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Quarenta anos esperando a revolução: Rui Costa Pimenta se lança candidato em 2026
Quarenta anos esperando a revolução: Rui Costa Pimenta se lança candidato em 2026
Sputnik Brasil
A sede do Partido da Causa Operária (PCO) fica em um endereço no bairro da Saúde, em São Paulo (SP), sem fachada, sem placa, sem nenhuma indicação de que ali... 28.04.2026, Sputnik Brasil
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Por fora, é um sobrado qualquer. Por dentro, no térreo, um galpão desajeitado abriga maquinário de impressão e pilhas do Diário da Causa Operária, que publica matérias todos os dias desde 2003 e se apresenta como o único diário da esquerda partidária brasileira.Uma jovem militante recebeu a Sputnik Brasil à porta e informou os colegas de partido no andar superior da chegada. A poucos metros, era gravado um programa sobre política internacional e, alguns minutos depois, a reportagem foi ao andar de cima, no escritório do presidente do PCO, Rui Costa Pimenta.O espaço é forrado de estantes e livros por todos os lados. Na parede, Lenin, Trotsky, Mao Zedong e outros homens-símbolo da esquerda observam Rui e uma mesa onde alguns membros do partido trabalham. Pimenta, com 40 anos de militância, explicou que o PCO se define como um partido comunista de orientação trotskista, com raízes na época da ditadura militar.O grupo passou pelo Partido dos Trabalhadores (PT) por cerca de dez anos antes de romper. "O nosso objetivo central é a construção de um partido revolucionário e a luta pela revolução proletária e socialista no Brasil."Para 2026, o PCO vai lançar candidatura própria à Presidência. Rui Costa Pimenta será, pela quinta vez, concorrente ao pleito, que, ao longo de duas décadas, teve sempre o mesmo resultado para ele: a última posição em número de votos.Neste ano, ele espera que a maior presença digital ajude a alavancar a sigla, mas ele entende que não seja exatamente sobre ganhar, mas sobre forçar um debate público. "Nós sentimos a necessidade de abrir um debate importante sobre questões estratégicas da política nacional."Um dos tópicos é uma crítica ao próprio partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O PT chegou ao governo em 2002. Nós estamos em 2026, são 24 anos com interrupção. E, embora o PT tenha se mantido na política de reformas sociais e uma política econômica de tipo nacionalista, ele não conseguiu, por dentro das instituições, sem mudar as instituições, alterar profundamente o que está acontecendo no país."O Bolsa Família, ele ressalta, é importante. "Nós temos uma população que naquele momento estava morrendo de fome, nós apoiamos essa proposta". Ainda assim, considera-o insuficiente diante do que chama de retrocesso econômico mais amplo.A candidatura, ele deixa claro, não pretende disputar o mesmo espaço eleitoral que o PT. Trata-se, nas suas palavras, de "marcar uma divergência estratégica". "Não se trata de criticar esse ou aquele aspecto da política do PT, mas de marcar uma divergência estratégica."Brasil era mais desenvolvido do que a China"Se você contrastar o Brasil com a China, o Brasil era um país bem mais desenvolvido do que a China 15 anos atrás. Enquanto a China andou para frente, o Brasil visivelmente tem andado para trás, tem perdido sua indústria", disse.O Brasil superava a China em produto interno bruto (PIB) total até 1995, há três décadas. Em renda per capita a vantagem durou mais, até 2018 (oito anos), mas também acabou: a China registra hoje renda média mensal de US$ 1.052 per capita contra US$ 765 do Brasil.Além disso, enquanto a economia brasileira cresceu 167% entre 1985 e 2025, a chinesa expandiu 2.933% — e o PIB brasileiro equivale hoje a apenas 12% do chinês.Para Pimenta, o país está "escravizado pelos mecanismos do sistema financeiro mundial", com destaque para o que descreve como o "problema gravíssimo da dívida pública". A soberania econômica, argumenta, é inseparável da soberania política, e o Brasil teria abdicado das duas, segundo ele. "Os países que exercem soberania têm controle sobre a sua própria economia. O Brasil foi totalmente sucateado."O dirigente cita as privatizações do período da presidência de Fernando Henrique Cardoso como o ponto de virada. "Na época do governo FHC, as privatizações liquidaram a economia estatal com grande prejuízo. Isso impede que o país tenha um posicionamento soberano."A solução, na visão do PCO, passa por encerrar o ciclo das privatizações, a começar pela Petrobras, que teve subsidiárias vendidas à iniciativa privada nos últimos anos. "Nós somos favoráveis ao cancelamento da privatização das principais empresas."O terceiro mandato de Lula seria, para ele, a ilustração dessa situação, ao dizer que "o governo não consegue agir" devido ao teto de gastos e à falta de maioria no Congresso. "O PT nunca vai ter maioria no Congresso, não tem controle sobre o Banco Central, não tem controle sobre a dívida pública. É praticamente impossível governar o país no sentido progressista."Pimenta critica diretamente a política de ajuste fiscal, "uma política que penaliza a população" e o que chama de confiança excessiva nos índices macroeconômicos como argumento eleitoral. "O índice econômico, para o chamado mercado, é importante, mas para a população não significa absolutamente nada."O pré-candidato menciona o endividamento das famílias, empresas que foram à falência e a ausência de superação da crise social. "Ao contrário do que o governo fala, não há nenhuma superação dessa crise social. Isso é um ônus para a candidatura do presidente Lula."Ele também citou o episódio da "taxa das blusinhas" como símbolo dos tropeços do governo: "Eles cometeram vários erros afetando muita gente e confiaram demais em que os índices econômicos garantiriam a eleição".São PauloPimenta avalia que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem posição bastante consolidada no estado paulista e que a esquerda terá dificuldades em vários estados.Na política de segurança pública, tema de muito foco nos últimos meses devido a índices de criminalidade em várias cidades, o PCO defende o que Pimenta chama de "guarda popular", ou "milícia popular", um nome que ele mesmo admite ser problemático, dada a conotação do Rio de Janeiro. "Uma força popular formada pela população, organizada nos bairros, eleita pela população. Isso sim seria uma política de segurança pública para o povo."A polícia convencional, na avaliação dele, "não protege a população pobre, ela é um instrumento de opressão". A política de segurança pública, como existe hoje, é descrita por ele como "uma política de direita". "A polícia está aí para defender os ricos."Na educação, defende o ingresso livre e universal nas universidades públicas, sem vestibular ou qualquer outro filtro. "A nossa política é que a universidade esteja disponível para todo mundo que queira cursá-la." Cita a Argentina como exemplo de aplicação bem-sucedida do modelo. Em relação às cotas raciais, diz que o PCO as apoiou por ser uma reivindicação do movimento negro, mas que não se trata da proposta central do partido.Política externaSe eleito presidente, Pimenta afirma que o PCO, que apoiou publicamente a ofensiva russa em relação à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), seguirá dando suporte ao governo venezuelano, à República Islâmica do Irã e à resistência palestina de forma integral.O argumento central de Pimenta é que a esquerda brasileira teria adotado o critério democrático do imperialismo como bússola política, e que isso a torna, na prática, aliada dos interesses que diz combater. "Se você adotar esse ponto de vista, vai ficar contra a maioria dos países que lutam contra o imperialismo, porque nesses países não está vigente uma democracia de estilo tradicional."Para Pimenta, é contraditório declarar apoio a um povo, mas rejeitar o governo que efetivamente organiza a resistência. "A mesma coisa acontece no Irã. É meio absurdo você falar que apoia, mas não apoia quem está efetivamente lutando." O mesmo raciocínio se aplica à Venezuela. Se estivesse no governo, diz, levaria essa política às últimas consequências: "Nós trataríamos de apoiar a luta dos povos contra o imperialismo de um modo geral e a luta pela revolução socialista ali onde ela fosse possível".AnistiaSobre o 8 de janeiro de 2023 e os condenados, Pimenta afirma que avalia "o processo dos envolvidos no 8 de Janeiro como um processo ilegal". "O STF [Supremo Tribunal Federal] pisa na Constituição e abusa da autoridade."Ele também afirma que essas críticas renderam ao PCO uma inclusão no inquérito das fake news.Pimenta afirma ser favorável à anulação das sentenças e usa a palavra "anistia" com ressalvas, preferindo falar em cancelamento dos processos: "Pessoas comuns que, no final das contas não fizeram nada, pegaram 67 anos de cadeia." O militante vai além e descarta que o Brasil tenha estado genuinamente às vésperas de um golpe de Estado. "Eu acho que, em grande medida, é uma ficção. Foi muito útil para que o STF, o Congresso e o Executivo adotassem medidas autoritárias, cerceamento na Internet e outras coisas."A estratégia de combater a extrema-direita pelo caminho judicial é, para ele, não apenas equivocada, como também contraproducente. "A esquerda cometeu o erro de abandonar a luta de ideias pela perseguição judicial. E isso está dando errado e vai piorar."Regulação das mídiasSobre regulação de redes sociais, ele critica o que enxerga como um movimento de censura aos usuários com as plataformas saindo intocadas. "Até agora, tudo o que eu ouvi foi a regulação dos usuários. Das empresas, não vi nada."Ele também cita a eleição na Hungria como exemplo de interferência digital no âmbito político: "Essas empresas tiveram um papel importante na derrota do candidato oficialista, que estava em conflito com a União Europeia".Fragmentação da esquerdaDiversos partidos brasileiros contêm as palavras "socialista" e "comunista" no nome e se vendem como agremiações marxistas.Apesar de divergências, Pimenta diz que o PCO não adota uma postura sectária quanto ao restante da esquerda. O partido apoiou a candidatura de Lula em 2022 e combateu o que chama de golpe de Estado de 2016.Em quase 30 anos de existência, o PCO elegeu um vereador em todo o país: João Vieira da Silva, em 2004, no município de Benjamin Constant (AM), com 635 votos, em coligação com PSC, PPS e PRP. Nenhum outro candidato do partido foi eleito desde então, nem vereador, nem deputado, nem prefeito, nem presidente.Aos 40 anos de militância, Rui Costa Pimenta segue falando em revolução proletária, convicto, mas reconhece que há caminho a ser trilhado. "A eleição é difícil", admite.
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Por fora, é um sobrado qualquer. Por dentro, no térreo, um galpão desajeitado abriga maquinário de impressão e pilhas do Diário da Causa Operária, que publica matérias todos os dias desde 2003 e se apresenta como o único diário da esquerda partidária brasileira.
Uma jovem militante recebeu a Sputnik Brasil à porta e informou os colegas de partido no andar superior da chegada. A poucos metros, era gravado um programa sobre política internacional e, alguns minutos depois, a reportagem foi ao andar de cima, no escritório do presidente do PCO, Rui Costa Pimenta.
O espaço é forrado de estantes e livros por todos os lados. Na parede, Lenin, Trotsky, Mao Zedong e outros homens-símbolo da esquerda observam Rui e uma mesa onde alguns membros do partido trabalham. Pimenta, com 40 anos de militância, explicou que o PCO se define como um partido comunista de orientação trotskista, com raízes na época da ditadura militar.
O grupo passou pelo Partido dos Trabalhadores (PT) por cerca de dez anos antes de romper. "O nosso objetivo central é a construção de um partido revolucionário e a luta pela revolução proletária e socialista no Brasil."
Para 2026, o PCO vai lançar candidatura própria à Presidência. Rui Costa Pimenta será, pela quinta vez, concorrente ao pleito, que, ao longo de duas décadas, teve sempre o mesmo resultado para ele: a última posição em número de votos.
Neste ano, ele espera que a maior presença digital ajude a alavancar a sigla, mas ele entende que não seja exatamente sobre ganhar, mas sobre forçar um debate público. "Nós sentimos a necessidade de abrir um debate importante sobre questões estratégicas da política nacional."
"Acho que há uma margem para fazer esse debate e estabelecer uma disputa de ideias. Acho que isso existe. Não é grande, mas ela é suficientemente importante para que a gente se coloque e aproveite essa possibilidade. Eu acho que nós vamos sair da eleição fortalecidos, vamos aumentar a nossa zona de influência e vamos crescer numericamente no partido, não tenho dúvida nenhuma."
Um dos tópicos é uma crítica ao próprio partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O PT chegou ao governo em 2002. Nós estamos em 2026, são 24 anos com interrupção. E, embora o PT tenha se mantido na política de reformas sociais e uma política econômica de tipo nacionalista, ele não conseguiu, por dentro das instituições, sem mudar as instituições, alterar profundamente o que está acontecendo no país."
O Bolsa Família, ele ressalta, é importante. "Nós temos uma população que naquele momento estava morrendo de fome, nós apoiamos essa proposta". Ainda assim, considera-o insuficiente diante do que chama de retrocesso econômico mais amplo.
A candidatura, ele deixa claro, não pretende disputar o mesmo espaço eleitoral que o PT. Trata-se, nas suas palavras, de "marcar uma divergência estratégica". "Não se trata de criticar esse ou aquele aspecto da política do PT, mas de marcar uma divergência estratégica."
"Eu acho que a eleição é difícil, que ela é uma eleição muito polarizada, onde o voto útil vai ter um papel significativo. Agora, eu penso também que uma parte do eleitorado do PT votaria no PCO. Não vai votar por isso, porque é o voto para derrotar o bolsonarismo, nós temos consciência disso, mas eu acho que nós vamos influenciar uma parcela do eleitorado do PT, sem dúvida."
Brasil era mais desenvolvido do que a China
"Se você contrastar o Brasil com a China, o Brasil era um país bem mais desenvolvido do que a China 15 anos atrás. Enquanto a China andou para frente, o Brasil visivelmente tem andado para trás, tem perdido sua indústria", disse.
O Brasil superava a China em produto interno bruto (PIB) total até 1995, há três décadas. Em renda per capita a vantagem durou mais, até 2018 (oito anos), mas também acabou: a China registra hoje renda média mensal de US$ 1.052 per capita contra US$ 765 do Brasil.
Além disso, enquanto a economia brasileira cresceu 167% entre 1985 e 2025, a chinesa expandiu 2.933% — e o PIB brasileiro equivale hoje a apenas 12% do chinês.
Para Pimenta, o país está "escravizado pelos mecanismos do sistema financeiro mundial", com destaque para o que descreve como o "problema gravíssimo da dívida pública". A soberania econômica, argumenta, é inseparável da soberania política, e o Brasil teria abdicado das duas, segundo ele. "Os países que exercem soberania têm controle sobre a sua própria economia. O Brasil foi totalmente sucateado."
O dirigente cita as privatizações do período da presidência de Fernando Henrique Cardoso como o ponto de virada. "Na época do governo FHC, as privatizações liquidaram a economia estatal com grande prejuízo. Isso impede que o país tenha um posicionamento soberano."
A solução, na visão do PCO, passa por encerrar o ciclo das privatizações, a começar pela Petrobras, que teve subsidiárias vendidas à iniciativa privada nos últimos anos. "Nós somos favoráveis ao cancelamento da privatização das principais empresas."
"Você teria que chamar o povo a se mobilizar contra o sistema político. Se você ficar preso às instituições e ao funcionamento atual das instituições, você fica engessado."
O terceiro mandato de Lula seria, para ele, a ilustração dessa situação, ao dizer que "o governo não consegue agir" devido ao teto de gastos e à falta de maioria no Congresso. "O PT nunca vai ter maioria no Congresso, não tem controle sobre o Banco Central, não tem controle sobre a dívida pública. É praticamente impossível governar o país no sentido progressista."
Pimenta critica diretamente a política de ajuste fiscal, "uma política que penaliza a população" e o que chama de confiança excessiva nos índices macroeconômicos como argumento eleitoral. "O índice econômico, para o chamado mercado, é importante, mas para a população não significa absolutamente nada."
O pré-candidato menciona o endividamento das famílias, empresas que foram à falência e a ausência de superação da crise social. "Ao contrário do que o governo fala, não há nenhuma superação dessa crise social. Isso é um ônus para a candidatura do presidente Lula."
Ele também citou o episódio da "taxa das blusinhas" como símbolo dos tropeços do governo: "Eles cometeram vários erros afetando muita gente e confiaram demais em que os índices econômicos garantiriam a eleição".
Pimenta avalia que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem posição bastante consolidada no estado paulista e que a esquerda terá dificuldades em vários estados.
Na política de segurança pública, tema de muito foco nos últimos meses devido a índices de criminalidade em várias cidades, o PCO defende o que Pimenta chama de "guarda popular", ou
"milícia popular", um nome que ele mesmo admite ser problemático, dada a conotação do Rio de Janeiro. "Uma força popular formada pela população, organizada nos bairros, eleita pela população. Isso sim seria uma
política de segurança pública para o povo."
A polícia convencional, na avaliação dele, "não protege a população pobre, ela é um instrumento de opressão". A política de segurança pública, como existe hoje, é descrita por ele como "uma política de direita". "A polícia está aí para defender os ricos."
Na educação, defende o ingresso livre e universal nas universidades públicas, sem vestibular ou qualquer outro filtro. "A nossa política é que a universidade esteja disponível para todo mundo que queira cursá-la." Cita a Argentina como exemplo de aplicação bem-sucedida do modelo. Em relação às cotas raciais, diz que o PCO as apoiou por ser uma reivindicação do movimento negro, mas que não se trata da proposta central do partido.
Se eleito presidente, Pimenta afirma que o PCO, que apoiou publicamente a ofensiva russa em relação à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), seguirá dando suporte ao governo venezuelano, à
República Islâmica do Irã e à resistência palestina de forma integral.
O argumento central de Pimenta é que a esquerda brasileira teria adotado o critério democrático do imperialismo como bússola política, e que isso a torna, na prática, aliada dos interesses que diz combater. "Se você adotar esse ponto de vista, vai ficar contra a maioria dos países que lutam contra o imperialismo, porque nesses países não está vigente uma democracia de estilo tradicional."
"A ação das ONGs é o que tem desviado a esquerda do que seria a luta fundamental, que é a luta contra o imperialismo, democrático ou não."
Para Pimenta, é contraditório declarar apoio a um povo, mas rejeitar o governo que efetivamente organiza a resistência. "A mesma coisa acontece no Irã. É meio absurdo você falar que apoia, mas não apoia quem está efetivamente lutando." O mesmo raciocínio se aplica à Venezuela. Se estivesse no governo, diz, levaria essa política às últimas consequências: "Nós trataríamos de apoiar a luta dos povos contra o imperialismo de um modo geral e a luta pela revolução socialista ali onde ela fosse possível".
Sobre o 8 de janeiro de 2023 e os condenados, Pimenta afirma que avalia "o processo dos envolvidos no 8 de Janeiro como um processo ilegal". "O STF [Supremo Tribunal Federal] pisa na Constituição e abusa da autoridade."
Ele também afirma que essas críticas renderam ao PCO uma inclusão no inquérito das fake news.
Pimenta afirma ser favorável à
anulação das sentenças e usa a palavra "anistia" com ressalvas, preferindo falar em cancelamento dos processos: "Pessoas comuns que, no final das contas não fizeram nada, pegaram 67 anos de cadeia." O militante vai além e descarta que o Brasil tenha estado genuinamente às vésperas de um golpe de Estado. "
Eu acho que, em grande medida, é uma ficção. Foi muito útil para que o STF, o Congresso e o Executivo adotassem medidas autoritárias, cerceamento na Internet e outras coisas."
A estratégia de combater a extrema-direita pelo caminho judicial é, para ele, não apenas equivocada, como também contraproducente. "A esquerda cometeu o erro de abandonar a luta de ideias pela perseguição judicial. E isso está dando errado e vai piorar."
"Depois de quatro anos de perseguição ao bolsonarismo, o filho do Bolsonaro, que é uma figura relativamente inexpressiva, está aí empatado com o Lula na eleição. Quer dizer, fracassou totalmente."
Sobre regulação de redes sociais, ele critica o que enxerga como um movimento de censura aos usuários com as plataformas saindo intocadas. "Até agora, tudo o que eu ouvi foi a
regulação dos usuários.
Das empresas, não vi nada."
"O que precisaria era exatamente o contrário: aumentar o poder dos usuários sobre as plataformas."
Ele também cita a eleição na Hungria como exemplo de interferência digital no âmbito político: "Essas empresas tiveram um papel importante na derrota do candidato oficialista, que estava em conflito com a União Europeia".
Diversos partidos brasileiros contêm as palavras "socialista" e "comunista" no nome e se vendem como agremiações marxistas.
Apesar de divergências, Pimenta diz que o PCO não adota uma postura sectária quanto ao restante da esquerda. O partido apoiou a candidatura de Lula em 2022 e combateu o que chama de golpe de Estado de 2016.
"Nós não temos uma posição de excluir. O nosso método é unificar a esquerda e os trabalhadores em torno de uma perspectiva de luta por coisas concretas, não por coisas abstratas." O problema, reconhece, é que em várias ocasiões as posições simplesmente parecem não coincidir.
Em quase 30 anos de existência, o PCO elegeu um vereador em todo o país: João Vieira da Silva, em 2004, no município de Benjamin Constant (AM), com 635 votos, em coligação com PSC, PPS e PRP. Nenhum outro candidato do partido foi eleito desde então, nem vereador, nem deputado, nem prefeito, nem presidente.
Aos 40 anos de militância, Rui Costa Pimenta segue falando em revolução proletária, convicto, mas reconhece que há caminho a ser trilhado. "A eleição é difícil", admite.
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