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Brasil acelera modernização do Exército diante das pressões dos EUA, afirma pesquisadora
Brasil acelera modernização do Exército diante das pressões dos EUA, afirma pesquisadora
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Plano de transformação do Exército acompanha fenômeno de modernização de Forças Armadas por outros países e avanço de planos dos Estados Unidos de manter... 13.05.2026, Sputnik Brasil
2026-05-13T17:50-0300
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Em meio ao aumento das tensões internacionais, o Exército Brasileiro prepara um novo mapeamento de riscos e ameaças à defesa nacional. O plano, assinado pelo comandante Tomás Ribeiro Paiva, prevê modernizar e adaptar a força terrestre para cenários de conflito contemporâneos, com foco em prontidão, resposta rápida e ampliação do uso de drones e novas tecnologias militares.A iniciativa acompanha a tendência global de aumento dos investimentos em defesa e ocorre em meio ao agravamento de disputas na América Latina, especialmente após a invasão estadunidense da Venezuela em 2026 e das ameaças de Washington de classificar facções criminosas como organizações terroristas, medida que especialistas avaliam poder abrir espaço para pressões diplomáticas e operações na região.Como funcionaria teoricamenteO plano contempla que o Brasil pode enfrentar rivais melhores equipados e superiores em capacidades ofensivas. Dessa maneira, vê em maneiras em como forças brasileiras possam se deslocar para qualquer área do país e dar uma respostas inicial para anular ou minimizar ameaças.Das 25 brigadas operativas, cinco devem atuar em prontidão: a Brigada Paraquedista no Rio de Janeiro, a Brigada Aeromóvel em Caçapava (SP), a Brigada de Infantaria de Selva em Marabá (PA), Brigada de Infantaria Mecanizada em Campinas (SP) e Brigada de Cavalaria Blindada em Ponta Grossa (PR).O novo modelo divide a força terrestre em quatro eixos de atuação: emprego imediato, prontidão, emprego continuado e operações em múltiplos domínios, integradas com as demais Forças Armadas.O documento também defende o fortalecimento da indústria bélica nacional. Segundo o Exército, a alta demanda global por equipamentos militares já supera a capacidade de produção em diversos países, dificultando inclusive a reposição de munições e insumos estratégicos.Mesmo assim, os recursos previstos ainda são considerados limitados diante da corrida tecnológica e do agravamento das tensões internacionais. O governo destinou R$ 30 bilhões para modernização das Forças Armadas ao longo de seis anos, verba que será compartilhada entre Exército, Marinha e Aeronáutica em projetos como defesa antiaérea, monitoramento de fronteiras, guerra cibernética e ampliação do uso de drones.A política também prevê treinamento para uso de novas tecnologias e atualização da doutrina militar para cenários de guerra multidomínio, envolvendo ações terrestres, cibernéticas, espaciais e de informação. As diretrizes devem ser incorporadas ao planejamento estratégico do Exército até 2031.Possíveis ameaças externasSegundo Ana Karolina Morais da Silva, doutoranda em relações internacionais pelo Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI/USP) e pesquisadora do Núcleo de Estudos Estratégicos, Geopolítica e Integração Regional (NEEGI), o atual padrão de modernização militar pode ser observado em conflitos recentes, como no Irã, onde países periféricos buscam desenvolver respostas assimétricas diante de adversários com ampla superioridade em capacidades militares convencionais.Sobretudo, a pesquisadora pontua que a ofensiva estadunidense contra a Venezuela acelerou o debate sobre modernização e defesa na América Latina, ao criar um precedente recente de intervenção direta dos EUA na região.Segundo Morais, Washington enxerga a América Latina menos como um espaço de parcerias e mais como uma reserva estratégica fundamental para sua competição global, algo evidenciado tanto por declarações de autoridades como Marco Rubio e Pete Hegseth quanto pela retomada de uma lógica associada à Doutrina Monroe durante o segundo governo de Donald Trump.Morais avalia que as pressões diplomáticas, econômicas e jurídicas exercidas pelos Estados Unidos contra o Brasil integram uma estratégia de desgaste e contenção da autonomia brasileira, semelhante à aplicada anteriormente em países como Irã, Venezuela, Síria e Líbia, muitas vezes antecedendo processos de escalada política ou militar.A pesquisadora vê que, apesar das conversas entre Trump e Lula em Washington, há uma pressão similar dos EUA com o Brasil para conter a autonomia brasileira na região. Ela ainda ressalta que o país norte-americano precisa de governos alinhados para manter seus planos de competição global.Diplomacia como defesaA pesquisadora acredita que, mesmo com o plano de transformação militar, a principal "arma" do Brasil continuará sendo sua diplomacia e capacidade de articulação internacional, embora reconheça que a América do Sul vive hoje um cenário de desintegração regional.Segundo Morais, iniciativas construídas no início do século XXI — como organismos de integração e o Conselho de Defesa Sul-Americano — foram gradualmente abandonadas após as mudanças políticas ocorridas na região a partir de 2016, deixando os países sul-americanos desarticulados diante das atuais crises geopolíticas. Como exemplo, a ausência de uma resposta unificada da região após a invasão estadunidense da Venezuela.Para a pesquisadora, diante de um cenário global cada vez mais competitivo e marcado por guerras híbridas e multidomínio, o Brasil precisa fortalecer o multilateralismo e ampliar sua cooperação estratégica, especialmente por meio do BRICS e das relações sul-americanas. Morais avalia que o bloco amplia a capacidade de articulação do país com parceiros interessados em desenvolver tecnologias, indústria de defesa e intercâmbio doutrinário."O Brasil historicamente evita conflitos e atua como mediador diplomático, mas ser pacifista não é suficiente em um mundo onde as guerras são rápidas, imprevisíveis e acontecem em vários frontes ao mesmo tempo", afirma. Ela defende que o país aproveite a multipolaridade para buscar alianças capazes de fortalecer sua autonomia estratégica, sobretudo com países dispostos a compartilhar tecnologia e experiências militares. Nesse sentido, avalia que doutrinas militares como as da China, Rússia e Irã estão mais adaptadas aos desafios contemporâneos do que a brasileira. Ainda assim, a pesquisadora considera que o BRICS oferece um espaço importante para aprofundar acordos de cooperação técnica e militar, especialmente no desenvolvimento de tecnologias, intercâmbio doutrinário e modernização das forças armadas. Morais defende que o Brasil deve investir em maior prontidão do Exército, além de fortalecer a Marinha e a Força Aérea para proteger fronteiras e áreas estratégicas.
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Brasil acelera modernização do Exército diante das pressões dos EUA, afirma pesquisadora
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Plano de transformação do Exército acompanha fenômeno de modernização de Forças Armadas por outros países e avanço de planos dos Estados Unidos de manter influência hegemônica na América Latina.
Em meio ao aumento das tensões internacionais, o Exército Brasileiro prepara um novo mapeamento de riscos e ameaças à defesa nacional. O plano, assinado pelo comandante Tomás Ribeiro Paiva, prevê modernizar e adaptar a força terrestre para cenários de conflito contemporâneos, com foco em prontidão, resposta rápida e ampliação do uso de drones e novas tecnologias militares.
A iniciativa acompanha a tendência global de aumento dos investimentos em defesa e ocorre em meio ao agravamento de disputas na América Latina, especialmente após a invasão estadunidense da Venezuela em 2026 e das ameaças de Washington de classificar facções criminosas como organizações terroristas, medida que especialistas avaliam poder abrir espaço para pressões diplomáticas e operações na região.
Como funcionaria teoricamente
O plano contempla que o Brasil pode enfrentar rivais melhores equipados e superiores em capacidades ofensivas. Dessa maneira, vê em maneiras em como forças brasileiras possam se deslocar para qualquer área do país e dar uma respostas inicial para anular ou minimizar ameaças.
Das 25 brigadas operativas, cinco devem atuar em prontidão: a Brigada Paraquedista no Rio de Janeiro, a Brigada Aeromóvel em Caçapava (SP), a Brigada de Infantaria de Selva em Marabá (PA), Brigada de Infantaria Mecanizada em Campinas (SP) e Brigada de Cavalaria Blindada em Ponta Grossa (PR).
O novo modelo divide a força terrestre em quatro eixos de atuação: emprego imediato, prontidão, emprego continuado e operações em múltiplos domínios, integradas com as demais Forças Armadas.
O documento também defende o fortalecimento da indústria bélica nacional. Segundo o Exército, a alta demanda global por equipamentos militares já supera a capacidade de produção em diversos países, dificultando inclusive a reposição de munições e insumos estratégicos.
Mesmo assim, os recursos previstos ainda são considerados limitados diante da corrida tecnológica e do agravamento das tensões internacionais. O governo destinou R$ 30 bilhões para modernização das Forças Armadas ao longo de seis anos, verba que será compartilhada entre Exército, Marinha e Aeronáutica em projetos como defesa antiaérea, monitoramento de fronteiras, guerra cibernética e ampliação do uso de drones.
A política também prevê treinamento para uso de novas tecnologias e atualização da doutrina militar para cenários de guerra multidomínio, envolvendo ações terrestres, cibernéticas, espaciais e de informação. As diretrizes devem ser incorporadas ao planejamento estratégico do Exército até 2031.
Possíveis ameaças externas
Segundo Ana Karolina Morais da Silva, doutoranda em relações internacionais pelo Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI/USP) e pesquisadora do Núcleo de Estudos Estratégicos, Geopolítica e Integração Regional (NEEGI), o atual padrão de modernização militar pode ser observado em conflitos recentes, como no Irã, onde países periféricos buscam desenvolver respostas assimétricas diante de adversários com ampla superioridade em capacidades militares convencionais.
"Eu diria que o Brasil está tentando correr atrás de uma corrida armamentista pelas grandes potências", resume Morais, se referindo a disputa da China e EUA pela região. "E essa corrida não é só por novas tecnologias militares, mas é também por uma atualização doutrinária que possibilite responder ao tipo de guerra que a gente tem no século XXI".
Sobretudo, a pesquisadora pontua que a
ofensiva estadunidense contra a Venezuela acelerou o debate sobre modernização e defesa na América Latina, ao criar um precedente recente de intervenção direta dos EUA na região.
Segundo Morais, Washington enxerga a América Latina menos como um espaço de parcerias e mais como uma reserva estratégica fundamental para sua competição global, algo evidenciado tanto por declarações de autoridades como Marco Rubio e Pete Hegseth quanto pela retomada de uma lógica associada à Doutrina Monroe durante o segundo governo de Donald Trump.
Morais avalia que as pressões diplomáticas, econômicas e jurídicas exercidas pelos Estados Unidos contra o Brasil integram uma estratégia de desgaste e contenção da autonomia brasileira, semelhante à aplicada anteriormente em países como Irã, Venezuela, Síria e Líbia, muitas vezes antecedendo processos de escalada política ou militar.
A pesquisadora vê que, apesar das conversas entre
Trump e Lula em Washington, há uma pressão similar dos EUA com o Brasil para conter a autonomia brasileira na região. Ela ainda ressalta que o país norte-americano precisa de governos alinhados para manter seus planos de
competição global."É uma estratégia de contenção, tanto para conter a nossa agenda autônoma, quanto para conter a penetração de outras potências estrangeiras no cenário geopolítico latino-americano."
A pesquisadora acredita que, mesmo com o plano de transformação militar, a principal "arma" do Brasil continuará sendo sua diplomacia e capacidade de articulação internacional, embora reconheça que a América do Sul vive hoje um cenário de desintegração regional.
Segundo Morais, iniciativas construídas no início do século XXI — como organismos de integração e o Conselho de Defesa Sul-Americano — foram gradualmente abandonadas após as mudanças políticas ocorridas na região a partir de 2016, deixando os países sul-americanos desarticulados diante das atuais crises geopolíticas. Como exemplo, a ausência de uma resposta unificada da região após a invasão estadunidense da Venezuela.
Para a pesquisadora, diante de um cenário global cada vez mais competitivo e marcado por guerras híbridas e multidomínio, o Brasil precisa fortalecer o multilateralismo e ampliar sua cooperação estratégica, especialmente por meio do BRICS e das relações sul-americanas. Morais avalia que o bloco amplia a capacidade de articulação do país com parceiros interessados em desenvolver tecnologias, indústria de defesa e intercâmbio doutrinário.
"O Brasil historicamente evita conflitos e atua como mediador diplomático, mas ser pacifista não é suficiente em um mundo onde as guerras são rápidas, imprevisíveis e acontecem em vários frontes ao mesmo tempo", afirma.
Ela defende que o país aproveite a multipolaridade para buscar alianças capazes de fortalecer sua autonomia estratégica, sobretudo com países dispostos a compartilhar tecnologia e experiências militares. Nesse sentido, avalia que doutrinas militares como as da China, Rússia e Irã estão mais adaptadas aos desafios contemporâneos do que a brasileira.
Ainda assim, a pesquisadora considera que o
BRICS oferece um espaço importante para aprofundar acordos de cooperação técnica e militar, especialmente no desenvolvimento de tecnologias, intercâmbio doutrinário e modernização das forças armadas. Morais defende que o Brasil deve investir em maior prontidão do Exército, além de fortalecer a Marinha e a Força Aérea para proteger fronteiras e áreas estratégicas.
"O Brasil tem muito a aprender com seus parceiros e muito a ganhar defendendo o multilateralismo como forma de se inserir de maneira mais autônoma e assertiva nesse cenário global."
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