https://noticiabrasil.net.br/20260507/reuniao-de-lula-com-trump-desmonta-mito-de-confronto-irreconciliavel-entre-os-dois-diz-analista-50180191.html
Reunião de Lula com Trump desmonta mito de confronto irreconciliável entre os dois, diz analista
Reunião de Lula com Trump desmonta mito de confronto irreconciliável entre os dois, diz analista
Sputnik Brasil
Pela primeira vez desde o retorno do republicano ao poder, os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, se reuniram... 07.05.2026, Sputnik Brasil
2026-05-07T20:39-0300
2026-05-07T20:39-0300
2026-05-07T20:39-0300
panorama internacional
américas
donald trump
luiz inácio lula da silva
washington
brasil
estados unidos
uerj
onu
casa branca
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/05/07/50180897_0:0:2047:1151_1920x0_80_0_0_0bbcab08fbf6956fb6bfa1b45d7bb1dd.jpg
Em um encontro considerado histórico e que fugiu do protocolo tradicional adotado por Donald Trump, que costuma falar com a imprensa antes das reuniões reservadas, o Lula conversou por quase três horas com o norte-americano nesta quinta-feira (7), na Casa Branca. A reunião, descrita como mais informal do que uma visita oficial de Estado, estava inicialmente prevista para março, mas foi adiada diversas vezes em meio à escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.Inicialmente, havia a expectativa de que os dois líderes concedessem uma coletiva após as discussões. Porém, a extensão das conversas levou ao cancelamento da agenda com jornalistas. Na sequência, Lula falou sobre o encontro na embaixada do Brasil em Washington, enquanto Trump descreveu o brasileiro nas redes sociais como o "dinâmico presidente brasileiro" e afirmou que a agenda foi "muito produtiva".Entre os temas discutidos estavam a exploração de terras raras, tarifas de importação contra produtos brasileiros, geopolítica, governança internacional e segurança pública. Isso porque o Planalto tem evitado que o governo norte-americano passe a classificar organizações criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como terroristas, o que poderia abrir margem para intervenções diretas no país. Apesar de o tema não ter sido debatido diretamente, Lula afirmou que foram discutidas estratégias conjuntas de combate ao crime organizado.Entre os resultados do encontro está a previsão de novas reuniões entre autoridades dos dois países, em mais um passo da reaproximação diplomática entre Brasília e Washington, marcada nos últimos meses por atritos."Eu sempre acho que a fotografia vale muito. Eu fiz questão de dizer: 'Ria. É importante. Alivia. Alivia a nossa alma a gente rir um pouco'", brincou Lula ao comentar a foto tirada ao lado de Trump.O mestre e doutorando em relações internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Jhonathan Mattos, avalia o encontro como positivo à Sputnik Brasil. Lula e a cobrança por maior presença econômica dos EUAConforme o presidente brasileiro, ao longo da conversa com Trump, ele citou como exemplo do afastamento norte-americano a ausência de empresas dos Estados Unidos em licitações internacionais realizadas no Brasil, como as de ferrovias, ao contrário do que ocorre com a China.Sobre a exploração de terras raras, Lula afirmou a Trump que o Congresso aprovou uma nova legislação para regulamentar a atividade no país. Segundo o presidente brasileiro, a medida reforça a soberania nacional sobre esses minerais e amplia a segurança jurídica para futuras parcerias internacionais, incluindo com os Estados Unidos.Durante a coletiva, Lula frisou que o Brasil não vetará quem terá como parceiro no desenvolvimento do setor de terras raras.Para o doutorando da UERJ, a fala também tem impacto no cenário político interno e atinge diretamente setores ligados ao bolsonarismo. "A soberania vai ser um dos principais debates desse processo eleitoral, inclusive vai ser levantada muito pelo Lula", avalia;Multilateralismo e críticas ao isolacionismoO especialista também destaca o peso geopolítico das declarações de Lula sobre reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e críticas ao isolacionismo norte-americano impulsionado pelo tarifaço que atingiu praticamente todo o mundo.Para Mattos, o presidente brasileiro buscou se posicionar não apenas diante de Trump, mas também perante o chamado Sul Global, defendendo reformas na governança internacional e um retorno dos EUA a uma atuação mais cooperativa.Aliado a isso, Mattos vê como simbólico o fato de a reunião entre Lula e Trump ter durado quase três horas, algo incomum no padrão adotado pelo presidente norte-americano com outros líderes estrangeiros. Para ele, isso demonstra interesse estratégico dos Estados Unidos em preservar e ampliar os laços com o Brasil em temas considerados sensíveis para os dois países.Durante a coletiva na embaixada brasileira em Washington, Lula também afirmou que o Brasil "não abrirá mão da democracia e da soberania", além de defender maior participação dos Estados Unidos em investimentos no país.Relação entre Brasil e EUA segue estratégica?Já a pesquisadora do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais (IPPRI) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Lívia Milani, pontua à Sputnik Brasil que o encontro demonstra que, apesar das diferenças ideológicas entre os dois governos, Brasil e Estados Unidos seguem mantendo uma relação estratégica.Segundo a especialista, Lula tenta transmitir ao público brasileiro a imagem de que consegue manter diálogo com Washington sem abrir mão da soberania nacional ou da autonomia diplomática do país. "São dois chefes de Estado que conseguem conversar e que não precisam necessariamente entrar em conflito, apesar dessas perspectivas tão diferentes", afirma.Milani avalia que o presidente brasileiro também busca reforçar internamente a ideia de que mantém acesso direto à Casa Branca e capacidade de negociação em temas relevantes para o país, especialmente em um momento de aproximação do calendário eleitoral.A pesquisadora ressalta ainda que os laços entre Brasil e Estados Unidos são históricos e densos, envolvendo não apenas governos, mas também setores econômicos, diplomáticos e institucionais. "As relações entre Brasil e Estados Unidos são muito importantes para que qualquer um dos dois governos possa simplesmente abrir mão delas", destaca.Sobre a pauta de segurança pública, a especialista afirma que Lula tenta ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime organizado sem aderir à lógica de "narcoterrorismo" defendida por setores ligados a Trump. Na avaliação dela, uma militarização mais intensa do combate às facções poderia abrir espaço para violações de direitos humanos e ampliar tensões na região.
https://noticiabrasil.net.br/20260417/analise-brasil-espanha-e-colombia-podem-comandar-coalizoes-para-confrontar-os-eua-mas-com-limites-49755753.html
washington
brasil
estados unidos
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
2026
notícias
br_BR
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/05/07/50180897_174:0:1874:1275_1920x0_80_0_0_f5617c90b037d22cd8397d25361976a8.jpgSputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
américas, donald trump, luiz inácio lula da silva, washington, brasil, estados unidos, uerj, onu, casa branca, relações diplomáticas, crime organizado, facção criminosa, primeiro comando da capital (pcc), comando vermelho (cv), metais de terras raras, terras raras, exploração, multilateralismo, multipolaridade, conselho de segurança das nações unidas, exclusiva
américas, donald trump, luiz inácio lula da silva, washington, brasil, estados unidos, uerj, onu, casa branca, relações diplomáticas, crime organizado, facção criminosa, primeiro comando da capital (pcc), comando vermelho (cv), metais de terras raras, terras raras, exploração, multilateralismo, multipolaridade, conselho de segurança das nações unidas, exclusiva
Reunião de Lula com Trump desmonta mito de confronto irreconciliável entre os dois, diz analista
Especiais
Pela primeira vez desde o retorno do republicano ao poder, os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, se reuniram a portas fechadas na Casa Branca. Entre os temas discutidos estavam a exploração de terras raras, tarifaço e o fortalecimento das relações econômicas e diplomáticas.
Em um encontro considerado histórico e que
fugiu do protocolo tradicional adotado por Donald Trump, que costuma falar com a imprensa antes das reuniões reservadas, o Lula conversou por quase três horas com o norte-americano nesta quinta-feira (7), na Casa Branca. A reunião, descrita como
mais informal do que uma visita oficial de Estado, estava inicialmente prevista para março, mas foi adiada diversas vezes em
meio à escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Inicialmente, havia a expectativa de que os dois líderes concedessem uma coletiva após as discussões. Porém, a extensão das conversas levou ao cancelamento da agenda com jornalistas. Na sequência, Lula falou sobre o encontro na embaixada do Brasil em Washington, enquanto Trump descreveu o brasileiro nas redes sociais como o "dinâmico presidente brasileiro" e afirmou que a agenda foi "muito produtiva".
Entre os temas discutidos estavam a
exploração de terras raras, tarifas de importação contra produtos brasileiros, geopolítica, governança internacional e segurança pública.
Isso porque o Planalto tem evitado que o governo norte-americano passe a classificar organizações criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como terroristas, o que poderia abrir margem para intervenções diretas no país. Apesar de o tema não ter sido debatido diretamente, Lula afirmou que foram discutidas estratégias conjuntas de combate ao crime organizado.
Entre os resultados do encontro está a previsão de novas reuniões entre autoridades dos dois países, em mais um passo da reaproximação
diplomática entre Brasília e Washington, marcada nos últimos meses por atritos.
"Eu sempre acho que a fotografia vale muito. Eu fiz questão de dizer: 'Ria. É importante. Alivia. Alivia a nossa alma a gente rir um pouco'", brincou Lula ao comentar a foto tirada ao lado de Trump.
O mestre e doutorando em relações internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Jhonathan Mattos, avalia o encontro como positivo à Sputnik Brasil.
"Trump e Lula sempre tiveram uma relação ambígua, mas o Trump sempre reconheceu o brasileiro enquanto uma liderança. E parece que a conversa de hoje foi bem pacífica. Inclusive, o republicano afirmou que a reunião foi muito boa, e sabemos que, no geral, as publicações dele são agressivas e superlativas, o que não ocorreu", enfatiza.
Lula e a cobrança por maior presença econômica dos EUA
Conforme o presidente brasileiro, ao longo da conversa com Trump, ele citou como exemplo do afastamento norte-americano a ausência de empresas dos Estados Unidos em
licitações internacionais realizadas no Brasil, como as de ferrovias,
ao contrário do que ocorre com a China.
"O Lula é muito pragmático, essa é uma das grandes características dele. Quando coloca essa questão na mesa, na verdade está tentando atrair investimentos norte-americanos para o país, porque quem ganhou espaço na América Latina a partir dos anos 2000 foi a China, que se tornou nosso maior parceiro comercial", afirma Mattos, ao acrescentar que vê na fala do presidente uma tentativa de equilibrar a relação entre as potências.
Sobre a exploração de terras raras, Lula afirmou a Trump que o Congresso aprovou uma nova legislação para regulamentar a atividade no país. Segundo o presidente brasileiro, a medida reforça a soberania nacional sobre esses minerais e amplia a segurança jurídica para futuras parcerias internacionais, incluindo com os Estados Unidos.
Durante a coletiva, Lula frisou que o Brasil não vetará quem terá como parceiro no desenvolvimento do setor de terras raras.
Para o doutorando da UERJ, a fala também tem impacto no cenário político interno e atinge diretamente setores ligados ao bolsonarismo. "A soberania vai ser um dos principais debates desse processo eleitoral, inclusive vai ser levantada muito pelo Lula", avalia;
"Essa reunião com o Trump desmonta um pouco o mito do Lula enquanto um adversário ideológico irreconciliável do Trump, uma pessoa que não teria boas relações com os EUA por serem de espectros ideológicos diferentes. Isso enfraquece a narrativa bolsonarista."
Multilateralismo e críticas ao isolacionismo
O especialista também destaca o peso geopolítico das declarações de Lula sobre reforma do Conselho de Segurança da
Organização das Nações Unidas (ONU) e críticas ao isolacionismo norte-americano impulsionado pelo tarifaço que atingiu praticamente todo o mundo.
Para Mattos, o presidente brasileiro buscou se posicionar não apenas diante de Trump, mas também perante o chamado Sul Global, defendendo reformas na governança internacional e um retorno dos EUA a uma atuação mais cooperativa.
"Então, quando o Lula critica o isolacionismo, ele não está apenas criticando o Trump e defendendo o multilateralismo, mas também fazendo um chamado para que os Estados Unidos voltem a atuar não como uma potência de hegemonia global, algo que o Lula sempre critica, mas como um participante importante dentro do sistema internacional", argumenta.
Aliado a isso, Mattos vê como simbólico o fato de a reunião entre Lula e Trump ter durado quase três horas, algo incomum no padrão adotado pelo presidente norte-americano com outros líderes estrangeiros. Para ele, isso demonstra interesse estratégico dos Estados Unidos em preservar e ampliar os laços com o Brasil em temas considerados sensíveis para os dois países.
Durante a coletiva na embaixada brasileira em Washington, Lula também afirmou que o Brasil "não abrirá mão da democracia e da soberania", além de defender maior participação dos Estados Unidos em investimentos no país.
Relação entre Brasil e EUA segue estratégica?
Já a pesquisadora do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais (IPPRI) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Lívia Milani, pontua à Sputnik Brasil que o encontro demonstra que, apesar das diferenças ideológicas entre os dois governos, Brasil e Estados Unidos seguem mantendo uma relação estratégica.
Segundo a especialista, Lula tenta transmitir ao público brasileiro a imagem de que consegue manter diálogo com Washington
sem abrir mão da soberania nacional ou da autonomia diplomática do país. "São dois chefes de Estado que conseguem conversar e que não precisam necessariamente entrar em conflito,
apesar dessas perspectivas tão diferentes", afirma.
Milani avalia que o presidente brasileiro também busca reforçar internamente a ideia de que mantém acesso direto à Casa Branca e capacidade de negociação em temas relevantes para o país, especialmente em um momento de
aproximação do calendário eleitoral.
A pesquisadora ressalta ainda que os laços entre Brasil e Estados Unidos são históricos e densos, envolvendo não apenas governos, mas também setores econômicos, diplomáticos e institucionais. "As relações entre Brasil e Estados Unidos são muito importantes para que qualquer um dos dois governos possa simplesmente abrir mão delas", destaca.
Sobre a pauta de segurança pública, a especialista afirma que Lula tenta ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime organizado sem aderir à lógica de "narcoterrorismo" defendida por setores ligados a Trump. Na avaliação dela, uma militarização mais intensa do combate às facções poderia abrir espaço para violações de direitos humanos e ampliar tensões na região.
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!
Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.
Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).