recurso que vá faltar a famílias com menos recursos financeiros, faz sentido uma intervenção, mas não é o caso de todo combustível. Ainda sobre o trabalho de contenção de danos, Inhasz ressalta que a credibilidade fiscal fica mais preservada quando os prazos são cumpridos. Caso contrário, ela pode ficar ameaçada, ou seja, quando a exceção vira regra e "o governo começa a fazer de uma política de excepcionalidade uma política comum", intervindo "de forma recorrente para neutralizar qualquer tipo de choque".Nesse sentido, uma resposta sólida e duradoura passa por repensar infraestrutura e logística, ao passo que o Brasil ainda desperdiça grandes volumes de gás natural, queimados ou reinjetados por falta de infraestrutura para escoamento e aproveitamento através de refinarias.Losekann, por sua vez, destaca que a autossuficiência ajuda a enfrentar situações emergenciais como as de agora. Entretanto, o Brasil precisa ser atrativo para investimento, o que inclui o não descolamento do mercado internacional, ou seja, em alguma medida, os sinais de preços precisam ser repassados."A precificação e a atratividade dos investimentos são questões relacionadas, então, para o refino brasileiro ser atrativo. Para desenvolver uma capacidade para atender ao mercado doméstico, é necessário que o preço seja remunerativo e que siga os sinais de preços internacionais", salienta.
https://noticiabrasil.net.br/20260402/pocos-profundos-x-novo-tipo-de-petroleo-quais-as-vantagens-da-parceria-entre-petrobras-e-pemex-49434728.html
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luiz inácio lula da silva, brasil, oriente médio, brasília, br distribuidora, universidade federal fluminense (uff), juliana inhasz, gás de cozinha, diesel, preços de combustíveis, biocombustíveis, agência nacional do petróleo, gás natural e biocombustíveis (anp), orçamento, subsídios, intervenção, mercado, economia, exclusiva, icms
Análise: ação do governo para reduzir impacto nos combustíveis eleva disputa sobre quem paga a conta
17:25 14.04.2026 (atualizado: 18:30 14.04.2026) Especiais
A coincidência entre a instabilidade no estreito de Ormuz, que contribuiu para o aumento do preço do petróleo no mercado internacional, e as eleições brasileiras coloca sobre a mesa de líderes estaduais e do governo federal dilemas sobre o gás de cozinha e o diesel, que podem ficar mais caros e impactar o bolso do consumidor.
A alta nos combustíveis tem exigido ações rápidas. No caso do governo federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu o
cancelamento do leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, da Petrobras, que havia vendido o produto às distribuidoras com preços até 100% maiores do que os cobrados na tabela da estatal.
Além disso, o governo já havia anunciado uma subvenção de R$ 850 sobre cada tonelada de GLP importado, com valor total de R$ 330 milhões subsidiados.
Já nesta terça-feira (14), o presidente voltou a criticar a privatização da BR Distribuidora e lamentou que o Brasil não tem mais uma distribuidora para regular os preços dos derivados do petróleo.
O óleo diesel também contou com
intervenção por parte dos governos para que o aumento não chegue aos bolsos do consumidor. O governo federal, junto a governos estaduais, decidiu criar uma subvenção ao diesel importado, que
representa cerca de 30% do utilizado no Brasil.
A proposta estabelece R$ 1,20 de subvenção para cada litro de diesel importado. A ideia é que o valor seja divido igualmente entre os dois governos. Os estados, por exemplo, financiariam o custo com subsídio através do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE), através do qual o governo federal repassa recursos mensalmente aos estados.
A Sputnik Brasil ouviu especialistas para analisar o cenário a partir das medidas paliativas adotadas por governos, em meio às incertezas do mercado internacional, diante dos conflitos no Oriente Médio.
Em relação à subvenção do diesel, especialistas avaliam que a medida acaba sendo permeada pelo momento atual, com eleições à vista.
"A divisão dos custos entre União e estados, ainda que a gente possa pensar que seja uma solução adequada, porque não divide ônus, acaba sendo muito dominada pela questão política", afirma Luciano Losekann, professor e coordenador do Grupo de Energia e Regulação (Gener) da Universidade Federal Fluminense (UFF).
De acordo com
Juliana Inhasz, professora e coordenadora do curso de graduação em economia do Insper, a formação do
preço dos combustíveis no Brasil envolve tributos federais e estaduais, o que naturalmente torna a discussão muito politizada. Portanto, a partir do momento que governos tentam amortecer o impacto em uma das pontas,
a tendência é aumentar "a chance de disputa sobre quem paga essa estabilização e até que ponto a política tributária pode ser usada para conter preços".
Nesse sentido, ela avalia que o debate pode reacender o embate federativo sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e colocar "estados e União meio que em lados opostos e acabar politizando a melhoria dessa matriz energética. Vai ficar na cara que a gente nunca sabe para quem passar a conta, especialmente nos momentos onde as coisas ficam piores".
Neutralização dos custos são medidas emergenciais
Inhasz explica que as subvenções ao diesel e ao GLP são como se fosse um colchão ou um amortecedor diante de um choque externo muito abrupto.
"Esse amortecimento acontece via essa medida de intervenção porque ela evita uma transmissão imediata do preço para o consumidor e para a cadeia produtiva como um todo. Mas é importante ressaltar que esse tipo de medida funciona bem quando é temporária", destacou.
No caso das medidas anunciadas pelo governo federal, a previsão de duração é de dois meses, podendo ser prorrogadas por mais dois.
Nesse caso, bem desenhada e e com teto estabelecido, a especialista avalia a medida como interessante, uma vez que segura a resposta de curto prazo, mas ressalta que a proposta não resolve problemas a longo prazo.
"Se esse conflito se alonga muito, talvez essa medida seja superada rapidamente", pontua.
Nesse caso, volta ao centro do debate uma necessidade que já vem sendo discutida no Brasil, segundo Losekann, uma política mais sustentável, de estabilização de preços de combustível. Atualmente, o Brasil
não tem mais a Petrobras como controladora de preços pela ausência da BR Distribuidora e, portanto,
"a possibilidade de ter o mercado brasileiro totalmente descolado do mercado internacional é mais difícil".
O analista defende, ainda, que os subsídios sejam mais focados em determinados grupos. No caso do GLP, necessário nos lares e que pode ser um recurso que vá faltar a famílias com menos recursos financeiros, faz sentido uma intervenção, mas não é o caso de todo combustível.
"Foi muito discutida a questão da querosene de aviação. A querosene de aviação tem um impacto bem diferente do impacto do GLP. Então, eu acho que uma primeira questão é que os subsídios devem ser mais focalizados, e não generalizados. Tem que escolher para quais combustíveis, para quais mercados e quais consumidores devem ser objeto dessa política", argumenta.
Ainda sobre o trabalho de contenção de danos, Inhasz ressalta que a credibilidade fiscal fica mais preservada quando os prazos são cumpridos. Caso contrário, ela pode ficar ameaçada, ou seja, quando a exceção vira regra e "o governo começa a fazer de uma política de excepcionalidade uma política comum", intervindo "de forma recorrente para neutralizar qualquer tipo de choque".
Nesse sentido, uma resposta sólida e duradoura passa por repensar infraestrutura e logística, ao passo que o Brasil ainda desperdiça grandes
volumes de gás natural, queimados ou reinjetados por falta de infraestrutura para escoamento e aproveitamento através de refinarias.
"Não adianta nada a gente fazer um baita do esforço agora se a gente não consegue traduzir isso em ganhos que sejam de médio e longo prazo, só ganhos de curto prazo. Eles não são suficientes, no geral, para segurar medidas como essas", afirma a professora.
Losekann, por sua vez, destaca que a autossuficiência ajuda a enfrentar situações emergenciais como as de agora. Entretanto, o Brasil precisa ser atrativo para investimento, o que inclui o não descolamento do mercado internacional, ou seja, em alguma medida, os sinais de preços precisam ser repassados.
"A precificação e a atratividade dos investimentos são questões relacionadas, então, para o refino brasileiro ser atrativo. Para desenvolver uma capacidade para atender ao mercado doméstico, é necessário que o preço seja remunerativo e que siga os sinais de preços internacionais", salienta.
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