https://noticiabrasil.net.br/20260520/brasil-se-junta-as-potencias-latino-americanas-na-reducao-da-jornada-de-trabalho--50543774.html
Brasil se junta às potências latino-americanas na redução da jornada de trabalho
Brasil se junta às potências latino-americanas na redução da jornada de trabalho
Sputnik Brasil
PEC debatida na Câmara coloca o Brasil ao lado de países latino-americanos que encurtaram a semana de trabalho e ampliaram o debate sobre qualidade de vida e... 20.05.2026, Sputnik Brasil
2026-05-20T16:22-0300
2026-05-20T16:22-0300
2026-05-20T16:46-0300
panorama internacional
américas
economia
iván duque
álvaro uribe
gabriel boric
méxico
colômbia
chile
organização internacional do trabalho (oit)
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/05/01/50051004_0:241:2560:1681_1920x0_80_0_0_e286e911077eb9f01ddbf9d48bc1521b.jpg
A proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6 x 1 pode fazer o Brasil se juntar à Colômbia, ao Chile e ao México na lista dos países da América Latina que, na atual década, reduziram o tempo dedicado ao trabalho. Nesta quarta-feira (20), seria apresentado um relatório final sobre a PEC na Câmara dos Deputados, que acabou sendo adiado.A Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda a redução das jornadas para 40 horas semanais e tempo máximo de trabalho de até 48 horas na semana, desde que mediante o pagamento de horas extras. O tema, prioritário para o governo Luiz Inácio Lula da Silva, é debatido entre parlamentares, com dúvidas se haverá ou não compensação para empresários e qual será o tempo de transição para a mudança.A Sputnik Brasil compilou uma lista de como foram e estão sendo as reduções da jornada de trabalho em países da América Latina.ColômbiaA Colômbia aprovou a redução gradual da jornada de trabalho em julho de 2021, durante o governo do presidente Iván Duque, de perfil conservador. A medida foi estabelecida pela Lei 2101, apresentada pelo então senador e ex-presidente Álvaro Uribe, e alterou o Código Substantivo do Trabalho para reduzir a carga semanal de 48 para 42 horas sem diminuição salarial.A implementação foi desenhada em etapas para permitir a adaptação das empresas e do mercado de trabalho. A primeira redução ocorreu em julho de 2023, quando a jornada passou para 47 horas semanais. Em julho de 2024, caiu para 46 horas; em julho de 2025, para 44 horas. A etapa final está prevista para julho de 2026, quando o país alcançará o limite de 42 horas por semana.A legislação também permite que empregadores adotem antecipadamente o novo teto semanal, sem necessidade de esperar o cronograma oficial.A lei colombiana determina que a redução da jornada não pode resultar em corte de salários, benefícios ou direitos adquiridos pelos trabalhadores. O novo limite semanal pode ser distribuído em cinco ou seis dias, mediante acordo entre empregador e empregado, preservando obrigatoriamente um dia de descanso. O texto ainda prevê jornadas flexíveis, com turnos entre quatro e nove horas diárias, desde que a soma semanal não ultrapasse o teto legal.Segundo o governo colombiano e o Ministério do Trabalho, a reforma buscou alinhar o país às recomendações internacionais sobre qualidade de vida e produtividade, ampliando o tempo livre dos trabalhadores sem comprometer a atividade econômica.Para acompanhar a transição, a legislação também previu mesas técnicas entre governo, empresários e sindicatos, destinadas a discutir formas de mitigar impactos econômicos e fortalecer a produtividade laboral.ChileO Chile aprovou a chamada Lei das 40 Horas em abril de 2023, durante o governo do presidente Gabriel Boric, tornando-se um dos primeiros países da América Latina a estabelecer a redução gradual da jornada semanal para 40 horas. Antes da reforma, a legislação chilena previa até 45 horas de trabalho por semana.A mudança foi resultado de anos de debate entre sindicatos, empresários e parlamentares, sendo apresentada pelo governo como uma das principais reformas sociais da atual década.A implementação ocorre de forma escalonada ao longo de cinco anos para permitir a adaptação do setor produtivo. A primeira etapa entrou em vigor em abril de 2024, quando a jornada caiu de 45 para 44 horas semanais. Em abril de 2026 houve nova redução, para 42 horas, e a meta final de 40 horas deve ser alcançada em 2028. A legislação permite que empresas antecipem voluntariamente a adoção das 40 horas antes do prazo final.Além da diminuição da carga horária sem redução salarial, a lei chilena introduziu mecanismos de flexibilidade laboral como possibilidade de distribuição diferenciada das horas trabalhadas e compensação de horas extras com períodos de descanso.Segundo o Ministério do Trabalho chileno, o objetivo é melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e ampliar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal sem comprometer o emprego e a produtividade.MéxicoO México também avançou na redução da jornada de trabalho nesta década. Em 2026, o Congresso aprovou uma reforma constitucional para diminuir gradualmente a semana laboral de 48 para 40 horas, pauta impulsionada pelo governo da presidente Claudia Sheinbaum. A medida foi apresentada como uma mudança histórica em um país que figura entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com maior média anual de horas trabalhadas.O ano de 2026 funciona como um período de transição, enquanto a redução começa efetivamente em 2027, quando a jornada cairá para 46 horas semanais. O calendário aprovado prevê 44 horas em 2028, 42 horas em 2029 e a adoção definitiva das 40 horas em 2030. O texto mantém a garantia de pagamento de horas extras e determina que a mudança não poderá implicar a redução de salários ou benefícios trabalhistas.O debate no México, porém, também expôs divergências entre governo, oposição e movimentos trabalhistas. Parte dos sindicatos e parlamentares defendia que a reforma assegurasse dois dias obrigatórios de descanso por semana, o que não foi incluído no texto final, que manteve a regra de ao menos um dia de descanso para cada seis trabalhados.Ainda assim, o governo argumenta que a transição gradual permite conciliar proteção ao trabalhador com adaptação das empresas e manutenção da produtividade.Outros países na América LatinaA discussão sobre jornada de trabalho também avança em outros países da América Latina, embora nem sempre em direção à redução das horas semanais. No Peru, parlamentares apresentaram propostas para diminuir a carga horária em categorias específicas, sem avanços concretos até o momento. A República Dominicana debate a possibilidade de reduzir a jornada atualmente fixada em 44 horas semanais, enquanto a Bolívia discute a modernização de sua legislação trabalhista, considerada defasada por parte do governo e especialistas.Em alguns países, o debate envolve mais a reorganização do tempo de trabalho do que sua diminuição. A Costa Rica discute a adoção de um modelo 4x3, concentrando até 48 horas em quatro dias de trabalho seguidos de três de descanso.Já a Argentina aprovou uma reforma trabalhista que flexibiliza a distribuição da jornada: embora o limite semanal permaneça em 48 horas, acordos voluntários podem permitir turnos de até 12 horas diárias e tornar opcional o pagamento de horas extras, medida defendida pelo governo como forma de aumentar a produtividade e criticada por sindicatos por possível precarização das condições laborais.
https://noticiabrasil.net.br/20260511/cinco-vezes-em-os-eua-representaram-risco-militar-a-soberania-brasileira-50254705.html
https://noticiabrasil.net.br/20260505/mesmo-com-guerra-em-brasilia-ninguem-quer-se-associar-a-votacao-impopular-afirmam-analistas-50125348.html
méxico
colômbia
chile
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
2026
notícias
br_BR
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/05/01/50051004_0:0:2560:1920_1920x0_80_0_0_cd215a68743349fdf9e73b79e8916e57.jpgSputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
américas, economia, iván duque, álvaro uribe, gabriel boric, méxico, colômbia, chile, organização internacional do trabalho (oit), sputnik brasil, ministério do trabalho, lista
américas, economia, iván duque, álvaro uribe, gabriel boric, méxico, colômbia, chile, organização internacional do trabalho (oit), sputnik brasil, ministério do trabalho, lista
Brasil se junta às potências latino-americanas na redução da jornada de trabalho
16:22 20.05.2026 (atualizado: 16:46 20.05.2026) Redação
Equipe da Sputnik Brasil
PEC debatida na Câmara coloca o Brasil ao lado de países latino-americanos que encurtaram a semana de trabalho e ampliaram o debate sobre qualidade de vida e produtividade.
A proposta de redução da jornada de trabalho e o
fim da escala 6 x 1 pode fazer o Brasil se juntar à Colômbia, ao Chile e ao México na lista dos países da América Latina que, na atual década,
reduziram o tempo dedicado ao trabalho. Nesta quarta-feira (20), seria apresentado um relatório final sobre a PEC na Câmara dos Deputados, que acabou sendo adiado.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda a
redução das jornadas para 40 horas semanais e tempo máximo de trabalho de até 48 horas na semana, desde que mediante o pagamento de horas extras. O tema,
prioritário para o governo Luiz Inácio Lula da Silva, é debatido entre parlamentares, com dúvidas se haverá ou não compensação para empresários e qual será o tempo de transição para a mudança.
A Sputnik Brasil compilou uma lista de como foram e estão sendo as reduções da jornada de trabalho em países da América Latina.
A Colômbia aprovou a redução gradual da jornada de trabalho em julho de 2021, durante o governo do presidente Iván Duque, de perfil conservador. A medida foi estabelecida pela Lei 2101, apresentada pelo então senador e ex-presidente Álvaro Uribe, e alterou o Código Substantivo do Trabalho para reduzir a carga semanal de 48 para 42 horas sem diminuição salarial.
A implementação foi desenhada em etapas para permitir a adaptação das empresas e do mercado de trabalho. A primeira redução ocorreu em julho de 2023, quando a jornada passou para 47 horas semanais. Em julho de 2024, caiu para 46 horas; em julho de 2025, para 44 horas. A etapa final está prevista para julho de 2026, quando o país alcançará o limite de 42 horas por semana.
A legislação também permite que empregadores adotem antecipadamente o novo teto semanal, sem necessidade de esperar o cronograma oficial.
A lei colombiana determina que a redução da jornada não pode resultar em corte de salários, benefícios ou direitos adquiridos pelos trabalhadores. O novo limite semanal pode ser distribuído em cinco ou seis dias, mediante acordo entre empregador e empregado, preservando obrigatoriamente um dia de descanso. O texto ainda prevê jornadas flexíveis, com turnos entre quatro e nove horas diárias, desde que a soma semanal não ultrapasse o teto legal.
Segundo o
governo colombiano e o Ministério do Trabalho, a reforma buscou
alinhar o país às recomendações internacionais sobre qualidade de vida e produtividade, ampliando o tempo livre dos trabalhadores sem comprometer a atividade econômica.
Para acompanhar a transição, a legislação também previu mesas técnicas entre governo, empresários e sindicatos, destinadas a discutir formas de mitigar impactos econômicos e fortalecer a produtividade laboral.
O Chile aprovou a chamada Lei das 40 Horas em abril de 2023, durante o
governo do presidente Gabriel Boric, tornando-se um dos primeiros países da América Latina a estabelecer a redução gradual da jornada semanal para 40 horas. Antes da reforma, a legislação chilena previa até 45 horas de trabalho por semana.
A mudança foi resultado de anos de debate entre sindicatos, empresários e parlamentares, sendo apresentada pelo governo como uma das principais reformas sociais da atual década.
A implementação ocorre de forma escalonada ao longo de cinco anos para permitir a adaptação do setor produtivo. A primeira etapa entrou em vigor em abril de 2024, quando a jornada caiu de 45 para 44 horas semanais. Em abril de 2026 houve nova redução, para 42 horas, e a meta final de 40 horas deve ser alcançada em 2028. A legislação permite que empresas antecipem voluntariamente a adoção das 40 horas antes do prazo final.
Além da diminuição da carga horária sem redução salarial, a lei chilena introduziu mecanismos de flexibilidade laboral como possibilidade de distribuição diferenciada das horas trabalhadas e compensação de horas extras com períodos de descanso.
Segundo o Ministério do Trabalho chileno, o objetivo é melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e ampliar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal sem comprometer o emprego e a produtividade.
O México também avançou na redução da jornada de trabalho nesta década. Em 2026, o Congresso aprovou uma reforma constitucional para
diminuir gradualmente a semana laboral de 48 para 40 horas, pauta impulsionada pelo
governo da presidente Claudia Sheinbaum. A medida foi apresentada como uma mudança histórica em um país que figura entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com maior média anual de horas trabalhadas.
O ano de 2026 funciona como um período de transição, enquanto a redução começa efetivamente em 2027, quando a jornada cairá para 46 horas semanais. O calendário aprovado prevê 44 horas em 2028, 42 horas em 2029 e a adoção definitiva das 40 horas em 2030. O texto mantém a garantia de pagamento de horas extras e determina que a mudança não poderá implicar a redução de salários ou benefícios trabalhistas.
O debate no México, porém, também expôs divergências entre governo, oposição e movimentos trabalhistas. Parte dos sindicatos e parlamentares defendia que a reforma assegurasse dois dias obrigatórios de descanso por semana, o que não foi incluído no texto final, que manteve a regra de ao menos um dia de descanso para cada seis trabalhados.
Ainda assim, o governo argumenta que a transição gradual permite conciliar proteção ao trabalhador com adaptação das empresas e manutenção da produtividade.
Outros países na América Latina
A discussão sobre jornada de trabalho também avança em outros países da América Latina, embora nem sempre em direção à redução das horas semanais. No Peru, parlamentares apresentaram propostas para diminuir a carga horária em categorias específicas, sem avanços concretos até o momento. A República Dominicana debate a possibilidade de reduzir a jornada atualmente fixada em 44 horas semanais, enquanto a Bolívia discute a modernização de sua legislação trabalhista, considerada defasada por parte do governo e especialistas.
Em alguns países, o debate envolve mais a reorganização do tempo de trabalho do que sua diminuição. A Costa Rica discute a adoção de um modelo 4x3, concentrando até 48 horas em quatro dias de trabalho seguidos de três de descanso.
Já a Argentina aprovou uma reforma trabalhista que flexibiliza a distribuição da jornada: embora o limite semanal permaneça em 48 horas,
acordos voluntários podem permitir turnos de até 12 horas diárias e tornar opcional o pagamento de horas extras, medida defendida pelo governo como forma de aumentar a produtividade e criticada por sindicatos por possível precarização das condições laborais.
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!
Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.
Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).