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África do Sul ao priorizar política em energia acena para Rússia e China, diz especialista (VÍDEOS)

© SputnikPresidente chinês Xi Jinping (esquerda), presidente russo Vladimir Putin, presidente sul-africano Cyril Ramaphosa na cerimônia conjunta de fotografia dos líderes do BRICS como parte da XVI cúpula do BRICS em Kazan, 23 de outubro de 2024
Presidente chinês Xi Jinping (esquerda), presidente russo Vladimir Putin, presidente sul-africano Cyril Ramaphosa na cerimônia conjunta de fotografia dos líderes do BRICS como parte da XVI cúpula do BRICS em Kazan, 23 de outubro de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 12.05.2026
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O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa revelou recentemente as prioridades de seu governo durante o SoNA 2026 (declaração anual no parlamento que define as prioridades políticas e econômicas). Na ocasião, o desenvolvimento da infraestrutura elétrica foi inserido como um dos pilares para o desenvolvimento do país no cenário internacional.
Nesse sentido, para que possa se desenvolver no setor energético, a iniciativa sul-africana acaba sendo um aceno à Rússia e China, países com os quais a África do Sul tem relação próxima e, assim como ela, também integram o BRICS, segundo a análise de Igor Estima Sardo, doutorando em Ciência Política pela UFRGS e pesquisador associado do ISAPE (Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia), em entrevista à Sputnik Brasil.

"Ao colocar a transição energética como algo prioritário na sua agenda política, a África do Sul fez um aceno muito claro para China e Rússia, que são os principais líderes da transição energética na atualidade", disse.

O especialista também aponta que Moscou e Pequim têm competências estruturais para auxiliar o governo sul-africano nesse processo e que, além disso, o histórico positivo de parcerias sino-russas em outros Estados africanos pode contribuir para uma cooperação em território sul-africano em futuro próximo.

"A Rússia, embora seja uma grande produtora de petróleo e gás, assim como a China, está empenhada na questão da transição energética e no apoio a países africanos. Se analisarmos politicamente, a Rússia é um parceiro histórico do país, inclusive na luta contra o apartheid", discorre.

O presidente russo Vladimir Putin e o presidente da República Centro-Africana, Faustin Archange Touadera, participam de uma reunião à margem da 2ª Cúpula Rússia-África e Fórum Econômico e Humanitário no Centro de Congressos e Exposições ExpoForum em São Petersburgo, Rússia, 28 de julho de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 04.05.2026
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Petrória e o desenvolvimento estratégico africano

Para Sardo, que também é mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o crescimento da África do Sul como potência energética em nível regional pode impulsionar o desenvolvimento de outras nações africanas, devido à projeção de Pretória como uma "locomotiva regional" no continente.

"A África do Sul já era uma potência antes mesmo de sua independência e puxa outras economias da África Meridional, como Namíbia, Botsuana, Zâmbia e Moçambique. O país também tem um passado de luta contra o apartheid e, por isso, goza desse histórico como um capital político, juntamente com seu passado industrial", destaca.

Nesse contexto, a transição energética sul-africana deixou de ser tratada apenas como agenda ambiental e passou a ocupar lugar central na estratégia econômica e geopolítica do país, como aponta o analista.

"A África do Sul serve como um espelho e, ao colocar a transição energética como uma das prioridades, foi um acerto grande tanto em nível doméstico quanto continental, pois ela pode exportar energia e investimento, incluindo os países do seu entorno, mas antes precisa cada vez mais superar as etapas desse desenvolvimento", comenta.

Uma bandeira nacional russa e bandeiras com o logotipo da Rosatom tremulam no canteiro de obras de uma torre de resfriamento na usina nuclear de Kursk II, perto da vila de Makarovka, nos arredores de Kurchatov, região de Kursk, Rússia - Sputnik Brasil, 1920, 07.04.2026
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Transição energética no contexto geopolítico

Em um contexto de tensões e controle em rotas estratégicas, como a que ocorre no estreito de Ormuz, houve um aumento do fluxo marítimo pelo Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, o que significa, como explica Sardo, uma oportunidade para que o país se prepare para ser um hub não apenas de fluxos comerciais, mas também esteja apto a ingressar na cadeia produtiva da indústria 4.0, que requer muita energia.

"A situação no estreito de Ormuz impactou também o estreito de Bab el-Mandeb. Com isso, as empresas passaram a operar no Cabo da Boa Esperança. Atualmente, vemos a migração da Indústria 4.0, que exige IA, computação quântica e muita energia. Dessa forma, a África do Sul, por sua posição, pode se tornar um hub na região", conclui.

Com o avanço de alta tecnologia como inteligência artificial, que exige data centers para sustentar uma nova indústria em desenvolvimento, a energia se torna um ativo tanto geopolítico quanto de desenvolvimento econômico. Nesse sentido, a África do Sul, assim como alguns outros Estados africanos, projeta a transição energética como estratégia para desenvolver sua autonomia e soberania no sistema-mundo.
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