https://noticiabrasil.net.br/20260508/rivalidade-sino-estadunidense-e-oportunidade-unica-para-o-brasil-se-fizer-o-dever-de-casa-50198221.html
Rivalidade sino-estadunidense é oportunidade única para o Brasil se fizer o 'dever de casa'
Rivalidade sino-estadunidense é oportunidade única para o Brasil se fizer o 'dever de casa'
Sputnik Brasil
A China acaba de tornar o Brasil seu destino nº 1 de investimentos globais, ultrapassando os EUA, segundo o relatório anual do Conselho Empresarial... 08.05.2026, Sputnik Brasil
2026-05-08T20:45-0300
2026-05-08T20:45-0300
2026-05-08T20:45-0300
notícias do brasil
economia
brasil
china
estados unidos
conselho empresarial brasil-china
byd
ásia e oceania
mercado chinês
comércio
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/01/05/46772927_0:0:3072:1728_1920x0_80_0_0_91c1c1bc74c9699e7f729c340e4db8b5.jpg
Ao todo, foram investidos US$ 6,1 bilhões (R$ 30 bilhões) foram investidos no Brasil em 2025 — um salto de 45% em relação a 2024 — distribuídos em um recorde de 52 projetos. O Brasil agora absorve 10,9% de todo o capital chinês investido no exterior, já os EUA, 6,8%.As principais áreas foram mineração, onde os investimentos mais que triplicaram, veículos elétricos — a chinesa BYD respondeu por 72% das vendas de veículos eletrificados no Brasil — e manufatura, que ultrapassou mineração quanto petróleo.O conselho anunciou também que empresas chinesas investiram US$ 85,5 bilhões no Brasil em 355 projetos desde 2007, em 20 dos 26 estados brasileiros em 2025.Além disso, enquanto as importações e exportações para os EUA vêm caindo mensalmente desde março, as vendas para a China cresceram 32,5% em abril, chegando a US$ 11,61 bilhões (R$ 57,3 bilhões). Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (7) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).O incremento inédito e os valores que impressionam são consequência da disputa crescente entre China e EUA na região latino-americana em torno de recursos naturais e mercados, como apontaram especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil.Para o pesquisador Matheus Cecílio, doutor em Economia Política Internacional pela Universidade Federal Rio de Janeiro (UFRJ) e integrante do LabChina, a rivalidade sino-estadunidense no jogo geopolítico mundial é singularmente promissora para o Brasil.Logo, o momento é de utilizar o investimento estrangeiro de uma maneira estratégica e disciplinada, com políticas robustas de conteúdo local, transferência tecnológica. "Para que isso não vire só mais uma etapa na longa cadeia do Brasil de ser um receptor de produtos estrangeiros, investimentos estrangeiros, tecnologias estrangeiras, mas que nem sempre se refletem na nossa construção autônoma e nacional de uma capacidade produtiva e tecnológica própria".Inversão dos papéisCecílio ressaltou o mundo assiste atualmente uma inversão da narrativa tradicional e dos papéis que as duas potências desempenharam no passado.Ele explicou que se antes os Estados Unidos, na liderança do bloco ocidental, eram os defensores tradicionais e históricos do livre comércio, sobretudo, após a Segunda Guerra Mundial, essa narrativa agora está sendo adotada pela China. "Agora o que a gente está vendo é o oposto."Nesse cenário, a América Latina ganhou valor ainda mais crucial para a economia global hoje, pontuou o pesquisador.Para além da complementaridade produtiva entre China e América Latina, o atual panorama geopolítico delicado torna a região extremamente relevante para o país asiático, que vem enfrentando dificuldades no acesso a alguns mercados. "O investimento chinês tem sofrido mais escrutínio na Europa, na América do Norte, por exemplo."Bruno Hendler, especialista em relações internacionais e docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), corroborou com a visão de Cecílio ao citar grandes empreendimentos, como o porto de de Chancay, que está sendo construído com financiamento chinês, no Peru, como exemplo dessa disputa na região.Na avaliação de Hendler, Brasil e a América Latina, de forma geral, acabam impelidos a optar pelo modelo de sistemas chineses ou por sistemas ocidentais. Entretanto, o Brasil tem uma margem de barganha em alguns setores para baratear custos, absorver algum tipo de tecnologia, gerar empregos de alto valor.
https://noticiabrasil.net.br/20260507/exportacoes-brasileiras-para-os-eua-caem-113-e-para-a-china-avancam-325-50181629.html
brasil
china
estados unidos
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
2026
notícias
br_BR
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/01/05/46772927_86:0:2817:2048_1920x0_80_0_0_2eca4c94999a41cdad613960e673ef2a.jpgSputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
economia, brasil, china, estados unidos, conselho empresarial brasil-china, byd, ásia e oceania, mercado chinês, comércio, comércio exterior, exclusiva, sputnik brasil
economia, brasil, china, estados unidos, conselho empresarial brasil-china, byd, ásia e oceania, mercado chinês, comércio, comércio exterior, exclusiva, sputnik brasil
Rivalidade sino-estadunidense é oportunidade única para o Brasil se fizer o 'dever de casa'
A China acaba de tornar o Brasil seu destino nº 1 de investimentos globais, ultrapassando os EUA, segundo o relatório anual do Conselho Empresarial Brasil-China (CBBC).
Ao todo, foram investidos US$ 6,1 bilhões (R$ 30 bilhões) foram investidos no Brasil em 2025 —
um salto de 45% em relação a 2024 — distribuídos em um recorde de 52 projetos. O Brasil agora absorve 10,9% de todo o
capital chinês investido no exterior, já os EUA, 6,8%.
As principais áreas foram mineração, onde os investimentos mais que triplicaram, veículos elétricos — a chinesa BYD respondeu por 72% das vendas de veículos eletrificados no Brasil — e manufatura, que ultrapassou mineração quanto petróleo.
O conselho anunciou também que empresas chinesas investiram US$ 85,5 bilhões no Brasil em 355 projetos desde 2007, em 20 dos 26 estados brasileiros em 2025.
Além disso, enquanto as importações e exportações para os EUA vêm caindo mensalmente desde março, as
vendas para a China cresceram 32,5% em abril, chegando a
US$ 11,61 bilhões (R$ 57,3 bilhões). Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (7) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O
incremento inédito e os valores que impressionam são consequência da
disputa crescente entre China e EUA na região latino-americana em torno de recursos naturais e mercados, como apontaram
especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil.Para o pesquisador
Matheus Cecílio, doutor em Economia Política Internacional pela Universidade Federal Rio de Janeiro (UFRJ) e integrante do LabChina, a rivalidade sino-estadunidense no
jogo geopolítico mundial é
singularmente promissora para o Brasil.
"Acho que o Brasil nunca esteve em uma situação tão proveitosa. O Brasil, historicamente, se beneficia de momentos de amplitude estratégica, em que ele consegue jogar com vários lados ao mesmo tempo [...]. O fundamental para o Brasil é saber fazer com o investimento direto externo, o que a China fez com o investimento direto externo na sua época de desenvolvimento", defendeu ele.
Logo, o momento é de utilizar o investimento estrangeiro de uma maneira estratégica e disciplinada, com políticas robustas de conteúdo local, transferência tecnológica. "Para que isso não vire só mais uma etapa na longa cadeia do Brasil de ser um receptor de produtos estrangeiros, investimentos estrangeiros, tecnologias estrangeiras, mas que nem sempre se refletem na nossa construção autônoma e nacional de uma capacidade produtiva e tecnológica própria".
Cecílio ressaltou o mundo assiste atualmente uma inversão da narrativa tradicional e dos papéis que as duas potências desempenharam no passado.
Ele explicou que se antes os Estados Unidos, na liderança do bloco ocidental, eram os defensores tradicionais e históricos do livre comércio, sobretudo, após a Segunda Guerra Mundial, essa narrativa agora está sendo
adotada pela China. "Agora o que a gente está vendo é o oposto."Nesse cenário, a América Latina ganhou valor ainda mais crucial para a economia global hoje, pontuou o pesquisador.
"O que a gente tem visto é mais a redivisão do mundo em blocos, e a América Latina aparece como uma região em franca disputa nesse novo momento da economia política global, que é um momento de redefinição de blocos, redefinição de zonas de interesse, e, principalmente, de blocos comerciais".
Para além da complementaridade produtiva entre China e América Latina, o atual panorama geopolítico delicado torna a região extremamente relevante para o país asiático, que vem enfrentando dificuldades no acesso a alguns mercados. "O investimento chinês tem sofrido mais escrutínio na Europa, na América do Norte, por exemplo."
"Já a América Latina e a África e outras regiões da Ásia aparecem como áreas ainda abertas ou áreas ainda bastante permeáveis ao capital chinês".
Bruno Hendler, especialista em relações internacionais e docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), corroborou com a visão de Cecílio ao citar grandes empreendimentos, como o
porto de de Chancay, que está sendo construído com financiamento chinês, no Peru, como exemplo dessa disputa na região.
"A América Latina, especificamente América do Sul, se tornam um palco de influência estratégica de cooperação em setores mais técnicos, porque esses investimentos decorrem não apenas de negociação de mercado, de oportunidade de lucro das empresas, mas decorrem de um planejamento estatal chinês de se projetar em setores estratégicos, de infraestrutura, de comunicação, de energia", disse à reportagem.
Na avaliação de Hendler, Brasil e a América Latina, de forma geral, acabam impelidos a optar pelo modelo de sistemas chineses ou por sistemas ocidentais. Entretanto, o Brasil tem uma margem de barganha em alguns setores para baratear custos, absorver algum tipo de tecnologia, gerar empregos de alto valor.
"O Brasil é metade do PIB da América do Sul. Por si só, esse aumento de investimento, reflete a importância que o Brasil tem. Então, esses últimos anos de estabilidade econômica e macroeconômica no Brasil fez com que o mercado brasileiro se tornasse mais atraente ainda para investimento externo. Enquanto os investimentos ocidentais vão perdendo fôlego, a China aparece como um grande investidor. De forma geral, isso significa que a China representa uma alternativa para essa projeção tradicional ocidental", concluiu.
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!
Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.
Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).